Milho: Valorização do dólar impulsiona e preços terminam sessão com leves altas na BM&F

Publicado em 28/11/2014 17:12 434 exibições

Pelo segundo dia consecutivo, os preços futuros do milho na BM&F Bovespa terminaram o pregão do lado positivo da tabela. As principais posições da commodity fecharam a sexta-feira (28), com valorizações entre 0,04% e 1,11%. O contrato março/15 era negociado a R$ 29,51 a saca.

A alta do dólar foi o principal fator de suporte aos preços na sessão de hoje. A moeda norte-americana terminou a sexta-feira cotada a R$ 2,5716, na venda, com ganho de 1,66%. Na máxima da sessão, o câmbio chegou a subir 2%, de acordo com dados da agência Reuters.

Inclusive, o câmbio foi uma das variáveis que elevou os preços do cereal nos últimos 45 dias e, fez com o preço atingisse os R$ 32,00 na bolsa brasileira. Paralelamente, o atraso no plantio da safra de verão, devido à irregularidade climática, também serviu para impulsionar as cotações do cereal.

Entretanto, com a acomodação do dólar e o retorno das chuvas para as principais regiões produtoras do país, trouxeram uma tranquilidade ao mercado. E a perspectiva é que os preços também busquem uma acomodação, conforme afirmam os analistas. Durante essa semana, especialmente, as regiões do Sudeste e Centro-Oeste, receberam precipitações, após um período seco no mês de outubro.

Para a semana entre os dias 3 a 7 de dezembro, as chuvas deverão ficar concentradas no Sudeste e Centro-Oeste. Os volumes acumulados deverão ficar entre 30 até 70 mm de precipitações. No período, no Rio Grande do Sul, o volume não deve ultrapassar 15 mm. Nos estados do Paraná e Santa Catarina, em algumas partes as chuvas devem chegar a 30 mm.

Na semana seguinte, entre os dias de 8 a 12 de dezembro, as previsões também indicam precipitações com volumes entre 30 a 70 mm, no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Os maiores volumes acumulados deverão ser observados em partes do RS, SC, PR, SP, MG e GO. As informações foram divulgadas pela Somar Meteorologia.

Em relação à safra brasileira, nesta sexta-feira, a consultoria Safras & Mercado informou que a produção deverá totalizar 75,48 milhões de toneladas na temporada 2014/15. O número representa uma queda de 2,2% frente à estimativa anterior. A consultoria ainda atribui a situação ao recuo na área cultivada com o cereal na primeira safra, ao redor de 6,2%. 

Já a segunda safra, permanece como uma incerteza, já que com o atraso no plantio da soja, em muitas localidades, a janela ideal de plantio está bastante comprometida. Com isso, muitos produtores já sinalizam a possibilidade de uma diminuição na área destinada ao grão ou até mesmo a redução nos investimentos, principalmente em tecnologia e adubos.

Mercado interno

No mercado interno, as cotações do milho terminaram o mês de novembro com ganhos entre 0,80% e 19,35%, segundo levantamento realizado pelo Notícias Agrícolas. No Porto de Paranaguá, a saca encerrou a sexta-feira (28) negociada a R$ 27,50, se comparada com o primeiro dia do mês, o ganho acumulado é de 3,77%.

A praça de Jataí (GO), foi a registrou o menor crescimento, de apenas 0,80%, uma vez que os preços da saca subiram de R$ 20,00 para R$ 20,16. Na contramão desse cenário, em Tangará da Serra (MT), foi observada a maior elevação, de 19,35%, e o preço da saca do milho aumentou de R$ 15,50 para R$ 18,50. Em Cascavel (PR), as cotações também subiram, em torno de 13,51% e, passaram de R$ 18,50 e R$ 21,00.

Somente nesta semana, as cotações aumentaram 2,44% nas regiões de Ubiratã, Londrina e Cascavel, ambas cidades do Paraná, e terminaram a sexta-feira negociadas a R$ 21,00. Em Jataí (GO), os preços exibiram leve queda no acumulado dos últimos cinco dias, de 0,44%, com a saca do cereal negociada a R$ 20,16. Nas demais praças, a semana foi de estabilidade.

Os analistas explicam que, a demanda permanece aquecida e dando sustentação aos preços no mercado interno.  "O mercado interno segue comprador, a demanda é firme, especialmente do setor de rações. E a expectativa é que os compradores adquiram bons volumes do grão, nas próximas duas semanas, para garantir o abastecimento", afirma o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze. 

Bolsa de Chicago

As principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) encerraram a sessão desta sexta-feira (28) em campo negativo. Os contratos da commodity registraram perdas 2,25 e 2,75 pontos. A posição dezembro/14 era cotada a US$ 3,76 por bushel, depois de ter iniciado o pregão a US$ 3,77 por bushel.

As cotações futuras do cereal recuaram após o feriado do Dia de Ação de Graças, comemorado nesta quinta-feira nos Estados Unidos. De acordo com os analistas, o mercado registrou um movimento de realização de lucros depois dos ganhos nos últimos dias. Outro fator que têm impactado os preços das commodities, recentemente, é a movimentação negativa registrada nas cotações do petróleo e do ouro.

No pregão desta sexta-feira, as cotações do petróleo despencaram mais 7%, equivalente a mais de 700 pontos, e o barril cotado abaixo dos US$ 69,00. O movimento é uma continuidade da queda exibida no dia anterior, quando as cotações registraram a maior perda diária desde 2011 e, inclusive em algumas posições, os valores são os menores dos últimos quatro anos.

A queda tem sido observada desde que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiu em não reduzir a produção. Conforme informações reportadas pela agência Reuters, a Arábia Saudita bloqueou os pedidos de membros mais pobres do cartel de cortar a produção para conter uma queda nos preços globais. Ainda segundo a agência, as cotações recuaram um terço desde junho em função de uma produção maior nos EUA, a partir de depósitos de xisto, frente à demanda fraca.

Mesmo assim, no acumulado da semana, os preços do milho apresentam ganhos entre 2,02% a 2,45%. Os preços têm encontrado suporte nos números da produção de etanol que, até o dia 21 de novembro, subiu 1,2% e atingiu 982 mil barris por dia, conforme dados da Administração de Informação de Energia reportados durante essa semana. 

Ainda hoje, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou a venda de 109.736 mil toneladas do cereal para a Costa Rica. O volume deverá ser entregue na temporada 2014/15. Além disso, as vendas para exportação, também divulgadas nesta sexta-feira devido ao feriado, ficaram bem acima das expectativas dos participantes do mercado.

Até o dia 20 de novembro, os números ficaram em 944,9 mil toneladas referentes ao ciclo 2014/15. O volume representa uma alta de 4% em relação ao volume indicado na semana anterior, de 910 mil toneladas. A aposta do mercado era de um número entre 600 mil a 800 mil toneladas. No acumulado no ano safra, as exportações totalizam 21.580,6 milhões de toneladas, contra as 44,45 milhões de toneladas previstas pelo USDA para essa safra.

Veja como fecharam os preços nesta sexta-feira:

>> MILHO

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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