Na FOLHA: Presidente do Bradesco recusa convite de Dilma para a Fazenda

Publicado em 21/11/2014 04:35 999 exibições
Trabuco disse que não podia aceitar o cargo devido a compromissos com comando do banco. Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini são nomes cotados para formar equipe econômica.

Convidado oficialmente, o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, recusou o convite da presidente Dilma Rousseff para assumir o comando do Ministério da Fazenda no lugar do atual ministro Guido Mantega.

Trabuco esteve com Dilma na quarta-feira (19), quando agradeceu o convite, mas disse que não tinha condições de aceitar por causa de compromissos assumidos com o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão.

Dilma e Brandão reuniram-se um dia antes, na terça-feira (18), quando a presidente tentou convencer o comandante do Bradesco a liberar seu funcionário. No encontro, ele relatou à presidente que considerava difícil a liberação porque Trabuco deve ser seu substituto.

Durante a campanha, Dilma criticou a proximidade de seus adversários com gente ligada a bancos. Aécio Neves havia escolhido Armínio Fraga, do fundo Gávea, para a Fazenda, e Marina Silva tinha como assessora Neca Setúbal, acionista do banco Itaú.

Diante da recusa de Trabuco, Dilma passou a avaliar três nomes para formar sua equipe econômica: Joaquim Levy (ex-secretário do Tesouro no governo Lula), Nelson Barbosa (ex-secretário-executivo da Fazenda) e Alexandre Tombini, atual presidente do Banco Central.

Dilma esteve reunida nesta quinta (20) com Barbosa, em São Paulo, após o velório do ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos.

Segundo a Folha apurou, a divulgação dos nomes pode ocorrer entre esta sexta-feira (21) e a segunda (24).

Segundo um assessor presidencial, há uma possibilidade de os três fazerem parte da equipe econômica.

Levy seria o nome mais identificado com medidas na área fiscal. Barbosa ocuparia o papel de formulador de medidas econômicas. Tombini seguiria no BC com a missão de levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%.

O trio, classificado como técnicos qualificados e testados em funções executivas, compensaria a ausência de um nome de impacto.

Atualmente à frente de um dos braços do Bradesco, Levy seria uma sugestão do banco. Assessores palacianos dizem que Levy seria um bom nome para, mas enxergam dificuldades na escolha porque, no passado, ele teve desentendimentos com Dilma.

Nelson Barbosa, um dos nomes sugeridos pelo ex-presidente Lula para o comando da Fazenda, pode ser nomeado para o Planejamento.

 

Em VEJA: Então Dilma quer tirar a comida dos pobres? (por Rodrigo Costantino)

Caro leitor, antes de mais nada, e como a memória do brasileiro é curta, veja esse rápido vídeo, parte da campanha de Dilma à reeleição, elaborado pelo marqueteiro João Santana com o aval da presidente:

Viu? Então ficou claro que, para Dilma e o PT, colocar um banqueiro no comando da economia significa exatamente isso: subtrair comida da mesa dos pobres. Subir juros, afinal, é coisa de gente insensível que não liga para o sofrimento das classes mais baixas, certo?

O que o governo Dilma fez três dias após a decisão do pleito que lhe concedeu mais quatro anos de “governo”? Isso mesmo: subiu a taxa de juros. Depois subiu a gasolina também. E a luz elétrica. Será que algum tucano assumiu o governo e não ficamos sabendo?

Mas o pior ainda estava por vir: Dilma convidou para o ministério da Fazenda, após reunião com o banqueiro Lázaro Brandão, dono do Bradesco, seu atual presidente, Luiz Trabuco. Isso mesmo: Dilma queria, persuadida por Lula, passar o controle das decisões econômicas para um… banqueiro!

Pergunta para os eleitores de Dilma, especialmente aqueles da elite: por que a presidente quer tirar a comida da mesa dos mais pobres? Afinal, é isso que seu ato significa segundo sua própria campanha. Não se importam de ter votado em alguém tão insensível assim, que chama para o comando da economia um representante da elite branca e do capital financeiro?

E por favor, não venham dizer que Trabuco é “bancário”, e não banqueiro, como já vi petista ensaiando por aí. Para tudo – até para a cara de pau dos petistas – deve haver um limite! Seria como dizer que Fábio Barbosa, que já presidiu o Banco Santander e hoje preside a Abril, é “jornaleiro”, e não o executivo-chefe do conglomerado da família Civita.

A que ponto chega a cara de pau do PT? Os investidores ficaram animados com os rumores de ontem apontando nessa direção, e a bolsa subiu. Para a economia seria sem dúvida positivo Dilma trair seu eleitor. Mas o estelionato eleitoral – e é disso que se trata – é péssimo para a nossa democracia. A mensagem que fica é que vale tudo na campanha, as mais sórdidas mentiras, deseducando o povo leigo e explorando sua ignorância só pelo poder.

Dito isso, Dilma já se queimou com o convite, rasgando seu discurso de campanha, mas em vão: Trabuco não teria aceitado substituir Guido Mantega. Como lembra Lauro Jardim, isso demonstra amadorismo do Planalto, e coloca em situação mais frágil o próximo convidado – provavelmente Alexandre Tombini mesmo, escolha mais palatável para Dilma.

Uma trapalhada a mais sem tamanho. Assim é o “governo” Dilma, mais perdido do que cego em tiroteio. Ao menos os pobres podem dormir tranquilos: não faltará comida em suas mesas. Ou faltará?

Rodrigo Constantino

 

ANALISE DE VINICIUS TORRES FREIRE, DA FOLHA DE S. PAULO:

A dança das cadeiras de fofocas

Governo se atrapalha com nomeação de ministro da Fazenda; Dilma se fecha, irritada

O BALÃO COM o nome de Joaquim Levy como novo ministro da Fazenda subia acima dos telhados desde quarta-feira. Levy foi secretário do Tesouro quando a Fazenda esteve sob Antonio Palocci, entre 2003 e 2006. Ora dirige a Bradesco Asset Management, uma empresa do Bradesco que administra recursos de terceiros, R$ 304 bilhões deles.

No entanto, balão de Levy poderia ter subido no telhado quando estas palavras eram escritas. Gente do entorno da presidente diz que Dilma Rousseff tem andado ainda mais fechada do que de costume, entre irritada e acuada pela maçaroca que está o país nesta transição do governo dela para o dela mesma, que tem de ser meio outra.

Levy como ministro da Fazenda é um boato mais fresco, de uma semana. Mas o balão de Nelson Barbosa ainda está no ar, pairando entre a Fazenda e o Planejamento. Alexandre Tombini, presidente do Banco Central, continuava como coringa, podendo se encaixar na Fazenda ou ficar no BC.

É até possível, porém, embora improvável, que apareça um J. Pinto Fernandes, que não tinha entrado na história mas se casou com Lili, que não amava ninguém, como no poema "Quadrilha", de Carlos Drummond de Andrade.

Ainda divertido, quando Levy saiu do Tesouro, correu o boato de que Tombini deixaria uma diretoria do BC para substituí-lo. Luiz Trabuco, presidente do Bradesco, que ontem teria recusado o cargo de ministro da Fazenda, "era cotado" para assumir o Banco Central em 2010, no início do governo Dilma 1. O cargo ficou com Tombini.

Enfim, para encerrar a descrição de trapalhadas rumorosas, causa consternação constrangida que a presidente tenha se passado ao papelão de fazer um convite quase-muito-público para o segundo cargo mais importante de seu governo apenas para vê-lo recusado e vazado pelos canos da mídia, passo a passo, se é que a novela de Trabuco foi descrita de modo preciso.

Além do vexame e de mais um tropeço amadorístico, o episódio de certo modo queima o filme do ministro que vier de fato a ser nomeado, que estreará desenxabido no cargo, como segunda opção que foi.

Mais relevante dessa história toda, por enquanto, é a dificuldade de encontrar um ministro com o perfil adequado. Nem pode ser alguém que passe a mensagem de rendição incondicional da presidente aos críticos de sua política econômica, nem alguém que continue a guerra, a atirar nos credores ("mercados") e de parte da elite econômica.

Ressalte-se o "parte" da elite econômica, pois muito empresário gostaria apenas de uns ajustes básicos na política econômica, pois gosta do bem bom dos subsídios ainda mais gordos dos anos de Dilma Rousseff, sendo de certo modo, digamos, tão heterodoxos quanto muito economista de esquerda.

Em suma, apesar de haver muitos quadros bons para assumir a Fazenda, a intersecção do conjunto dos ministeriáveis "não muito anti-Dilma" com o conjunto dos "não muito contra os mercados" não chega a ser um conjunto vazio, mas chega perto. Sobra pouca gente. Segundo a especulação de ontem, a tendência ainda era de uma nomeação que vai ficar com cara de capitulação da presidente diante das críticas e da realidade dura.

Em VEJA: O “não” de Trabuco a Dilma é só mais uma evidência da falta de jeito do governo (por Reinaldo Azevedo)

A capacidade que tem a presidente Dilma Rousseff de errar, especialmente quando se esforça para acertar, chega a ser comovente. É a sua falta de jeito. E também está muito mal cercada. Eu sou do tempo em que presidentes recusavam pessoas que se candidatavam a ministérios, mas o contrário jamais acontecia. E a razão era simples: antes que um convite fosse tornado público, fazia-se uma sondagem para saber se o indicado aceitava a empreitada; se não, então o chefe do Executivo não pagava o mico. Mas eis o governo Dilma.

Luiz Carlos Trabuco, presidente executivo do Bradesco, rejeitou o convite para assumir o Ministério da Fazenda. Não está se fazendo de rogado, não. Ele nunca disse que queria o cargo. As especulações surgiram primeiro nos círculos palacianos. Ainda que fosse um desejo pessoal seu, e não consta que fosse, o que mais se ouvia nos bastidores é que “Doutor Brandão não vai deixar”. “Doutor Brandão” é Lázaro Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco e comandante inconteste do potentado.

Dilma conversou com os dois, que lhe devem ter dito que Trabuco está destinado a ser o sucessor de Brandão. Sabem como é… O governo Dilma passa, o Bradesco fica. Os governos petistas passam — os sensatos torcem por isso —, e o banco fica. A menos que Trabuco estivesse tocado pela chama militante, a troca parecia improvável. “Ah, mas e pelo bem do Brasil?” Fiquem certos: ele colabora mais com o Brasil no comando do… Bradesco. De resto, seria trocar uma posição em que é especialista por outra em que seria amador: um formulador de política econômica. Por mais capaz que ele seja em sua área, governo é outra coisa.

É evidente que Dilma não precisava dessa recusa em seu currículo, não num momento como este, evidenciando a dificuldade para formar uma equipe econômica. Para tanto, bastaria que tivesse um ministro da Casa Civil que fizesse as devidas consultas prévias. Ocorre que seu articulador político é Aloizio Mercadante. Esperar o quê? Sim, antes dele, já foi Ideli Salvatti. Mas não fique com a sensação, leitor, de que o mundo não presta.

O novo nome da economia pode sair ainda nesta sexta. Alexandre Tombini é cotado para permanecer na presidência do Banco Central. Nelson Barbosa, ex-secretário-geral da Fazenda, e Joaquim Levy, secretário do Tesouro no governo Lula e hoje administrador dos fundos de investimento do Bradesco, podem assumir a Fazenda e o Planejamento — ainda seria preciso, nessa hipótese, definir quem faria o quê.

Ironias
Pois é… Nem parece que a Dilma que apela ao presidente de um banco e que tende a ficar com um alto executivo dessa mesma instituição é aquela senhora que demonizou o setor bancário durante a campanha eleitoral e que associou a independência do Banco Central à cupidez dos banqueiros e à consequente fome dos brasileiros. Que vexame!

Campanhas eleitorais mundo afora comportam um tanto de farsa, sim. No Brasil, elas se transformaram em estelionatos escancarados.

Por Reinaldo Azevedo

O amadorismo do Planalto, por Lauro Jardim

 

Brandão: amadorismo do Palácio

Brandão: amadorismo do Palácio

A recusa de Luiz Trabuco ao convite para assumir o Ministério da Fazenda é mais uma trapalhada de Dilma Rousseff (ou dos que a aconselham) na condução do dia a dia do governo.

Receber Lázaro Brandão no Palácio do Planalto na terça-feira para (leia mais aqui ) comunicar sua pretensão ao presidente do Conselho do banco, inflando assim as expectativas de todos com uma possibilidade de um nome classe A para o cargo e, no final das contas, chegar ao anticlímax da recusa é algo perto do amadorismo.

Em resumo, Brandão só deveria ter ido ao Palácio para dar a resposta positiva sobre o seu subordinado, com quem já teria obviamente conversado – é assim que funciona o ritual do jogo político competente. Qualquer outra resposta significa desgaste. É o que está acontecendo.

E ainda fragiliza quem for o escolhido. A justificativa-padrão que será apresentada ao distinto público, a de que Trabuco ajudará mais o governo fora do governo, dispensa comentários.

Por Lauro Jardim

Fonte:
Folha de S. Paulo + VEJA

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1 comentário

  • JURANDIR MONTANHER NOVA LONDRINA - PR

    TENHO CERTEZA QUE QUALQUER HOMEM QUE TENHA CARATER E PRESA SUA DIGNIDADE JAMAIS TERÁ CORAGEM DE PARTICIPAR DO ATUAL GOVERNO E FUTURO, SOMENTE AQUELES QUE DESEJA ENTRAR NA FARRA PARA PARTICIPAR DA CORRUPIÇÃO OU HÁ ESPERANÇA QUE VAMOS TER MUDANÇA EMALGUM SETOR? SOMENTE UM IPTIMA DARÁ JEITO NA SITUAÇÃO DE MOMENTO.

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