PIB do Brasil: "Já que 2015 será mais um “ano perdido”, feliz 2016!"

Publicado em 01/12/2014 10:39 137 exibições
diz Rodrigo Constantino, de veja.com (+ Reinaldo Azevedo).

Já que 2015 será mais um “ano perdido”, feliz 2016!

O Banco Central divulga toda segunda-feira o Boletim Focus, com as expectativas de cerca de cem analistas para os principais indicadores da economia para o ano corrente e o próximo. Normalmente, vale notar, esses analistas têm sido otimistas demais na média, errando sempre para cima a previsão de crescimento econômico. Mesmo assim, o que vemos não é nada animador.

A mediana das previsões do PIB para 2015 já está abaixo de 1%, e caindo. Os analistas esperam um crescimento de 0,77% para o ano que vem:

PIB para 2015. Fonte: Focus e Bloomberg

PIB para 2015. Fonte: Focus e Bloomberg

Não obstante o baixo crescimento e cada vez menor, que ainda julgo otimista, para ser sincero, a previsão para a inflação continua em alta:

IPCA para 2015. Fonte: Focus e Bloomberg

IPCA para 2015. Fonte: Focus e Bloomberg

Em outras palavras, esses analistas estão antecipando que o quadro de estagflação continua valendo para 2015, com inflação no topo da elevada meta e crescimento econômico pífio, quase inexistente. Isso mesmo com uma taxa de câmbio esperada para o final de 2015 de apenas R$ 2,67, o que pode ser novamente otimista. Se o dólar subir mais, isso vai ter efeito no índice de inflação.

Ou seja, 2015 será um ano de ajustes, um ano em que as medidas “impopulares” terão de ser tomadas, mesmo por um governo Dilma que se orgulha de ser “nacional-desenvolvimentista”. A indicação de Joaquim Levy para o ministério da Fazenda já está incorporada nessas estimativas. Uma andorinha só não faz verão, assim como um “fiscalista” sério com doutorado em Chicago não faz milagres após tanta trapalhada da turma heterodoxa de Dilma.

O ano que vem será, na melhor das hipóteses, um ano perdido. Mais um, diga-se de passagem. Inflação bastante alta e crescimento quase nulo. Apertem os cintos. E que a ressaca seja suportável e também suficiente para melhorar as condições para que 2016 possa ser melhor. Quem viver, verá…

Rodrigo Constantino

 

Governo só volta a se preocupar com o crescimento em 2017… Ate lá, o esforço é para pôr fim à esbórnia

Por  Valdo Cruz, na Folha:
Depois do fracasso da chamada nova matriz econômica, lançada pelo ministro Guido Mantega, o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff vai ser marcado por dois anos de juros mais altos e corte de gastos, seguido por dois anos de foco na maturação de medidas voltadas ao crescimento do país. A primeira fase da política econômica –caso Dilma dê autonomia à sua nova equipe– terá como objetivo levar a inflação para o centro da meta, de 4,5%, ao final de 2016, e colocar em ordem as contas públicas gradualmente nos próximos três anos. Como o ajuste fiscal será gradual, no início do trabalho da nova equipe caberá ao Banco Central de Alexandre Tombini a tarefa maior, o que ele já tem deixado claro. A sinalização é de um possível aumento da dose de alta da taxa de juros, hoje em 11,25% ao ano, como parte do choque de credibilidade que o novo time formado ainda por Joaquim Levy e Nelson Barbosa, novos ministros da Fazenda e Planejamento, vai aplicar na economia.

Segundo avaliam assessores presidenciais, esse aperto monetário pode vir nesta semana, com o Banco Central elevando os juros em 0,50 ponto percentual, em vez do 0,25 da mais recente reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), em outubro. Dobrar a dose do aumento, segundo assessores, estaria em sintonia com os últimos discursos de Tombini e sua equipe, que têm indicado que o BC vai se manter “especialmente vigilante” para conter os efeitos do dólar em alta e do reajuste de preços administrados, como a conta de luz, sobre a inflação. Outro caminho, não descartado no cenário de economia estagnada, seria manter o aumento de 0,25 ponto percentual, mas sinalizar que o ciclo de alta tende a ser mais longo do que o previsto diante da pressão inflacionária.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

Fonte:
Blog Rodrigo Constantino (VEJA)

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