Produtor de milho pode ganhar com seca na Europa e embargo russo à exportação

Publicado em 24/08/2010 07:57 e atualizado em 24/08/2010 08:35 1330 exibições
Nos últimos 15 dias, o mercado do milho foi abarrotado de informações que resultaram em uma nova dinâmica no comportamento dos preços internacionais.

A seca que assola a Europa e o embargo russo às exportações de grãos, aliados a uma provável imposição de cotas nas exportações ucranianas, nos indicam que os países que compõem a zona do euro poderão ter dificuldades para recompor suas ofertas.

A produção de trigo na Europa tem importante utilização para a fabricação de ração animal e, em um ambiente em que a produção poderá ser comprometida, a necessidade de importação será iminente. Em virtude da dificuldade em se conseguir importar o trigo em sua totalidade necessária, o bloco terá que recorrer à importação de produtos substitutos, a exemplo do milho.

Em 2007, a necessidade de importação de milho por parte da Europa, devido à quebra na produção de trigo, acarretou significativos aumentos nos prêmios do milho negociado nos portos brasileiros.

Isso implica dizer que poderemos ter um segundo semestre mais aquecido para as vendas externas de milho do Brasil. Outra notícia que ajudou o mercado a elevar suas expectativas em relação aos preços do milho foi o comentário recente, feito pelo governo da China, alegando que os atuais estoques de milho do país são insuficientes para garantir sua segurança alimentar, fato que poderá levar os chineses a um movimento de importações no curto prazo.

Todas essas notícias ocasionaram significativa alta nos preços do milho negociado na Bolsa de Chicago. Nos últimos 30 dias, o primeiro vencimento (contrato de primeiro encerramento entre todos os contratos em abertos) registrou alta de 12,6%, impulsionado pela expectativa de restrição de oferta em um ambiente de forte aumento de demanda.

Do ponto de vista de oferta, poucos são os "players" capazes de atender a necessidade dos países importadores. Em conjunto, Estados Unidos, Argentina e Brasil respondem por aproximadamente 80% das vendas externas, o que nos indica que as exportações globais são extremamente concentradas.

O movimento de crescimento das exportações, aliado a um possível quadro de queda na área plantada com milho na safra de verão no Brasil na safra 2010/11, poderá ocasionar um cenário diferente de preços para o próximo ano. A queda da oferta interna resultaria em alta nos preços domésticos.

Como o comportamento observado tem sido de recuo na área plantada com milho na região Sul do país, levará vantagem, mais uma vez, o produtor de milho safrinha, com destaque para a região Centro-Oeste.

Enquanto alguns produtores se espelham no presente para a sua tomada de decisão de investimentos, outros seguem o caminho inverso do movimento em manada.

Tags:
Fonte:
Folha de São Paulo

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

2 comentários

  • Angelo Miquelão Filho Apucarana - PR

    As coisas estão mudando, o clima, os preços e principalmente a visão e o modo como o agricultor brasileiro recebe estas notiçias. Entender é preciso, desconfiar é regra! Assim como na politica e na economia, numeros e dados são prefeitamentes maquiados, levando muitas das vezes o leitor ao equivoco ou erro mesmo. A quem interessa é outro capitulo ainda a ser escrito!

    0
  • Gilberto Kiyoharu Nishioka Dourados - MS

    Seca na europa, necessidade da China importar milho , já sabiamos a algum tempo! Só não entendo o motivo do preço reagir somente após passar o forte da colheita!

    0