Planalto confirma Levy na Fazenda, Barbosa no Planejamento e Tombini no BC

Publicado em 27/11/2014 14:28 e atualizado em 27/11/2014 16:56 175 exibições

Reportagem de Jeferson Ribeiro, Maria Carolina Marcello e Luciana Otoni

BRASÍLIA (Reuters) - O Palácio do Planalto confirmou nesta quinta-feira Joaquim Levy como novo ministro da Fazenda e Nelson Barbosa como novo titular do Planejamento.

Em comunicado, a Presidência também informou que Alexandre Tombini continua à frente do Banco Central.

Os três concedem entrevista coletiva às 16h.

Dilma confere a Levy, Barbosa e Tombini comando da economia e resgate da confiança

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BRASÍLIA (Reuters) - Joaquim Levy foi confirmado nesta quinta-feira como novo ministro da Fazenda, enquanto Nelson Barbosa assumirá o Planejamento e Alexandre Tombini permanecerá à frente do Banco Central, formando o novo comando da equipe econômica da presidente Dilma Rousseff com um perfil mais ortodoxo e com a incumbência de resgatar a confiança dos agentes econômicos.

Em comunicado, o Palácio do Planalto não informou quando Levy e Barbosa assumem os novos postos no lugar, respectivamente, de Guido Mantega e Miriam Belchior.

"Os ministros Mantega e Miriam permanecerão em seus cargos até que se conclua a transição e a formação das novas equipes de seus sucessores", trouxe a nota do Palácio.

Às 16h, a nova trinca da equipe econômica dará entrevista coletiva, onde responderão a seis perguntas.

Levy foi secretário do Tesouro durante o governo Luiz Inácio Lula da Silva, num momento em que as contas públicas passaram por ajustes, movimento que deve voltar a imprimir agora à frente da Fazenda.

Barbosa também já fez parte do governo do PT e, sob a batuta da presidente, ocupou a secretaria-executiva da Fazenda, de onde saiu criticando a política fiscal que, nos últimos anos, contribuiu para um quadro de inflação alta e crescimento fraco.

A escolha da nova equipe econômica sinaliza que Dilma se dobrou aos números após seu primeiro mandato ter sido marcado pela queda na confiança e dados fiscais ruins, com uso da chamada "contabilidade criativa" para fechar as contas, que abriram chances de o Brasil perder a nota de "investment grade".

Em 2012 e em 2013, a meta de superávit primário do setor público não foi cumprida, mas ficou dentro dos limites da lei. Para este ano, o cenário piorou ainda mais. Diante do desempenho pífio da economia e de fortes desonerações afetando as receitas, o governo enviou ao Congresso novo projeto para alterar a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) deste ano que, na prática, acaba com qualquer meta de economia para pagamento de juros.

Durante os três primeiros anos do mandato da presidente, a inflação oficial do país nunca ficou muito distante de 6 por cento, sendo que em 2011 --seu primeiro ano à frente do Palácio do Planalto-- fechou no topo da meta, de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

Para este ano, as projeções do governo são de que o indicador ficará em 6,45 por cento e o Banco Central elevou os juros básicos do país a 11,25 por cento, acima dos 10,25 por cento no final do governo anterior, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O cenário de inflação alta vem junto ao de economia enfraquecida. Entre 2011 e 2013, o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu, em média, 2 por cento ao ano, bem abaixo dos 3,4 por cento em igual período do governo do presidente Lula.

Para 2014, a projeção de especialistas é de expansão de cerca de 0,20 por cento, após o país ter caído em recessão técnica no segundo trimestre pela primeira vez desde a crise internacional de 2008/09.

(Reportagem de Jeferson Ribeiro, Maria Carolina Marcello e Luciana Otoni, em Brasília)

PERFIL-Tombini deve dar mais rigor ao combate à inflação, mas terá de conquistar confiança

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Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO (Reuters) - Alguns podem dizer que a manutenção de Alexandre Tombini à frente do Banco Central pode indicar que o combate à inflação continuará sem muita convicção, mas não deve ser assim.

De poucas palavras, o gaúcho de Porto Alegre preside o BC desde o início de 2011 e, mais recentemente, fez questão de sinalizar que não estava contente com o rumo da atual política fiscal.

Em linha com seus colegas que vão compôr a trinca de comando da equipe econômica neste segundo mandato da presidente Dilma Rousseff: Joaquim Levy, indicado para ser ministro da Fazenda, e Nelson Barbosa, novo ministro do Planejamento.

"Ele (Tombini) não tem esse perfil tão desenvolvimentista que está aí", afirmou uma fonte que trabalhou muitos anos lado a lado com ele, que preferiu não ser identificada.

Em documentos e discursos oficiais, o BC já afirmou que o cenário fiscal tendia para a neutralidade em termos inflacionários sob o ponto de vista estrutural, um conceito mais complicado e que leva em consideração ciclos econômicos. Olhando-se pelo outro lado, aí de maneira mais simples, a situação fiscal pressionava os preços na visão do BC.

Um dos movimentos mais emblemáticos também neste sentido foi dado há mais de um ano, quando o BC passou a divulgar projeções sobre a dívida tomando como base cenários distintos para o superávit primário: um com a meta do governo e, outro, com a expectativa do mercado, sempre abaixo do objetivo estabelecido.

Mas esses sinais não serão suficientes para que Tombini já tenha reconquistado a confiança completa dos agentes econômicos. A maior crítica que recebe é não ter conseguido domar a inflação que, nos últimos anos, tem ficado bem próxima ou acima do teto da meta oficial --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

"O Brasil está entrando num círculo vicioso, com mais inflação", afirmou uma outra fonte que também foi colega de Tombini durante o governo do PT. "Não é fácil enfrentar a presidente (Dilma Rousseff) e o governo todo", acrescentou.

Talvez um sinal de mudança tenha vindo recentemente. No final do mês passado, apenas três dias do segundo turno que reelegeu a presidente, o BC pegou todo mundo de surpresa e elevou a Selic, iniciando um novo ciclo de aperto monetário. [nL1N0SP042]

FORMAÇÃO

De perfil mais desenvolvimentista --que lhe rendeu o apelido de "Pombini" nas mesas financeiras em referência ao seu perfil "dovish" (expansionista)--, Tombini foi o responsável por reduzir a Selic à mínima histórica de 7,25 por cento no final de 2012, num momento em que a economia já dava sinais de perda de fôlego.

Mas logo teve de voltar a subir a taxa básica de juros porque, apesar da atividade anêmica, a alta nos preços não cedia, num movimento também marcado pela cada vez menos confiança dos empresários e consumidores.

O presidente do BC, de 50 anos e torcedor do Internacional, é dedicado à família e tem dois filhos do quais demonstra muito orgulho, mas não expõe a vida pessoal a todos que trabalham com ele, conta uma terceira fonte que já o assessorou. Muito educado, tem a fidelidade da sua equipe.

Antes de assumir a presidência do BC, Tombini ocupava a diretoria de Normas da autoridade monetária e era um dos principais interlocutores com o Ministério da Fazenda, sobretudo quando havia assuntos mais sensíveis a serem tratados.

Ele tem tato para apagar incêndios e, se quando tomou as rédeas do BC não tinha tanta experiência política, quatro anos depois já se pode dizer que está mais calejado.

Tombini também tem amplo conhecimento técnico, com PhD em economia pela Universidade de Illinois, nos Estados Unidos, período no qual também jogava pólo aquático. Ele ajudou a criar o Departamento de Pesquisas do BC e foi um dos formuladores do regime de meta de inflação adotado desde 1999, considerado um dos principais pilares da economia brasileira.

Durante sua sabatina no Senado para assumir o BC, no final de 2010, Tombini ressaltou a importância da inflação "baixa e estável" para a estabilidade econômica, mas que ela sozinha não era suficiente. Defendeu o regime de câmbio flutuante e uma "política fiscal responsável, com compromisso explícito de geração de superávit primário capaz de reduzir a relação dívida/PIB".

Tudo o que não está sendo feito agora, pensam muitos. Por isso, a primeira tarefa de Tombini será a de restabelecer a confiança dos agentes econômicos e, para isso, talvez precise provar diariamente que a política econômica não será mais a mesma.

(Com reportagem adicional de Flavia Bohone)

No G1: Planalto anuncia Levy na Fazenda e Barbosa no Planejamento

O Palácio do Planalto anunciou nesta quinta-feira (27) por meio de nota (leia a íntegra ao final desta reportagem) os primeiros nomes de ministros da equipe do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff – Joaquim Levy (Fazenda), Nelson Barbosa (Planejamento) e Alexandre Tombini, que permanecerá como presidente do Banco Central, cargo com status de ministro.

Durante o período de transição, Levy e Barbosa usarão gabinetes no Palácio do Planalto. Eles já se reuniram com a presidente Dilma Rousseff e vão trabalhar na montagem de um plano de ajuste da economia.

O economista e engenheiro Joaquim Levy atuou nos governos de Fernando Henrique Cardoso (secretário-adjunto de Política Econômica do Ministério da Fazenda e economista-chefe do Ministério do Planejamento), Luiz Inácio Lula da Silva (secretário do Tesouro Nacional) e Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro (secretário da Fazenda).

Leia a notícia na íntegra no site do G1.

Joaquim Levy: prazo de validade

Por Geraldo Samor, no site da Veja

A nação petista acorda hoje para encarar o seu D-Day econômico: os ‘inimigos’ chegaram ao palácio e agora estão no Poder.Joaquim Levy

A invasão da Normandia estagnada e deficitária começou com as ideias anfíbias de iluminismo fiscal e hoje avança praia acima liderada pelos generais da ortodoxia (uns com mais estrelas do que outros): o Comandante Levy, do Exército da Cidade de Deus, o General Barbosa, a consciência crítica do Antigo Regime e, na retaguarda, o Almirante Tombini, conhecido por manobrar o leme monetário ao sabor dos ventos.

Metáforas militares à parte, o debate que cerca a nomeação de Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda — o cargo que Dilma Rousseff acumula com a Presidência — é sobre a sinceridade de propósito de Dilma de abandonar aquela cadeira, bem como seu grau de convencimento a respeito do que precisa ser feito.

Trata-se de um debate com inúmeras questões, e é provável que o sistema Cantareira seque por completo antes que o mercado tenha todas as respostas que busca.

A primeira pergunta na cabeça dos investidores é se a Presidente entende a fragilidade da economia, o contexto internacional e o que está em jogo. Dado que a candidata Dilma passou a campanha negando as vulnerabilidades brasileiras e atribuindo o crescimento zero à “grave crise internacional”, é uma dúvida legítima.

Ainda assim, há motivos para crer que a ficha já caiu. De acordo com uma fonte com acesso ao Palácio, Dilma foi convencida de que duas crises gêmeas se avizinham: a política, com as ramificações da Lava Jato chegando mais dia menos dia ao Congresso, e a econômica, também uma questão de tempo dada a fragilidade das contas fiscais e a proximidade da alta de juros nos EUA. A Presidente sabe que será impossível sobreviver à primeira se não tiver a segunda sob controle.

Leia a coluna na íntegra no site da Veja

REPERCUSSÃO-Mercado aprova nova equipe econômica de Dilma

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SÃO PAULO (Reuters) - O governo federal confirmou nesta quinta-feira Joaquim Levy, atual diretor superintendente da Bradesco Asset Management, como novo ministro da Fazenda e Nelson Barbosa como novo titular do Planejamento.

Em comunicado, a Presidência também informou que Alexandre Tombini continua à frente do Banco Central.

Veja abaixo comentários sobre o anúncio:

LUIZ CARLOS TRABUCO CAPPI, PRESIDENTE-EXECUTIVO DO BRADESCO

"Os nomes de Joaquim Levy, Nelson Barbosa e Alexandre Tombini representam pilares de credibilidade, cada qual em sua área. Mas eles se complementam e dão unidade de ação a um governo que almeja o controle da inflação, a austeridade fiscal e a elaboração de um conjunto de reformas estruturais modernizadoras."

MURILO PORTUGAL, PRESIDENTE-EXECUTIVO DA FEBRABAN

"Estamos mais otimistas com o próximo ano, esperando que estas indicações contribuam para a retomada da confiança o que, como os mercados indicam, já começou a ocorrer."

JOSÉ BERENGUER, PRESIDENTE-EXECUTIVO DO JP MORGAN NO BRASIL

"As escolha são excelentes. São profissionais de muita qualidade e ótima interlocução com os setores da economia."

ARNALDO CURVELLO, DIRETOR DE GESTÃO DE RECURSOS, ATIVA CORRETORA

"O mercado está bastante ansioso (por medidas fiscais), mas, pensando de forma racional, vamos lembrar que Levy não é alguém que estava no bloco de comando nos últimos anos. (...) Eu acho natural que, antes de tomar qualquer medida, ele gaste um tempo para entender como está a casa."

"Tudo indica que ele vai ter uma autonomia grande e é sempre bom ver isso atestado. A minha percepção é que isso deve ser reforçado no discurso e deve manter o bom humor nas próximas semanas."

NEIL SHEARING, ECONOMISTA-CHFE PARA MERCADOS EMERGENTES DA CAPITAL ECONOMICS

"A nomeação de Joaquim Levy como ministro da Fazenda, em particular, vai reforçar as esperanças de um retorno a políticas mais ortodoxas durante o segundo mandato da presidente Rousseff. Enquanto a política fiscal e monetária não devem ser apertadas nos próximos trimestres, suspeitamos que a nova equipe vai lutar para avançar as reformas necessárias."

(Por Aluísio Alves, com reportagem adicional de Bruno Federowski e Guillermo Parra-Bernal)

Fonte:
Reuters + G1 + Veja

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