Milho: No Brasil, preços ainda encontram suporte na demanda aquecida

Publicado em 27/11/2014 17:11 381 exibições

Sem a referência da Bolsa de Chicago (CBOT), devido ao ferido do Dia de Ação de Graças, comemorado nesta quinta-feira (27), o dia foi de pouca movimentação no mercado brasileiro. De acordo com levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas, os preços se mantiveram estáveis nas principais praças pesquisadas.

Já em Tangará da Serra (MT), o valor subiu para R$ 19,00, com valorização  de 5,56%, em Campo Novo do Parecis (MT), a cotação também aumentou para R$ 17,50, com ganho de 2,94%. Em contrapartida, em São Gabriel do Oeste (MS), o valor recuou para R$ 19,00, com perda de 5,00%. No Porto de Paranaguá, a cotação permaneceu em R$ 27,50 a saca.

O consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, explica que, a demanda interna aquecida é o fator que continua dando suporte aos preços do cereal. "O mercado interno segue comprador, a demanda é firme, especialmente do setor de rações. E a expectativa é que os compradores adquiram bons volumes do grão, nas próximas duas semanas, para garantir o abastecimento", afirma. 

Em relação às dúvidas sobre a safra brasileira, o consultor destaca que, as chuvas registradas durante essa semana beneficiaram as lavouras do cereal da primeira safra. Na produção de verão, a projeção inicial é de uma redução entre 20% a 25% na área cultivada com o grão. Isso por conta da diferença de preços entre a cultura do milho e da soja, o que fez com que o produtor rural, em muitas localidades, investisse mais na cultura da oleaginosa.

"Para a segunda safra, a perspectiva é que cerca de 70% da safra ainda seja plantada dentro da janela ideal. Porém, em algumas regiões, com o atraso no cultivo da primeira safra, há o comprometimento da janela ideal. Com isso, o restante, em torno de 30% deverá ser plantado fora desse período, o equivalente a 10 milhões de toneladas, e pode ter a produtividade afetada", diz Brandalizze.

Em seu último boletim, a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) estimou a segunda safra do cereal para a temporada 2014/15 ao redor de 49.410,8 milhões de toneladas do grão. "Outro detalhe que pode gerar alguma dúvida com relação ao interesse do produtor pela safrinha é o boletim, reportado pela CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), indicando que a segunda safra de milho não foi tão rentável em 2014. E quem fez apenas uma safra de soja obteve um melhor resultado. E isso pode gerar um desestímulo para a safrinha 2015", ressalta o analista de mercado da Cerrado Corretora, Mársio Antônio Ribeiro.

Além disso, com os custos de produção estão mais altos e os produtores rurais já sinalizam que, além da redução na área, os investimentos em tecnologia poderão ser menores na próxima safra para equilibrar os custos. Principalmente, em sementes e adubos.

BM&F Bovespa

As principais posições do milho negociadas na BM&F Bovespa terminaram a sessão desta quinta-feira (27) com ligeiras altas. Os vencimentos da commodity exibiram ganhos entre 0,31% e 0,72%. O contrato março/15 era cotado a R$ 29,40 a saca, após ter encerrado o pregão anterior a R$ 29,31 a saca.

O fechamento positivo do câmbio influenciou os preços do cereal na bolsa brasileira. Segundo dados da agência Reuters, a moeda norte-americana terminou o dia em alta, cotada a R$ 2,5295 na venda, depois do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, apontar que o programa de atuações no câmbio não deve crescer mais. 

"A bolsa registrou altas expressivas recentemente, porém, a perspectiva é que tente buscar um ajuste daqui para frente, próximo dos R$ 30,00. Tentando se adequar com a paridade para exportação", acredita o consultor de mercado.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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