Enfezamentos vermelho e pálido em milho, por Elcio Alves

Publicado em 27/12/2016 11:28 e atualizado em 29/12/2016 09:57
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Elcio Alves é cientista da DuPont Pioneer

O complexo de enfezamento pode ocorrer em 100% das plantas de uma lavoura de milho no campo causando até a perda total da produção. A incidência dos enfezamentos tem aumentado muito, principalmente em função da permanência de plantas de milho no campo por quase todo o ano, aliada a condições ambientais favoráveis ao desenvolvimento da doença e sobrevivência e multiplicação do inseto vetor.

Os sintomas típicos dos enfezamentos são o avermelhamento ou amarelecimento generalizado da planta e estrias esbranquiçadas, geralmente associadas a outros, que vão depender muito de algumas características genéticas e ambientais. Plantas infectadas podem apresentar proliferação de espigas, espigas deformadas, perfilhamento na base ou axilas foliares, encurtamento de internódios, principalmente acima da espiga, grãos pequenos e frouxos, morte precoce, quebra de colmos, má formação de palha nas espigas (palhas curtas, finas e rasgadas), e colonização de palhas, bainhas e colmos por fungos oportunistas. Estes sintomas podem variar dependendo do nível de resistência do genótipo, da idade das plantas ao serem infectadas e das condições ambientais, principalmente a temperatura.

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Os enfezamentos são causados por espiroplasmas e fitoplasmas (classe mollicutes), que infectam o floema das plantas de milho. O enfezamento pálido ou Corn Stunt Spiroplasm se caracteriza por estrias cloróticas claras da base para o ápice das folhas e o enfezameto vermelho ou Maize Bushy Stunt se caracteriza principalmente pelo avermelhamento das folhas, porém, os sintomas podem ser confundidos ou acontecerem ao mesmo tempo no campo devido a presença simultânea de ambos os enfezamentos.

Os enfezamentos são transmitidos por um vetor (cigarrinha) denominado Daubulus maidis. A cigarrinha D. maidis ao se alimentar da planta de milho infectada adquire o fitoplasma ou espiroplasma juntamente com a seiva. Após um período latente de 3 a 4 semanas (dependendo da temperatura ambiente) ela passa a transmití-lo de forma persistente às plantas sadias. A coincidência entre o final de ciclo de lavouras infectadas com início de ciclo de novas lavouras faz com que os insetos vetores migrem para as plantas jovens, disseminando a doença.

A biologia da Daubulus maidis é muito afetada pela temperatura do ambiente, sendo que abaixo de 20ºC aproximadamente, os ovos permanecem viáveis, sem desenvolvimento embrionário e, portanto, sem eclosão de ninfas.

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As ninfas passam por 5 ínstares e, para completar essa fase, levam cerca de 20 dias a 26ºC, podendo levar mais tempo em temperaturas mais baixas, como também pode passar por menos ínstares, em temperaturas mais elevadas. A longevidade dos adultos é de cerca de 45 dias. O período de incubação do espiroplasma em Daubulus maidis varia de 16 a 30 dias e os sintomas das plantas infectadas aparecem após 4 a 7 semanas (Waquil et al. 2003). A população do inseto cresce muito durante o verão, atingindo seu ápice em meados do mês de março, dependendo da presença contínua do hospedeiro no campo e da região. O controle do vetor pode ser realizado por alguns inseticidas em tratamento de sementes ou pulverização, entretanto, se existirem focos de infestação próximos, novas populações estarão migrando para o campo diariamente, sendo necessário um monitoramento frequente e a realização de repetidas pulverizações.

Devido ao difícil controle químico, tanto dos insetos vetores como dos mollicutes, a opção é o uso de um manejo integrado da doença. Neste manejo incluem-se operações em que se deve considerar a multiplicação e o desenvolvimento tanto do inseto vetor como do fitoplasma ou espiroplasma. As principais medidas são: o uso de cultivares resistentes, adequação da época de plantio, evitar plantios consecutivos e eliminar plantas voluntárias no campo que possam servir de hospedeiras. É muito importante a combinação de diferentes híbridos para minimizar possíveis prejuízos causados pela doença e evitar a adaptação do patógeno a um híbrido específico.

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A recomendação é que seja feito o tratamento de sementes para controle do inseto vetor e a aplicação de inseticida seja realizada na fase inicial do estabelecimento da cultura. O nível de resistência de cada híbrido é diferente, desta forma, é importante a combinação de diversos híbridos para minimizar possíveis prejuízos.

O pousio deve ser considerado, assim como a destruição de plantas de milho voluntário, com o objetivo de diminuir a chance de sobrevivência dos insetos na entressafra.

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Viroses

O vírus da risca do milho também é transmitido pela cigarrinha Dalbulus maidis e os sintomas aparecem entre sete e dez dias após a inoculação. Esta infecção precoce pode acarretar redução de crescimento e aborto das gemas florais. Esta virose pode determinar reduções em torno de 30% na produção e, por ser causada pelo mesmo inseto vetor dos enfezamentos vermelho e pálido, geralmente ocorre simultaneamente a estas doenças.

As infecções ocorrem geralmente nos estádios iniciais de desenvolvimento, por isso, é muito importante o monitoramento e utilização de tratamento de sementes, associados ao manejo químico.

Já o mosaico comum do milho é transmitido por várias espécies de pulgões, sendo as espécies mais eficientes o Rhopalosiphum maidis, Schizophis graminum e Myzus persicae. Os insetos vetores adquirem o vírus e em poucos tempo já estão aptos a transmitir. A formação de manchas verde clara nas folhas com áreas verde normal que dão um aspecto de mosaico para as plantas são parte dos sintomas do vírus.

Pulgão-do-milho

A transmissão inicial do vírus para uma nova lavoura é realizada pelos pulgões na forma alada, quando estes, saindo de suas colônias, realizam “picadas de prova” em uma planta jovem. A transmissão do vírus pelo pulgão inicia-se, aproximadamente, a partir de doze horas após o inseto alimentar-se da planta infectada. Para manejo deste inseto vetor, é necessário, além do controle dos indivíduos alados, monitorar as colônias de lavouras mais avançadas para posterior controle, evitando assim reinfestações de lavouras em estágios fenológicos iniciais:

O controle químico do pulgão vetor deve ser feito a partir de plantas em V3/V4 (considerando a época de plantio e população do inseto), monitorando o cartucho das plantas e verificando a presença de indivíduos alados; Monitorar dos 30 aos 70 dias após a emergência, considerar 20% de plantas com mais de 100 pulgões e entrar com inseticidas registrados (fêmeas geram até 10 ninfas/dia); Observar seca e altas temperaturas (18 a 25ºC); Continuar monitoramento para aplicações inseticidas em pré-florescimento e início do enchimento de grãos.

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Fonte: Pioneer

1 comentário

  • Sérgio da Guia Miranda dos Santos Piracanjuba - GO

    Creio que, alem de fazermos os controles com inseticidas, teriamos de eliminar as plantas com sintomas, como também as voluntárias...

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    • VICTOR ANGELO P FERREIRA VICTORVAPFNEPOMUCENO - MG

      Que inveja tenho da Argentina, lá em baixo, protegida geograficamente ...Não é fácil ser esquina do mundo...

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