Milho perde força na B3 nesta 6ªfeira após atingir seu teto, destaca Vlamir Brandalizze

Publicado em 23/10/2020 17:04 e atualizado em 25/10/2020 16:20 1730 exibições
Chicago termina semana em altas impulsionadas pelas exportações dos EUA

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A sexta-feira (23) chega ao final com os preços do milho mantendo a trajetória de alta no mercado físico brasileiro. Em levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas, não foi percebida nenhuma desvalorização nas praças.

Já as valorizações apareceram em Porto Paranaguá/PR (1,37% e preço de R$ 74,00), Panambi/RS, Não-Me-Toque/RS, Eldorado/MS, Pato Branco/PR, Ubiratã/PR, Londrina/PR, Marechal Cândido Rondon/PR, Oeste da Bahia (1,94% e preço de R$ 52,50), Castro/PR, Cascavel/PR, Cafelândia/PR, Brasília/DF, Campo Novo do Parecis/MS, Amambaí/MS, Rio do Sul/SC e Tangará da Serra/MT (5% e preço de R$ 63,00).

Confira como ficaram todas as cotações nesta sexta-feira

De acordo com o reporte diário da Radar Investimentos, o mercado físico do milho seguiu firme, mas com ofertas de compra e de venda mais distantes, o que chama a atenção. “O comprador está mais cauteloso em assumir compromissos com preços acima, enquanto os vendedores mantêm as ofertas”.

A consultoria SAFRAS & Mercado destaca que o mercado brasileiro de milho seguiu extremamente aquecido nesta última semana. “A oferta ajustada à demanda segue garantindo avanços constantes nas cotações, com dias inclusive de dificuldade para a precificação. Com a disponibilidade restrita do milho, os compradores vão tendo de pagar cada vez mais para garantir o seu abastecimento”.

Outro ponto relatado é o dólar, que segue em patamares altos e se mantém como aspecto de estímulo e competitividade às exportações brasileiras. “Com o escoamento da oferta e disputa dos exportadores com os consumidores internos pelo milho, e com o produtor segurando o cereal, as reações foram generalizadas nos preços”.

Por fim, a consultoria afirma que “a preocupação com o clima seco em muitas regiões para o plantio da safra de verão vem sendo em outubro destaque também para a retenção da oferta por parte dos produtores. Temendo perdas na produção com o clima desfavorável, com atraso no plantio, é natural o vendedor utilizar essa estratégia e os preços vão avançando”.

B3

Os preços futuros do milho operaram durante toda a sexta-feira em baixa na Bolsa Brasileira (B3), mas fecharam o dia levemente mais altos. As principais cotações registraram movimentações entre 3,51% negativo e 1,33% positivo.

O vencimento novembro/20 foi cotado à R$ 81,00 com ganho de 1,12%, o janeiro/21 valeu R$ 81,37 com valorização de 1,33%, o março/21 foi negociado por R$ 79,95 com elevação de 0,57% e o maio/21 teve valor de R$ 74,30 com desvalorização de 3,51%.

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, essa queda já era esperada, uma vez que todos os produtos têm um limite de crescimento. “O milho foi avançando, a B3 foi até R$ 85,00, mas ai o pessoal esticou a corda o máximo possível e agora os investidores viram que os grandes consumidores do mercado fugiram, ninguém vai comprar milho nesses valores porque será prejuízo certo”.

Na visão de Brandalizze, a B3 retornando abaixo dos R$ 80,00 é um padrão normal com o mercado de porto trabalhando à R$ 74,00 para exportação, que é o que baliza todo o mercado nacional. “O milho importado também chegaria próximo desses R$ 75,00 então ele está muito balizado e fica difícil evoluir mais”.

Mercado Externo

A Bolsa de Chicago (CBOT) fechou a sexta-feira acumulando ganhos para os preços internacionais do milho futuro. As principais cotações registraram movimentações positivas entre 1,00 e 3,00 pontos ao final do dia.

O vencimento dezembro/20 foi cotado à US$ 4,19 com valorização de 3,00 pontos, o março/21 valor US$ 4,20 com elevação de 2,00 pontos, o maio/21 foi negociado por US$ 4,21 com ganho de 1,50 pontos e o julho/21 teve valor de US$ 4,20 com alta de 1,00 ponto.

Esses índices representaram altas, com relação ao fechamento da última quinta-feira, de 0,72% para o dezembro/20, de 0,48% para o março/21, de 0,48% para o maio/21 e de 0,24% para o julho/21.

Com relação ao fechamento da última semana, os futuros do milho acumularam valorizações de 4,23% para o dezembro/20, de 3,19% para o março/21, de 3,19% para o maio/21 e de 2,94% para o julho/21 na comparação com a última sexta-feira (16).

Segundo informações do site internacional Farm Futures, os preços do milho subiram pela oitava vez nas últimas nove sessões devido ao otimismo contínuo das exportações, mesmo com a safra deste ano nos Estados Unidos indicando uma produção massiva. Os preços têm apresentado uma trajetória clara de alta desde o início de agosto, com alguns soluços ao longo do caminho.

Exportadores privados relataram ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) a venda de 3,9 milhões de bushels (99.060 toneladas) de milho para entrega durante a campanha de comercialização de 2020/21, que começou em 1º de setembro.

Olhando para a China, as importações de milho do país nos primeiros nove meses de 2020 atingiram 262,6 milhões de bushels (6,670 milhões de toneladas), o que o coloca em ritmo de ultrapassar o total de 2019 em 72,5%. As importações de setembro aumentaram 675% ano a ano, após atingir 42,5 milhões de bushels (1,079 milhão de toneladas). “A China vai importar muito mais grãos como cevada, sorgo e milho no novo ano de comercialização, já que os preços domésticos (milho) permanecerão altos”, disse Xie Jinjiang, analista do site de comércio Myagric.com.

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Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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