Milho: Na CBOT, mercado ainda observa a safra dos EUA e dá continuidade ao movimento negativo nesta 6ª feira

Publicado em 29/07/2016 09:14 e atualizado em 29/07/2016 13:02
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As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram o pregão desta sexta-feira (29) do lado negativo da tabela. As principais posições do cereal exibiam perdas entre 1,00 e 2,00 pontos, por volta das 8h47 (horário de Brasília). O vencimento setembro/16 era cotado a US$ 3,30 por bushel, enquanto o maio/17 era negociado a US$ 3,52 por bushel.

O mercado dá continuidade às perdas registradas no dia anterior em meio às previsões climáticas mais favoráveis para o Meio-Oeste do país no curto prazo. E, grande parte das lavouras ainda apresenta boas condições, conforme números reportados pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) no início da semana.

Para a próxima semana, as previsões climáticas indicam as temperaturas mais altas em grande parte do Corn Belt. Já as chuvas ficarão abaixo da média, segundo informações reportadas pelo NOAA - Serviço Oficial de Meteorologia do país. Com um clima mais favorável, os produtores norte-americanos poderão colher mais de 369 milhões de toneladas nesta temporada, conforme indicam as projeções oficiais.

Veja como fechou o mercado nesta quinta-feira:

Milho: Com vendas pontuais e influência da CBOT, cotações recuam mais de 2% na BM&F nesta 5ª feira

Após as recentes valorizações, as cotações futuras do milho negociadas na BM&F Bovespa encerraram o pregão desta quinta-feira (28) em campo negativo. As principais posições do cereal recuaram entre 0,80% e 3,07%. Ainda assim, as cotações permanecem bem acima do patamar dos R$ 40,00 a saca. O vencimento setembro/16, referência para a safrinha brasileira, era cotado a R$ 47,30 a saca, enquanto o março/17 era negociado a R$ 45,35 a saca.

De acordo com o analista de mercado da Céleres Consultoria, Anderson Galvão, o recuo é decorrente das vendas pontuais que têm sido realizadas. "Com o andamento da colheita da segunda safra temo alguma produção entrando nesse mercado. Porém, sabemos que a a safrinha terá vida curta, pois a quebra foi grande", pondera o especialista.

A perspectiva é que a safrinha registre uma quebra de mais de 20% nesta temporada, conforme as projeções das consultorias. Já as estimativas oficiais apontam para uma safra próxima de 43 milhões de toneladas no ciclo 2015/16. Isso porque, nas principais regiões produtoras as lavouras foram afetadas pelo clima adverso.

Em um dos principais estados produtores do cereal na segunda safra, o Paraná, a quebra pode superar os 15% nesta temporada. No estado de Goiás, o cenário é semelhante, entretanto, os prejuízos podem ficar acima dos 40% nesta safra. A perspectiva inicial era de uma safra perto de 8 milhões de toneladas, mas a safra deverá somar 4,9 milhões de toneladas, segundo projeções da Faeg (Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás).

"Ainda hoje, temos que considerar o recuo nos preços na Bolsa de Chicago e também a influência do dólar na composição dos preços. Ainda assim, dado o quadro de profunda escassez de oferta, acreditamos que os preços ainda deverão se manter firmes", pondera Galvão.

Enquanto isso, no mercado interno, o dia foi de estabilidade em grande parte das praças pesquisadas pela equipe do Notícias Agrícolas. No Porto de Paranaguá, a saca do cereal para entrega em setembro/16 permaneceu inalterada em R$ 33,00. Em Assis (SP), o preço caiu 6,97%, com a saca a R$ 39,08. Na região de Sorriso (MT), a saca finalizou o dia a R$ 32,00, com perda de 5,88%.

Em São Gabriel do Oeste (MS), a queda foi menor, de 1,32%, com a saca do cereal a R$ 37,50. Na contramão desse cenário, em Avaré (SP), a alta foi de 4,64%, com a saca do cereal a R$ 43,96, já em Cascavel (PR), a cotação avançou para R$ 38,00, com ganho de 1,33%.

Dólar

Ainda hoje, a moeda norte-americana encerrou o dia a R$ 3,2965 na venda, com alta de 0,78%. Segundo a agência Reuters, a movimentação é decorrente da briga pela formação da Ptax e também na véspera da decisão da decisão do Banco do Japão, com perspectivas de anúncio de novos estímulos monetários.

Bolsa de Chicago

A quinta-feira (28) foi negativa aos preços do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT). As principais posições do cereal finalizaram o dia com quedas entre 3,75 e 4,50 pontos. O contrato setembro/16 era cotado a US$ 3,31 por bushel, já o dezembro/16 a US$ 3,38 por bushel. O março/17 era negociado a US$ 3,47 por bushel.

As atenções dos participantes do mercado ainda estão voltadas ao comportamento do clima nos Estados Unidos. A safra norte-americana ainda se desenvolve e, segundo explicou o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o clima ainda pode comprometer o rendimento das plantações. "As plantações estão em pleno período de floração e riscos ainda de perder produtividade", destaca.

O NOAA - Serviço Oficial de Meteorologia do país - reportou que, no período de 3 a 7 de agosto, as temperaturas ficarão mais altas em grande parte do Corn Belt. No mesmo intervalo, as chuvas ficarão abaixo da média.

"O tempo quente está previsto para o Centro-Oeste no país na próxima semana pode não durar muito, mas parece haver algumas preocupações sobre a cultura do milho. Para essa semana, as chuvas ainda deverão ser benéficas às lavouras em partes do Meio-Oeste", disse Bob Burgdorfer.

Ainda nesta quinta-feira, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) reportou seu novo boletim de vendas para exportação. Na semana encerrada no dia 21 de julho, as vendas de milho ficaram em 915,3 mil toneladas e ficaram dentro do esperado de 750 mil a 1,150 milhão de toneladas.

O acumulado na temporada já supera em 3% o anterior. Do total, as vendas da safra velha foram de 438,8 mil toneladas, 27% a mais do que na semana anterior, e tendo o Japão como destino principal. Já as da safra nova foram de 476,5 mil.

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Por Fernanda Custódio
Fonte Notícias Agrícolas

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