Para Mantega, decisão do Fed "não muda nada"; cenário mundial é de desaceleração

Publicado em 18/09/2014 13:48 e atualizado em 18/09/2014 19:07 167 exibições

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Por Nestor Rabelo

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, avaliou nesta quinta-feira que o fato de o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, ter reafirmado a promessa de manter as taxas de juros perto de zero por um período considerável "não muda nada".

"Nós estamos em um cenário de desaceleração da economia mundial. Europa, China e Japão não estão com resultados bons. Então eu acredito que continuaremos ainda tentando superar essa recessão, por isso ao meu ver não modifica a velocidade de ajuste da taxa de juros norte-americana", disse o ministro ao ser questionado sobre as implicações da decisão do Fed.

Na véspera, o Fed ainda divulgou projeções que sugerem que poderá elevar o custo dos empréstimos de forma mais acentuada do que se pensava há alguns meses.

Para Mantega, o ajuste da taxa de juros norte-americana pode acontecer no próximo ano, "sujeito a confirmação da recuperação da economia" do país.

Inadimplência atinge equilíbrio e tendência é de estabilidade, diz BC

Por Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - A taxa de inadimplência no mercado de crédito brasileiro atingiu nível de equilíbrio e a tendência é que o indicador tenha estabilidade, afirmou o Banco Central nesta quinta-feira.

"A inadimplência chegou em um nível baixo que entendermos ser o seu nível de equilíbrio", disse a jornalistas o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, durante apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira do primeiro semestre.

Meirelles considerou os efeitos das medidas macroprudenciais adotadas em 2010 e 2011 e ajustes e mudanças nos critérios de concessão pelos bancos.

A taxa de inadimplência no segmento de recursos livres era de 5,7 por cento em janeiro de 2013. A partir disso, o indicador foi decresceu e depois manteve-se praticamente estável no primeiro semestre deste ano.

No relatório, o BC apontou que o risco de liquidez de curto prazo do sistema teve pequena alta no primeiro semestre, mas ainda é baixo, e que o setor mostra "elevada resiliência".

Segundo o BC, o índice de liquidez do sistema bancário caiu a 1,51 entre janeiro e junho deste ano, ante 1,58 um ano antes.

O variação decorreu da alocação de recursos para crédito, principalmente em financiamentos habitacionais, levando à redução da participação dos ativos líquidos no balanço e alongamento dos prazos nas carteiras de crédito.

Segundo o relatório, simulações estresse, mostraram que o sistema tem capacidade adequada de suportar choques decorrentes de cenários macroeconômicos adversos, ou de mudanças abruptas nas taxas de juros, de câmbio ou de inadimplência.

Por outro lado, o BC manteve a perspectiva de crescimento mais moderado do crédito, com expansão esperada de 12 por cento neste ano, após alta de 14,7 por cento em 2013.

Para tentar evitar desaceleração maior, o BC anunciou medidas para aumentar a oferta de crédito, numa conjuntura de política monetária restritiva.

Sobre o efeito dessas medidas, anunciadas em julho e agosto, Meirelles disse que já se nota redução nas taxas de juros de algumas linhas. Ele considerou, por outro lado, que é preciso prazo maior para uma avaliação mais ampla.

"Na margem observamos alguma redução das taxas em algumas linhas, mas não me arriscaria fazer uma afirmação em sentido causal, precisamos de mais informações."

Para o BC, com a normalização da política monetária nos países desenvolvidos, haverá transição para custo de financiamento maior e liquidez menor para empresas não financeiras.

 

Fonte:
Reuters

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