Guilhon e Jomard, por Jose Nêumanne Pinto

Publicado em 20/11/2014 14:33 139 exibições
Lula aparece prometendo “decência” numa bela camiseta que ele ainda possui, mas não usa mais (Jomard), e "Dilma raciocina para a propaganda, para o marketing", prof. Guilhon

Isabel e José Nêumanne Pinto estavam no público que gargalhou a bandeiras despregadas na exibição do curta-metragem em Super8 O palhaço degolado, de Jomard Muniz de Britto, na noite da terça-feira 18 de novembro de 2014 na Casa das Rosas, em São Paulo. A exibição foi feita no evento Uma noite com Jomard, que fez parte da programação Balada Literária, com organização a cargo de Frederico Barbosa, Marcelino Freire e Claudinei Ferreira.

Jomard escreveu 18 (referência à data) de seus “atentados poéticos” no verso de fotografias e os distribuiu a alguns dos presentes, entre os quais o artista plástico paraibano Sérgio Lucena e o cantor e performer pernambucano Edir Lima, o Edy Star.

“Não existe humor inteligente. Isso é um pleonasmo. Para ser humor tem de ser inteligente”, comentou a historiadora Isabel de Castro Pinto, encantada com o desempenho do poeta, crítico, professor universitário e cineasta pernambucano, que recusa o rótulo de agitador cultural. “Sou mesmo é um agitado cultural”, disparou Jomard, que se queixou dos organizadores por ter a agência de viagens amputado o Britto de seu nome. “Virei um Muniz qualquer”, disse.

Certa vez, quando foi apresentado ao jovem e talentoso poeta paraibano Astier Basílio pelo grande poeta de Jaboatão dos Guararapes Alberto da Cunha Mello, Jomard ouviu do amigo: “Este aqui é o Rimbaud campinense”. E rebateu, incontinenti: “Não diga, meu rapaz. E quem é seu Verlaine?” Astier corou e comentou que não há em sua vida parceiro nenhum que lhe tenha dado um tiro por ciúmes.

Mas este causo não foi contado na noite e outros vieram à tona. Depois de falar de seu trabalho com o educador Paulo Freire, atuação que lhe custou o emprego de professor tanto na Universidade Federal de Pernambuco quanto na Universidade Federal da Paraíba, Jomard contou que “marinou” nas eleições. Pois não acredita que o Lula que aparece prometendo “decência” numa bela camiseta que ele ainda possui, mas não usa mais, não soubesse da roubalheira toda na Petrobrás. Nem Dilma.

Perguntado sobre sua amizade com Caetano Veloso, Jomard aproveitou para discorrer sobre as armadilhas da memória. Ele se lembra que estava em casa ainda dormindo, às 11 horas, quando foi despertado pelo crítico de cinema Celso Marconi, do Jornal do Commercio, para acompanhá-lo numa entrevista com Caetano Veloso. Assim ficou conhecendo o baiano tropicalista. Mas contou que recentemente leu um texto do crítico em que Marconi registrou que foi apresentado ao autor de Tropicália por Jomard, que “já era muito amigo dele”.

O tema da memória flexível foi também abordado por José Nêumanne, que se lembra  de ter conhecido na pré-adolescência Ariano Suassuna, o inimigo número um de JMB, às portas do Teatro Popular do Nordeste (TPN) na temporada do espetáculo Memória de Dois Cantadores, com Edir e Teca. Mas ele ficou em dúvida a respeito até que, ao ler memorial em que ele narrou o fato, a grande romancista recifense Maria Cristina Cavalcanti de Albuquerque, autora de Luz do abismo, recordou que estava naquela noite em outra fila. Ela era menor, mas entrou acompanhada do irmão mais velho, Roberto, e do amigo dele, Jomard.

- De fato, me sinto psicanalizado por Maria Cristina desde aquele tempo, quando ela ainda era adolescente – contou JMB.

O incrível é que Edir, ou melhor Edy Star, que hoje mora a alguns quarteirões da Casa das Rosas, na Avenida Paulista, estava na platéia e lembrou os parceiros de palco: Geraldinho Azevedo, Marcelo Melo (depois Quinteto Violado, Naná Vasconcelos e um flautista.

- Aquele show foi o máximo, disse Edy, que brilhou seis anos nos palcos das boates da Praça Mauá, no Rio, fez enorme sucesso com o grupo Dzi Croquettes, liderado por Lennie Dale, e morou 20 anos na Espanha.

- Sim, um dos melhores que vi em meus 63 anos de vida – concordou Nêumanne, a quem Edy Star contou que Teca Calazans, casada com um produtor francês, mora em Paris.

Mas isto não é mais assunto para aquela noite inesquecível com Jomard.

Aqui está a cobertura com foto no Estação Nêumanne: http://neumanne.com/novosite/categoria/blog/

 

Nêumanne entrevista José Guilhon de Albuquerque, Pesq. De Relações Int / Unicamp:

Vale a pena passar os próximos seis minutos em companhia do professor José Augusto Guilhon de Albuquerque, que entrevistei para o Jornal da Gazeta desta quarta-feira 19 de novembro de 2014. Comprove que eu tenho razão.

https://www.youtube.com/watch?v=xhKUHdITTfg

 

Combate à corrupção não é obra de Dilma

por JOSÉ NÊUMANNE - O ESTADO DE S.PAULO

Acredite quem quiser: a presidente reeleita, Dilma Rousseff, tentou, na reunião do G-20 na Austrália, da forma canhestra que lhe é habitual, tirar proveito da notícia da prisão de empreiteiros na sétima etapa da Operação Lava Jato. Como se esta fosse uma obra de sua administração, a exemplo do PAC, do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida. Em sua peculiar versão sobre os fatos da atualidade, teve o desplante de exaltar como mérito do próprio governo o fato de agora se investigar a corrupção "pela primeira vez na História do Brasil".

Como diria Jack, o Estripador, vamos por partes. Primeiramente, a roubalheira na Petrobrás é, sim, e disso ninguém tem mais como discordar, o maior escândalo de corrupção da História do Estado brasileiro, desde que o português Tomé de Souza desembarcou na Bahia para ser nosso primeiro governador-geral. Nada se lhe compara em grandeza de valores, vileza de ações e resultados funestos para uma empresa criada para tornar concreto o lema da esquerda nos anos 50 do século passado - "o petróleo é nosso". O petróleo, descobriu-se agora, não é nosso, é deles: do PT, dos partidos da base, de desavergonhados funcionários de carreira da petroleira e de doleiros delinquentes.

Ainda não apareceram indícios na investigação de que Dilma e seu antecessor na Presidência, Lula da Silva, tivessem tirado algum proveito financeiro do butim. Mas não há mais dúvidas de que ambos estavam a par de tudo. Sabe-se disso não apenas por ter o doleiro Alberto Youssef, um meliante de terceira categoria do Norte do Paraná, contado em delação premiada a agentes federais e promotores. Há provas documentais e históricas, como acaba de revelar o Estado: em 2009, o Tribunal de Contas da União (TCU), no exercício de sua assessoria ao Legislativo, avisou o Congresso que não permitisse o repasse de R$ 13,1 bilhões à Petrobrás porque seus fiscais haviam auditado irregularidades em obras da estatal. O Congresso proibiu, Lula vetou a decisão e mandou dar dinheiro às obras suspeitas.

Mas o então presidente não se limitou a vetar os dispositivos orçamentários e liberar as verbas glosadas pelo TCU: também abusou da jactância de hábito ao fazer troça da mania que o órgão teria de "querer mandar em tudo". Se José Sérgio Gabrielli, então presidente da maior empresa brasileira e seu homem de confiança, não lhe contou, o TCU, no mínimo, avisou. Não se pode dizer que Gabrielli seja confiável aos olhos de Dilma, mas, além de ter sido ministra das Minas e Energia, ou seja, responsável pela atuação da estatal e presidente de seu Conselho de Administração, ela, como chefe da Casa Civil, não podia desconhecer o alerta do TCU nem o desafio em forma de veto do chefão e padrinho.

É fato que a oposição não se pode jactar de ter sido a responsável pela revelação do escândalo do petrolão nem dos casos que o antecederam: o mensalão e a execução do prefeito de Santo André e então coordenador de programa de governo da campanha de Lula à Presidência em 2002, Celso Daniel. A descoberta de documento de um "empréstimo" de R$ 6 milhões do operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes, a um dos protagonistas do escândalo de Santo André, Ronan Maria Pinto, pela Polícia Federal (PF) nos papéis apreendidos em mãos de Meire Poza, contadora de Youssef, desvendou a conexão entre os três casos. Valério disse há dois anos que deu essa quantia ao empresário de ônibus para sustar chantagem dele contra Lula. O papel é uma evidência de que o mensalão não serviu apenas para comprar apoio de pequenos partidos no Congresso ao governo, mas também para afastar suspeitas de envolvimento da cúpula da gestão federal e do PT não na execução de Celso Daniel, mas no acobertamento dos verdadeiros assassinos, protegidos pela versão da polícia paulista, sob égide tucana (sem aval do Ministério Público), de que o crime teria sido ocasional.

Nestes 13 anos, nos governos Alckmin, Lembo, Serra e Goldman, a oposição não se aproveitou do fato de comandar a polícia estadual paulista para produzir sequer uma investigação decente que convencesse a família de que a morte de Daniel teria sido casual. Como é de conhecimento geral, tucanos e democratas também nada tiveram que ver com a delação do petebista Roberto Jefferson sobre o mensalão, escândalo do qual foi protagonista José Janene, um dos autores intelectuais da roubalheira na Petrobrás, que teria resultado na lavagem de R$ 10 bilhões.

 

A Operação Lava Jato é um trabalho que a Nação não deve a nenhum "sinal verde" de Dilma ou de Lula nem à denúncia de tucano algum. Mas, sim, às divisões internas da Polícia Federal, ao poder autônomo do Ministério Público Federal, à competência técnica e ao tirocínio corajoso e probo do juiz federal paranaense Sérgio Moro. O sucesso das investigações também se deve à delação premiada, à qual o "Paulinho" de Lula e "Beto" Youssef recorreram para não padecerem o que hoje padece Marcos Valério por ter achado que seus poderosos parceiros não o abandonariam. Não houve ordem "republicana" para investigar, processar e prender todos os culpados, "doa a quem doer". Nem denúncias de uma oposição indolente e nada vigilante.

Dilma também anunciou em Brisbane que a Lava Jato pôs fim à impunidade. Bem, aí depende! A impunidade no Brasil já teve um grande baque com as condenações do mensalão. Graças ao relatório de implacável lógica de Joaquim Barbosa, políticos tiveram a inédita sensação de eleitores serem iguais a eleitos perante a lei. As diferenças na execução penal, contudo, mostram que essa igualdade continua relativa: a banqueira, os advogados e o publicitário continuam na cadeia e os insignes companheiros que tinham mandato ou ministério estão "presos" em casa.

A prisão dos empreiteiros mostra que a delação premiada é mesmo pra valer. Mas os políticos eventualmente delatados ainda continuam soltos.

*José Nêumanne é jornalista, poeta e escritor

 

 

 

 

Fonte:
NA + TV Gazeta + Estadão

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

1 comentário

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, neste movimento helicoidal sem fim, pois foi demonstrado que o movimento circular é só mais uma miragem das realidades humanas. A teoria do BIG BANG está comprovada cientificamente: O Universo se expande, desde a sua origem, há 13,7 bilhões de anos.

    A hipocrisia deve ser considerada uma virtude? Tal pergunta, prende-se ao fato, dos inúmeros artigos referentes ao ex-ministro da justiça, Marcio Tomaz Bastos, falecido recentemente.

    Todos os artigos colocam em evidência suas virtudes, inclusive citam que :

    “Foi graças à amplitude de suas relações que o PT conseguiu abrir diálogo com a oposição no auge do escândalo do “mensalão”, possibilitando ao governo por em prática o plano da volta por cima num momento em que o cenário indicava a possibilidade de renúncia do então presidente Lula à candidatura à reeleição”.

    No “mensalão”, Márcio ganhou num primeiro momento ao conseguir arrefecer a crise política com o argumento do crime eleitoral.

    Diante dos fatos, passados e recentes (Lava Jato), um advogado conhecedor das leis, ministro de justiça, poderia ter optado por esta “estratégia de defesa”, a uma quadrilha instalada no poder.

    QUAIS SERÃO OS MALES QUE AINDA VIRÃO À TONA ?

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

    0