Milho: posições do meio do ano se fortalecem na B3 diante de possível escassez na entressafra

Publicado em 10/01/2022 16:34 802 exibições
Chicago recua 1% e mercado aguarda USDA na quarta-feira

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A segunda-feira (10) chega ao final com os preços futuros do milho contabilizando movimentações levemente altistas na Bolsa Brasileira (B3), com destaque para os contratos mais próximos ao meio do ano, que tiveram uma alta maior.

O vencimento janeiro/22 foi cotado à R$ 94,30 com ganho de 0,11%, o março/22 valeu R$ 98,15 com alta de 0,56%, o maio/22 foi negociado por R$ 94,24 com elevação de 0,60% e o julho/22 teve valor de R$ 90,65 com valorização de 0,95%.

Para o analista de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o mercado brasileiro está mais forte para as cotações de maio e junho, no meio do ano, porque ainda será o pico da entressafra.

“Estamos colhendo uma safra muito pequena agora de verão, que possivelmente não vai atender a demanda até o meio do ano e a nova safrinha vai chegar a partir de junho em diante. Então vamos ter um primeiro semestre muito apertado, principalmente em maio e abril, com pouco milho para atender a demanda que deve ser muito forte, com tudo indicando demanda recorde”, diz o analista.

Brandalizze destaca ainda que não há pressão de venda neste momento. “O mercado hoje é comprador. Lá no Rio Grande do Sul o milho FOB é R$ 100,00 e não tem ofertas. O vendedor hoje quer R$ 110,00 para o milho na casa do produtor, então não sai negócio”.

O Brasil começou 2022 exportando, na média diária, mais milho do que o registrado ao longo de janeiro de 2021. Por outro lado, as importações do cereal tiveram queda na primeira semana do ano, de acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, por meio da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). 

No mercado físico brasileiro, o preço da saca de milho também subiu neste começo de semana. O levantamento realizado pela equipe do Notícias Agrícolas não encontrou desvalorizações em nenhuma das praças, mas verificou valorizações em Não-Me-Toque/RS, Panambi/RS, Ponta Grossa/PR, Brasília/DF, Luís Eduardo Magalhães/BA, Itapetininga/SP e Campinas/SP.

Confira como ficaram todas as cotações nesta segunda-feira

De acordo com a análise da Agrifatto Consultoria, “a colheita no RS supera 13% da área com lavouras bastante prejudicadas de acordo com a EMATER, trazendo stress ao mercado. Em Campinas/SP, o cereal está sendo comercializada na média dos R$ 94,00/sc”.

Ainda nesta segunda-feira, o Cepea divulgou sua nota semanal apontando que, os preços do milho voltaram a avançar neste início de ano nos mercados nacional e externo. 

Segundo pesquisadores do Cepea, no Brasil, as altas estão atreladas à retração de vendedores, que estão atentos ao clima predominante seco no Sul do País, e ao maior interesse de compradores, que precisam recompor seus estoques. 

“No campo, produtores do Sul do Brasil já iniciaram a colheita da safra verão, mas, com o andamento dos trabalhos de campo, começam também a calcular os danos da forte estiagem na região sobre a produção de milho. Já no Sudeste e Centro-Oeste, as chuvas mais frequentes favorecem as lavouras”, diz a nota. 

Mercado Externo

Já a Bolsa de Chicago (CBOT) termina a segunda-feira contabilizando movimentações que foram perdendo força ao longo do dia e encerraram negativas para os preços internacionais do milho futuro.

O vencimento março/22 foi cotado à US$ 5,99 com desvalorização de 7,00 pontos, o maio/22 valeu US$ 6,01 com perda de 6,50 pontos, o julho/22 foi negociado por US$ 5,99 com queda de 5,50 pontos e o setembro/22 teve valor de US$ 5,69 com baixa de 2,25 pontos.

Esses índices representaram perdas, com relação ao fechamento da última sexta-feira (07), de 1,16% para o março/22, de 0,99% para o maio/22, de 0,83% para o julho/22 e de 0,35% para o setembro/22.

Segundo informações do site internacional Barchart os contratos futuros de milho recuaram, voltando para abaixo dos US$ 6,00 o bushel enquanto o mercado aguarda a divulgação do novo relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

A expectativa dos analistas consultados pela publicação é de corte de 1,8 milhões de toneladas na produção brasileira de milho e uma redução de 900 mil toneladas na Argentina.

Nem mesmo o reporte de uma compra privada do México de 132 mil toneladas de milho norte-americano nesta segunda-feira ajudou a sustentar os preços. Desde total, 77 mil toneladas são para entrega ainda no ciclo 2021/22 e as 55 mil toneladas restantes serão da temporada 2022/23.

Ainda neste primeiro dia da semana, o USDA divulgou seu novo boletim semanal de embarques de grãos com embarque de 1.022.677 toneladas diante de projeções do mercado entre 600 mil e 1,250 milhão.

Por:
Guilherme Dorigatti
Fonte:
Notícias Agrícolas

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