Governo permite oferta de 11 blocos de petróleo do pré-sal em rodada permanente
![]()
Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO (Reuters) - O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) autorizou que a reguladora ANP oferte 11 blocos do pré-sal, nas bacias de Campos e Santos, no sistema de oferta permanente por um bônus de assinatura somado de 1,3 bilhão de reais, informou o governo nesta quinta-feira.
Na oferta permanente, os blocos ficam à disposição dos investidores, mas até agora o sistema era utilizado para áreas com menor potencial, que não incluíam pré-sal.
Com a medida, o governo dá mais um passo para tentar acelerar o desenvolvimento do pré-sal, diante do avanço da transição energética global para uma economia com menos emissão de carbono.
Apesar de passarem a integrar a oferta permanente, os 11 blocos serão leiloados sob regime de partilha de produção, no qual os vencedores são aqueles que oferecerem o maior percentual do chamado óleo lucro para a União, além de pagarem um bônus de assinatura fixo.
Cinco dos 11 blocos já foram ofertados e não arrematados em rodadas tradicionais anteriormente, como Itaimbezinho, Norte de Brava, Bumerangue, Cruzeiro do Sul e Sudoeste de Sagitário.
Os demais seis blocos seriam ofertados em rodadas futuras: Ágata, Água Marinha e Esmeralda (na 7ª rodada) e Jade, Turmalina e Tupinambá (na 8ª rodada).
Para essas áreas, o CNPE definiu alíquotas mínimas de excedente em óleo para a União que variam de 4,88%, no caso de Tupinambá, a 22,71%, no caso de Norte Brava.
O CNPE reiterou que, conforme a legislação, a Petrobras deverá manifestar o seu direito de preferência, em até 30 dias, após a publicação da Resolução do CNPE.
O potencial de investimentos para todas as áreas, em caso de descobertas comerciais de petróleo ou gás natural e desenvolvimento da produção, é de 150 bilhões de reais, segundo o CNPE.
A iniciativa do governo permite avanços para acelerar a exploração do pré-sal, mas ainda não atende completamente a demandas da indústria.
Recentemente, o diretor-executivo de Exploração e Produção da Petrobras, Fernando Borges, disse em um evento online que o governo precisa mudar regras e permitir que áreas do polígono do pré-sal sejam ofertadas em regime de concessão, ou então não haveria interesse de investimentos para o desenvolvimento de novas áreas na região.
O regime de partilha de produção foi implementado para o pré-sal no passado a partir de uma lógica de que havia um mínimo risco exploratório e grandes volumes envolvidos. Mas, após os blocos com maior potencial terem sido leiloados, não existe mais essa expectativa para as áreas ainda não contratadas, na avaliação do executivo.
OUTRAS INCLUSÕES
O CNPE também autorizou que a ANP defina e licite, em oferta permanente, no regime de concessão, blocos em quaisquer bacias terrestres ou marítimas, exceto áreas do polígono do pré-sal ou em áreas estratégicas, salvo por determinação específica do conselho.
Segundo o CNPE, a agência também poderá licitar campos devolvidos ou em processo de devolução.
Esta medida, segundo o órgão, abarca os blocos localizados na plataforma continental brasileira, além das 200 milhas náuticas e os blocos que seriam ofertados na 18ª Rodada de Licitações, em 2022, transferindo-os para o sistema de Oferta Permanente.
0 comentário
Altas no diesel são injustificáveis, abusivas e colocam agronegócio brasileiro sob mais um alerta
Petróleo cai após previsão de Trump sobre fim da guerra no Oriente Médio
EUA consideram vender petróleo da reserva estratégica, diz secretário de Energia
Preços do petróleo saltam 7% com guerra do Irã e atingem máxima desde 2022
EUA avaliam flexibilizar sanções contra petróleo russo para amenizar aumento do preço global, dizem fontes
Caos no mercado de petróleo deve se agravar com a redução da produção por mais gigantes do Golfo