Resposta de Aécio a Lula: "Não se pode perder a dignidade na política"

Publicado em 18/10/2014 16:13 e atualizado em 20/10/2014 21:13 787 exibições
Comicio em Porto Alegre teve discurso de Pedro Simon: "“Votar na presidente Dilma é uma interrogação cruel. Como ela vai governar se todos os nomes do seu partido estão envolvidos em corrupção?”, “O Aécio representa a última esperança de paz neste país”, disse.

'Não se pode perder a dignidade na política', diz Aécio sobre baixarias petistas

Candidato tucano voltou neste sábado a convidar a presidente Dilma para um debate de ideias e propostas. Enquanto isso, Lula descia o nível dos ataques

Marcela Mattos, de Porto Alegre
O candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, participa de ato de campanha na quadra da escola de samba Império da Zona Norte , em Porto Alegre, na manhã deste sábado (18)

O candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, participa de ato de campanha na quadra da escola de samba Império da Zona Norte , em Porto Alegre, na manhã deste sábado (18) ( Adriana Franciosi/Ag.RBS/Folhapress)

Alvo da campanha de baixarias petista, o candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves, voltou neste sábado a convidar a presidente Dilma Rousseff para um debate de ideias e propostas. Em visita a Porto Alegre, o tucano adotou discurso na contramão das apelações protagonizadas pelos adversários e clamou pelo fim do “ringue” na disputa ao Planalto. “Na política, ganhar ou perder as eleições faz parte do jogo. O que não se pode perder na política é a dignidade e a compostura”, afirmou.

Enquanto Aécio fazia o pronunciamento, um comício do diretório mineiro do PT em Belo Horizonte desfilava um repertório de ataques ainda piores do que os de que o próprio Lula foi alvo em 1989. Petistas reduziram ainda mais o nível da campanha e ofenderam o candidato tucano – foram pronunciados xingamentos como "coisa ruim", "cafajeste", "playboy mimado", "moleque" e "desprezível". Ao discursar, Lula insinuou que o adversário agride mulheres costumeiramente e o comparou a Collor. Em meio ao desfile de ofensas, chegou a afirmar que é Aécio quem “parte para cima”.

“Não adianta querer ganhar perdendo. O que os nossos adversários estão fazendo nessa campanha não os dignifica. Eu acho que essa postura já os faz derrotados antes sequer das urnas serem abertas”, afirmou Aécio. “As pessoas querem ouvir as soluções para a saúde, para a segurança pública e para fazermos um Brasil crescer, gerando melhores empregos. Mas eu vejo um governo à beira do desespero, uma candidata à beira de um ataque de nervos e, obviamente não tendo como apresentar ao Brasil uma proposta de futuro, prefere fazer uma campanha com os olhos no retrovisor”, disse. O candidato anunciou que vai ingressar com uma nova ação contra Dilma na Justiça Eleitoral - que tenta, ainda sem sucesso, conter o baixo nível da campanha.

Alianças  

Com a bandeira da unificação, Aécio participou de ato multipartidário em Porto Alegre ao lado de representantes de siglas como o PMDB, o PP e o PSB. O tucano defendeu a tese de que não é mais um candidato do PSDB, mas sim representante daqueles que querem um novo governo, e sinalizou que, se eleito, pode convidar nomes dessas legendas para a formação de um “núcleo de governo”. “A minha proposta para o Brasil é absolutamente convergente com aquilo que Marina Silva propôs: no que depender de mim, a base do núcleo do futuro governo está aqui representada, com PSB, PP, PSDB e esse lado tão bom que o PMDB tem representado pelo Rio Grande do Sul.

Diferentemente da aliança nacional, o PMDB gaúcho é oposição a presidente Dilma Rousseff: começou as eleições apoiando Eduardo Campos e Marina Silva, candidatos pelo PSB, e no segundo turno se aliou a Aécio Neves. Na disputa local, o favorito para vencer as eleições contra Tarso Genro (PT) é o peemedebista Ivo Sartori, que tem espalhado pelas ruas fotos ao lado do tucano.  “Aqui nós temos um conjunto de forças políticas para dizer que basta de tanto desgoverno e que vamos fazer uma grande parceria para uma gestão da generosidade, da união nacional, do fortalecimento da nossa economia e da geração de empregos”, afirmou Aécio.

Durante ato que lotou o ginásio da Escola de Samba Império da Zona Norte, uma das mais tradicionais do Estado, Aécio foi ungido por diversos parlamentares gaúchos – e ganhou de presente um chimarrão, o qual prontamente tomou no palco.

Primeiro a falar, o vice de Marina Silva, Beto Albuquerque (PSB), afirmou que o Brasil não quer mais ser representado por nomes como Fernando Collor (PTB-AL), José Sarney (PMDB-AP) e Jader Barbalho (PMDB-PA) – todos aliados a presidente Dilma – e pediu votos a Aécio. “Eu e Marina fomos ofendidos, vilipendiados por essa turma que não tem mais argumentos para explicar a corrupção no Brasil. Hoje o Aécio não é mais o candidato de um partido ou de uma aliança. É candidato da maioria que quer mudar”, afirmou.

Um dos maiores ícones do PMDB, Pedro Simon também discursou: “Votar na presidente Dilma é uma interrogação cruel. Como ela vai governar se todos os nomes do seu partido estão envolvidos em corrupção?”, questionou. “O Aécio representa a última esperança de paz neste país”, disse. 

O discurso do ódio vem do lado petista. Ou: Chega de equivalência moral entre o que é essencialmente distinto!

A campanha eleitoral baixou completamente o nível. Pesquisas mostram que o eleitor não aprecia a postura muito agressiva, mas candidatos afirmam que devem manter o tom. A imprensa em geral, em nome sempre da suposta isenção que, na prática, acaba sendo um “neutralismo” injusto, trata do assunto como se fossem equivalentes os dois lados da disputa. Não são.

Não existe postura mais fácil – e também covarde e injusta – do que essa suposta neutralidade forçada. É como um pai que chega em casa, descobre que um dos filhos fez uma enorme besteira, e sem querer averiguar melhor qual foi o culpado, simplesmente coloca os dois de castigo. Conquista aplausos fáceis quem finge estar “acima” dessa briga suja, como um “pacifista” que condena “os dois lados”. Mas e quando um lado é o culpado?

O mesmo tipo de postura leva muita gente a adotar conclusões injustas no Oriente Médio, por exemplo. Condenam tanto Israel como os terroristas islâmicos, como se houvesse equivalência moral entre ambos! Um tenta proteger suas crianças e minimizar as perdas inocentes do outro lado, enquanto o outro usa as próprias crianças como escudo e tenta deliberadamente fazer vítimas civis do lado de lá. Na Guerra Fria, a mesma coisa: o neutro criticava tanto os Estados Unidos como a União Soviética. Ou seja, na prática, era indiferente entre os defensores da liberdade e os tiranos.

Claro que reconhecer a atitude completamente errada de um dos lados não é o mesmo que endossar uma ideia de perfeição do outro. E é esse detalhe que faz com que tanta gente prefira o confortável e injusto grupo dos “neutros”. Quem enxerga o discurso de ódio do PT, por exemplo, quem sabe que o partido sempre usou a tática de descer o nível, não precisa, por isso, achar que o PSDB é santo. Basta ter um mínimo de critério de ponderação e comparação objetiva.

O esquerdista Arnaldo Bloch, em sua coluna de hoje, comete exatamente tal injustiça. Trata os dois lados como igualmente raivosos, o que é absurdo. Mas é uma tática que a esquerda vem usando há anos. Comparam o “pitbull” Reinaldo Azevedo com os radicais de esquerda, como um Guilherme Boulos do MTST, por exemplo, ignorando que um é cidadão ordeiro, cumpridor das leis e defensor da democracia, enquanto o outro é violento, agressivo e até criminoso, ao invadir propriedade alheia. Mas acusar os dois lados de “radicais” encerra a questão para muitos. Só que de forma injusta.

Ninguém tem nada parecido para mostrar do lado tucano a essa fala de José Dirceu, por exemplo, um dos que mais incita o ódio e que ainda é defendido pelo PT:

Quando vemos esse tipo de discurso partindo das lideranças petistas, podemos entender melhor o caso dessa professora comunista destemperada, com um adesivo de Dilma, que peço até desculpas aos leitores por divulgar, tamanha a baixaria:

Alguém quer mesmo dizer que isso é comparável a qualquer “radicalismo” do lado tucano? Fizeram uma celeuma porque o Gregorio Duvivier foi “quase agredido” num restaurante chique do Leblon. O caso foi parar na coluna de fofocas de Ancelmo Gois, e de forma bem deturpada. Blogs sujos chegaram a me acusar pelo episódio, pois a expressão “esquerda caviar” foi usada pelo “quase agressor”.

Conhecidos meus presentes no local disseram que não foi nada do jeito que relataram. Ninguém ameaçou diretamente o humorista. Comentaram com terceiros que hipócritas socialistas mereciam umas porradas, e só. Mas o caso foi pretexto para a “indignação” simulada dos blogs petistas. Algum deles pretende se manifestar sobre essa doida do PCB que defende Dilma e agride tucanos?

Um peso, duas medidas. O duplo padrão moral do PT, que conhecemos tão bem. Não vamos cair nessa de “condenar o radicalismo de ambos os lados”, pois há um lado verdadeiramente radical, disposto a tudo para se perpetuar no poder, e esse lado é o petista. O outro está cansado, indignado, disposto a lutar, mas dentro das regras. O ódio vem de lá. A baixaria também. E as pessoas decentes estão saturadas dessa covardia de quem trata com equivalência moral o que é essencialmente distinto.

PS: Se o povo brasileiro tiver juízo e Aécio Neves ganhar, o tucano terá de ser magnânimo e governar para o Brasil como um todo, sem rancores, sem ressentimento, sem ódio. Tenho convicção de que assim o fará, pois não é digno da vitória quem se vinga, como dizia Voltaire. Só não devemos tolerar os intolerantes, claro. Agora, se Dilma vencer, sabemos que a segregação vai continuar, que a incitação ao ódio e à luta de classes também, e que haverá tentativa de retaliação a todos aqueles que ousaram ir contra o partido autoritário. Eis o abismo moral intransponível que separa ambos os lados.

Rodrigo Constantino

Fonte:
veja.com

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