Com fertilizante em 40% do custeio e preço abaixo do custo total, safrinha de milho exige eficiência
Mesmo com a manutenção da projeção de uma safra brasileira de 139 milhões de toneladas de milho em 2026/27, a principal variável para o desempenho da cultura continua sendo a segunda safra. Responsável por aproximadamente três quartos da produção nacional, ela concentra os maiores desafios climáticos e amplia a necessidade de eficiência no manejo nutricional em um cenário de custos elevados e margens cada vez mais pressionadas.
Na revisão de julho, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) manteve a estimativa de 139 milhões de toneladas para a produção brasileira de milho em 2026/27, volume estável em relação à previsão anterior, mesmo em um contexto de produção mundial estimada em 2,3% abaixo da safra 2025/26.
Os dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram, no entanto, que o desempenho da segunda safra continua fortemente condicionado pela janela de cultivo e pelas condições climáticas. No 10º levantamento da safra 2025/26, a área cultivada com milho segunda safra alcançou 17,8 milhões de hectares, crescimento de 2,1% em relação ao ciclo anterior. Apesar da expansão da área, a produtividade média caiu 5,4%, para 6.148 quilos por hectare, reduzindo a produção em 3,4%, para 109,4 milhões de toneladas.
No mesmo levantamento, a primeira safra apresentou produtividade média estimada em 7.149 quilos por hectare, a maior já registrada para o ciclo. Segundo a Conab, as instabilidades climáticas entre abril e maio afetaram principalmente as lavouras de Goiás, Minas Gerais e Piauí. Embora as chuvas tenham retornado em junho, elas ocorreram tarde demais para recuperar as perdas provocadas pela redução da disponibilidade hídrica, sobretudo nas áreas semeadas fora da janela ideal de cultivo.
A série histórica da Conab reforça esse comportamento. A área destinada ao milho segunda safra passou de 13,8 milhões de hectares em 2019/20 para 17,8 milhões em 2025/26. No mesmo período, entretanto, a produtividade oscilou entre 4.050 quilos por hectare, em 2020/21, e 6.499 quilos por hectare, em 2024/25, evidenciando que a expansão da área cultivada tem sido mais consistente do que os ganhos de rendimento.
Para Leonardo Sodré, CEO do Grupo GIROAgro, a preparação do solo e a eficiência nutricional tornam-se fatores ainda mais relevantes em um cenário de maior dependência da segunda safra.
"No que se refere à preparação do solo, uma menor lixiviação reduz as perdas de nitrogênio, que é crítico para o milho. Já a tecnologia Stay Green mantém as folhas ativas por mais tempo, aumentando a fotossíntese."
Leonardo destaca que a linha Exclusive oferece soluções voltadas à eficiência operacional em um período de plantio mais concentrado.
"A linha Exclusive oferece aplicação antecipada via solo, com maior compatibilidade, que são ideais para uma janela de aplicação apertada na safrinha."
O contexto econômico reforça essa necessidade. Dados do projeto CPA-MT, desenvolvido pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) em parceria com o Senar-MT, estimam o custeio do milho para a safra 2026/27 em Mato Grosso em R$ 3.799,42 por hectare ao final de maio, alta de 14,46% sobre a safra anterior. Em junho, o valor recuou ligeiramente para R$ 3.767,37 por hectare.
Entre os componentes do custeio, fertilizantes e corretivos representam o principal grupo de insumos, somando R$ 1.532,66 por hectare — cerca de 40% do custo operacional — mesmo após redução de 2,38% em relação ao mês anterior.
No mesmo levantamento, o Imea projetou preço médio de R$ 44,76 por saca para a safra 2026/27, valor inferior ao necessário para cobrir o custo operacional total, estimado em R$ 6.057,70 por hectare. Considerando também a remuneração da terra e do capital investido, o custo total de produção chega a R$ 7.372,88 por hectare.
Com fertilizantes representando aproximadamente 40% do custeio da cultura, a eficiência no aproveitamento dos nutrientes passa a ter impacto direto sobre a rentabilidade da atividade. A própria dinâmica de comercialização confirma essa preocupação. Segundo o Imea, a demanda por fertilizantes para a safra 2026/27 tende a se intensificar a partir do segundo semestre, período em que os produtores realizam compras antecipadas aproveitando o pós-colheita, quando as relações de troca costumam ser mais favoráveis.
Nesse contexto, o planejamento antecipado e a adoção de tecnologias que aumentem a eficiência dos insumos tornam-se fatores estratégicos para que o potencial projetado para a próxima safra se converta em produtividade e retorno econômico no campo.
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