FMI pode reduzir projeção para crescimento da economia mundial e commodities recuam

Publicado em 07/07/2014 13:00 757 exibições

Nesta segunda-feira (7), quase todas as commodities, agrícolas e energéticas, operam com expressiva baixa nos mercados internacionais. Segundo economistas e analistas financeiros, esse movimento expressa a preocupação dos investidores com a sinalização do FMI (Fundo Monetário Internacional) de que o crescimento da economia mundial possa ser menor do que o esperado. 

Segundo o economista Roberto Troster, essas expectativas pelos números do FMI criam esse efeito "exagerado" sobre o mercado de commodities. "Um menor crescimento poderia significar um menor consumo de commodities, e menor demanda quer dizer preços menores", explica o economista. 

Ainda de acordo com Troster, os mercados, depois dessa reação exagerada, poderiam passar por uma "reversão à média", ou seja, voltar ao seus patamares anteriores, neutralizando o resultado das últimas quedas. 

Assim, os investidores deixam suas posições nas commodities e partem para investimentos mais seguros e que, nesse momento, dão melhores resultados, como ações e os chamados Treasures, que são os títulos do governo americano. Atualmente, o ganho em investimentos como esse dos Treasures são de 3,23%, com um ganho real de 1,23% se descontada a inflação norte-americana. "Esse ganho é menor do que títulos da dívida brasileira, por exemplo, mas é mais garantido", explicou o analista financeiro Miguel Daoud. 

Dessa forma, por volta de 12h40 (horário de Brasília), os contratos mais negociados da soja na Bolsa de Chicago perdiam mais de 20 pontos, o milho mais de 10 pontos e o trigo exibia um recuo de mais de 18 pontos nas principais posições. Em Nova York, algodão, açúcar e café também operavam no vermelho, com as perdas lideradas pelos futuros do arábica, que eram superiores a 500 pontos. Na Bolsa de Londres, o café robusta perdia mais de mil pontos. Ainda nos Estados Unidos, os futuros do ouro e do petróleo também recuavam perdendo quase 1%. 

Ao mesmo tempo, os índices das principais bolsas de valores mundiais também trabalhavam no vermelho nesta segunda-feira. O Ibovespa acompanha o cenário externo e recua mais de 1%, as baixas eram intensas também na Europa e nos Estados Unidos. 

No último domingo (6), a presidente do fundo, Christine Lagarde, afirmou, em uma conferência na França, que a instituição poderia revisar suas previsões para o desenvolvimento da economia global em função de fracos níveis de investimentos e da economia dos Estados Unidos, a maior do mundo, ainda continuar apresentando alguns riscos. 

Lagarde disse ainda que, apesar de estar ganhando velocidade, o crescimento da economia mundial não caminha como era previsto. No último relatório reportado pelo FMI, o World Economic Outlook, divulgado em abril, a expansão da economia global foi projetada em 3,6% para este ano e, para 2015, o número foi de 3,9%. 

De acordo com informações do Valor Econômico, a presidente do fundo afirmou que há um déficit de investimentos em todas as partes e acrescentou ainda que a sustentabilidade da dívida pública deve ditar as políticas públicas. "Se você não está numa situação de médio prazo que assegure a sustentabilidade, não pode assumir grandes investimentos em , disse. 

Estados Unidos

Nos últimos meses, os Estados Unidos exibiram dados positivos sobre sua economia, principalmente os que se referem a emprego, consumo e habitação. Esses números, portanto, favorecem a continuidade  do programa de corte de estímulos, do Federal Reserve (FED), e uma cautela maior na possibilidade de se antecipar a taxa de juros no país. 

Ainda segundo a presidente do FMI, a economia norte-americana deverá registrar uma expansão nos próximos meses, no entanto, acredita que o ritmo desse movimento será ditado pelas próximas ações do FED, além da possibilidade de um acordo entre os políticos para um acordo sobre o plano fiscal. 

Zona do Euro

A presidente do FMI está atenta também aos desdobramentos da economia na Zona do Euro. O Banco Central Europeu (BCE) vem tentando combater uma inflação que é menos da metade de sua meta, entretanto, afirma ainda que a recuperação europeia "não mostra a força que deveria mostrar". 

Segundo informações da Agência France Press, o BCE reduziu suas taxas de juros, no mês passado, e deixou, até mesmo, uma delas negativa pela primeira vez, como tentativa de impulsionar essa recuperação que parece estar estacionada até agora.  

"Apesar das boas intenções dos bancos centrais, as medidas para manter a demanda alcançaram um limite. Do nosso ponto de vista, é evidente que para fomentar a recuperação é preciso aumentar a massa monetária", afirmou Lagarde.

Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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