Em VEJA: IPI de carros terá aumento em janeiro de 2015

Publicado em 20/11/2014 14:53 e atualizado em 21/11/2014 04:45 1669 exibições
Informação é do ministro da Fazenda, Guido Mantega, em conversa com o presidente da Anfavea, Luiz Moan, após encontro em Brasília

O governo está decidido a recompor integralmente a alíquota do IPI para automóveis a partir de 2015, segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículo Automotores (Anfavea), Luiz Moan. Ele se reuniu com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que, segundo Moan, reafirmou a decisão do governo Dilma Rousseff (PT) de voltar a alíquota, como já estava previsto. Mesmo com a alta do imposto, a Anfavea prevê que a venda de automóveis será maior em 2015 do que em 2014 - mas ainda não tem um número projetado, de acordo com o presidente.

Em 1º de janeiro, a alíquota para os carros populares subirá de 3% para 7%, enquanto o tributo para os carros médios subirá de 9% para 11% (no caso dos motores flex) e para 13% (a gasolina). "Eu toquei no assunto, mas a posição é de que há decisão do governo pela implementação da alíquota cheia do IPI em janeiro", disse, acrescentando que não pediu explicações sobre os motivos. A decisão sobre repassar a alta do imposto integralmente para o preço final será de cada empresa, segundo Moan.

"Vamos continuar trabalhando na produção, nas promoções de venda e vamos continuar aqui. Estamos no Brasil há mais de 90 anos e vamos continuar nos próximos 90", disse Moan. Ele negou que o setor tenha planos de promover demissões. "A indústria tem seus trabalhadores em nível muito qualificado. A indústria sempre evitou fazer redução do pessoal pelo investimento que foi feito, então vamos lutar o máximo possível para continuar produzindo."

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PSI - Na reunião desta quinta-feira, o principal pedido do setor para o ministro Guido Mantega foi, segundo Moan, para que as taxas do Programa de Sustentação do Investimento (PSI) para o próximo ano sejam divulgadas o mais rápido possível. "Hoje falamos muito mais de máquinas agrícolas, caminhões e ônibus. A posição do ministro é que ele vai estudar e levar em consideração", disse. Hoje, as taxas do PSI são de 6% para caminhões e ônibus e de 4,5% para máquinas agrícolas.

Crise - Num momento em que o setor automotivo está entre os que mais sofrem com a fragilidade da economia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mudou sua agenda para receber Moan. A despeito da retomada das vendas do setor automotivo em novembro, o ano deve fechar com queda de 5% a 6% em relação a 2013, segundo estimativa da Anfavea. Até sexta-feira, as vendas acumuladas estavam 8,5% inferiores ao dado registrado em igual período de 2013.

As montadoras reclamam da dificuldade dos consumidores em obter linhas de crédito para adquirir bens duráveis, como os do segmento automotivo, que estão cada vez mais apertadas. Nesse sentido, as vendas acabam sendo afetadas. 

(Com Estadão Conteúdo)

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Receita calcula que, no total, governo terá deixado de arrecadar R$ 11,5 bi com desoneração, iniciada em 2012

2014 foi ruim para o setor, que prevê terminá-lo com queda de 10% na produção e de 5,4% nas vendas

SOFIA FERNANDESDE BRASÍLIA

Sem espaço no orçamento para mais desonerações de tributos, o governo decidiu não prorrogar a alíquota reduzida de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre carros. O imposto fica maior a partir de 1º de janeiro de 2015.

O presidente da Anfavea (associação que representa as montadoras), Luiz Moan, esteve nesta quinta-feira (20) com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, de quem ouviu a decisão.

Para carros populares, a alíquota do imposto subirá de 3% para 7%, que é o valor original do IPI. Para os demais carros (acima de 1.0), a alíquota subirá de 9% para 11%, no caso dos carros flex, e de 10% para 13% para os modelos movidos a gasolina.

Segundo Moan, é decisão de cada empresa repassar ou não a recomposição do imposto para o preço final.

O governo vinha indicando que não iria prorrogar mais uma vez o benefício, lançado pelo governo Dilma em maio de 2012 e esticado várias vezes.

Até o fim de 2014, pelos cálculos da Receita Federal, o governo terá deixado de arrecadar R$ 11,5 bilhões com a desoneração.

Aquele 2012 foi ano recorde em vendas, com 3,8 milhões de unidades comercializadas, impulsionadas pela desoneração de impostos.

O cenário agora é mais adverso: a projeção feita pela Anfavea é de o setor terminar o ano com queda de 10% na produção, 5,4% nas vendas e 29% nas exportações, em comparação com 2013.

Questionado sobre os impactos da decisão --se haverá demissões, por exemplo-- Moan afirmou que o setor vai fazer o possível para aumentar a produção e as vendas.

"A indústria automobilística tem seus trabalhadores num nível muito qualificado, o que significa investimento em treinamento muito forte, e a indústria sempre evitou fazer uma redução do pessoal em razão desse investimento que foi feito. Vamos lutar o máximo possível para continuar produzindo e, principalmente, vendendo."

SEMESTRE MELHOR

Depois de um primeiro semestre ruim para o setor, com estoques cheios, demissões, programas de férias coletivas e afastamentos temporários de funcionários, o setor automotivo tem tido um segundo semestre mais favorável para as vendas e a produção.

Segundo Moan, as vendas de julho a outubro cresceram 5,7% em relação à média do primeiro semestre. A produção no período cresceu 6,2%, e as exportações, 2,4%.

O setor já esperava pela suspensão do incentivo fiscal e ainda aposta em um 2015 mais promissor.

Os feriados da Copa do Mundo e um ambiente de pouca confiança do consumidor foram alguns dos fatores que afastaram os clientes das concessionárias em 2014.

O setor trabalha uma estratégia mais agressiva de varejo, com cortes de juros e aposta nas cidades menores do país, as maiores responsáveis pelo crescimento de vendas.

Conta ainda com os incentivos do governo para tomada de empréstimo para compra de carros. Segundo Moan, o crédito para compra de carros subiu 10% em outubro ante setembro.

 

Fonte:
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