Lula desdiz Marcos Valério em depoimento à PF sobre Mensalão, informa o blog de Josias de Souza

Publicado em 16/12/2014 14:13 e atualizado em 17/12/2014 16:12 1990 exibições
do UOL (blog do Josias)

Num instante em que as manchetes já mudaram de assunto, dedicando-se agora ao petrolão, Lula teve de tratar na semana passada do escândalo anterior, o mensalão. Chamado pela Polícia Federal para depor como testemunha, o ex-presidente petista foi interrogado por cerca de uma hora e meia sobre denúncias feitas por Marcos Valério há dois anos. Denúncias que, se confirmadas, transformariam em pó o lema do “eu não sabia”. Lula, naturalmente, desdisse Valério.

Deve-se ao repórter Jailton Carvalho a apuração de parte do teor do depoimento de Lula. A existência do interrogatório havia sido noticiada na véspera pela repórter Natuza Nery. A encrenca teve origem em depoimentos prestados por Valério à PF e à Procuradoria entre o final de 2012 e o início de 2013. Nessa época, o operador do mensalão ainda sonhava em se tornar um delator para ser premiado com penas menores.

Numa das acusações, Valério dissera ter participado, no início de 2003, no Planalto, de reunião com José Dirceu, então chefe da Casa Civil. Tratou-se no encontro, segundo Valério, de um repasse de R$ 7 milhões da Portugal Telecom para o PT. Coisa feita por baixo da mesa. O ex-operador do mensalão informara que, depois da conversa com Dirceu, fora levado à presença de Lula. Que teria ajudado nas negociações com a Portugal Telecom.

Inquirido a respeito, Lula declarou que, de fato, reuniu-se duas vezes, em 2003, com executivos da Portugal Telecom e do Banco Espírito Santo, no Palácio do Planalto. Negou, porém, que tivesse tratado de repasses monetários para o PT. Nessa versão, teriam partido da empresa e do banco os pedidos de audiência. Haviam participado, sob Fernando Henrique Cardoso, dos leilões de privatização das telefônicas. E queriam saber se Lula modificaria as regras do setor.

Lula disse ter tranquilizado os empresários. Assegurou-lhes, segundo disse, que respeitaria os contratos celebrados na Era tucana. Não ficou claro por que foram necessárias duas reuniões para que Lula se fizesse entender pelos interlocutores.

Para dar consistência às suas declarações, Lula disse que as conversas com dirigentes da empresa de telefonia e do banco foram testemunhadas pelos seus ministros das Comunicações da época. No primeiro encontro, chefiava a pasta o deputado federal Miro Teixeira (Pros-RJ). Na segunda reunião, comandava o setor o senador Eunício Oliveira (PMDB-CE).

A tentativas de Marcos Valério de obter o status de delator premiado frustraram-se. Ele decidiu abrir o bico numa fase em que a Procuradoria e a PF já haviam passado a régua nas investigações. Pior: já corria no STF o próprio julgamento. Que rendeu a Valério a pena mais draconiana: 37 anos e cinco meses de prisão. Em regime fechado.

A bancada petista da Papuda já migrou do regime carcerário semiaberto para a prisão domiciliar. Valério não verá o meio-fio tão cedo. Seu martírio inspirou os delatores do petrolão, que acionaram o dedo num estágio da investigação em que suas revelações fizeram toda a diferença para mapear a corrupção na Petrobras.

Embora a tentativa de delação de Valério não tenha sido homologada, seus depoimentos resultaram na abertura de oito inquéritos pela Polícia Federal. A suposta mordida na Portugal Telecom não foi a única acusação dirigida a Lula.

Valério chegou a dizer que verbas do mensalão pagaram despesas pessoais de Lula. Verificou-se à época que havia matéria-prima para uma boa investigação. É preciso conhecer a íntegra do interrogatório de Lula para saber se a PF puxou todos os fios da meada.

Editoria de Arte/Folha

Dilma para Kátia: ‘mais próximas do que nunca’

Com a amizade já extremamente cansada, representantes do MST foram à presença de Dilma Rousseff, no Planalto. Queixaram-se da intenção da anfitriã de fazer da senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) sua ministra da Agricultura. Horas depois, a presidente foi à posse da antagonista dos sem-terra, que acaba de ser reconduzida ao comando da Confederação Nacional da Agricultura.

“Queria aqui dar os parabéns à minha amiga Kátia por todas as suas realizações passadas e por todas as suas realizações futuras”, discursou Dilma. “Tenho certeza que estaremos muito próximas no meu segundo governo, mais próximas do que nunca.'' A ficha do MST ainda não caiu. Mas o movimento logo perceberá: quem está na cadeira de presidente tem sempre uma porção de amigos que detesta e um ou outro inimigo de que gosta bastante.

 

Feliz Natal

lava jato

Agora ou só em fevereiro

Com a chegada da temporada de festas de fim de ano, bateu depressão nos empreiteiros presos há um mês. Se não saírem agora, só em fevereiro terão nova chance, após o recesso do Judiciário.

Por Lauro Jardim (de veja.com)

 

Graça fora

graça

Graça não foi citada

Graça Foster está ardendo no fogo das refinarias, mas seu nome até agora não apareceu em qualquer depoimento da Operação Lava-Jato, como alvo de denúncias ou envolvimento em qualquer falcatrua.

Por Lauro Jardim

 

Eike, o visionário

Eike: enxergando longe

Eike: enxergando longe

Tem gente do mercado financeiro dizendo que Eike Batista é um visionário. Como assim?

Pelo seguinte: em seus tempos de glória, Eike chegou a prever que um dia sua OGX valeria tanto quanto a Petrobras.

Com as ações da Petrobras desabando pregão após pregão, quem sabe a profecia de Eike não se realiza, mesmo que ao contrário – ou seja, com as ações da Petrobras valendo o mesmo que as da OGX…?

Por Lauro Jardim

 

Reunião adiada

Aporte pendente

Aporte pendente

O governo decidiu adiar pelo segundo mês consecutivo uma reunião do Fundo de Investimentos do FGTS. A reunião estava marcada para amanhã.

O FI-FGTS é hoje o segundo maior investidor de infraestrutura do Brasil, atrás apenas do BNDES.

No mês passado, a reunião do comitê de investimentos também foi cancelada em cima da hora (leia mais aqui)

Um dos motivos era um aporte de 600 milhões de reais pedido pela Queiroz Galvão. Não ficava bem jogar essa montanha de dinheiro numa empresa que dias antes teve executivos presos na Operação Lava-Jato.

Agora, além desse constrangimento, há a vontade do Palácio do Planalto de não dar vida fácil para Eduardo Cunha. O líder do PMDB sempre fez lobby pela aprovação do aporte à Queiroz Galvão. No FI-FGTS Cunha tem até representante, informal, claro: Fábio Cleto, vice-presidente da Caixa.

Os integrantes do comitê de investimentos discutiriam também aportes milionários para o Comperj, para a Estre e para a Zetta, a empreiteira recém-criada por Joesley Batista, da JBS.

Por Lauro Jardim

 

Parceiros proibidos

bndes

Empreiteiras da Lava-Jato vetadas

Comentário de um dirigente do BNDES para uma empresa do setor elétrico em vias de receber um financiamento de longo prazo:

- Ok, está tudo bem, mas não me venha com parceiro que esteja na Lava-Jato.

Como se sabe, os grandes empreendimentos de energia necessitam de uma empreiteira.

Por Lauro Jardim

 

Um Uruguai

teles pires

Teles Pires: reforço no sistema elétrico em janeiro

Foi iniciado no domingo o enchimento do reservatório da Hidrelétrica Teles Pires, um investimento da Neoenergia, Furnas, Eletrosul e Odebrecht que fica entre o Mato Grosso e o Pará. A usina de 1 820 MW, equivalente ao consumo do Uruguai, estará em condições de geração a partir de janeiro.

Por Lauro Jardim

 

Roubaram até a chuva (por José Casado, de O Globo)

Espetaram na Petrobras uma fatura de pouco mais de US$ 130 milhões como indenização por chuvas no agreste pernambucano, mesmo quando o tempo estava seco e sereno

Em 1992, o escritor Otto Lara Resende caminhava por uma rua do Rio quando choveu dinheiro sobre sua cabeça. O caso foi contado com a suavidade de um clássico da bossa nova por Ruy Castro, autor de “O poder de mau humor” (1993), onde se aprende como o poder é cruel: “Antes de nos arruinar, quer primeiro nos enlouquecer.”

Aconteceu durante a desordem político-econômica do governo Fernando Collor. Apeado da Presidência no impeachment decantado por um coro petista, Collor renasceu na década seguinte aliado a Lula e, desde então, tem assento garantido na bancada governista, sob liderança do PT.

Otto recebeu um monte de moedas na cabeça. Não se machucou. Viu que nem mendigos se davam ao trabalho de recolher aquele dinheiro sem valor espalhado no chão, e escreveu: “Nem peso ou consistência material essa droga tem.”

Mantendo-se na inércia, Dilma Rousseff corre o risco de começar o segundo mandato presidencial sob uma simbólica chuva de títulos da Petrobras, que perdeu quase 55% do valor de mercado nos últimos dois anos.

Por trás da corrosão das moedas sob Collor e das ações da Petrobras sob Dilma, podem-se vislumbrar laivos da “fase 1”, para usar o jargão da burocracia, da crueldade do poder de enlouquecer, antes de arruinar.

A balbúrdia na estatal petroleirapossibilitou, entre outras coisas, que fosse roubada a chuva no agreste nordestino. Aconteceu durante a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, negócio público que começou custando US$ 2,5 bilhões e já ultrapassa US$ 20 bilhões — mais de um terço acima de similares e contemporâneas da Índia (quatro), na China (três) e na Arábia Saudita (duas).

Em geral, uma obra de construção civil para quando chove e o custo dessa interrupção é normalmente absorvido pelo empreiteiro.

Em Abreu e Lima, a conta da paralisação por chuvas (raios, também) ficou com a petroleira estatal. As empreiteiras do “cartel de leniência” espetaram uma fatura de pouco mais de US$ 130 milhões como indenização pelas chuvas no agreste. O cálculo do tribunal de contas é preliminar.

Dados da Agência Pernambucana de Água e Clima mostram que desde o início da obra da refinaria, em 2007, choveu tanto quanto nos seis anos anteriores. Na média, os períodos de tempo sereno e seco também foram iguais. Ou seja, roubaram até a chuva do agreste. É a tática de primeiro enlouquecer, na sequência arruinar o acionista majoritário da empresa pagante, isto é, o público.

Insólito, porém real na paisagem de proposital descontrole da empresa estatal, onde o poder político chegou a impor desde contratos em branco até gastos extras com a entrega antecipada de uma plataforma marítima (P-57), apenas para viabilizar uma cena partidária em Angra dos Reis (RJ) durante a campanha presidencial de 2010. Talvez tenha sido o comício político mais caro da história contemporânea: custou à Petrobras US$ 25 milhões, propina incluída.

Singular, mas coerente com uma forma de gerência dos interesses do Estado que permitiu o pagamento extraordinário de US$ 24 milhões a uma empreiteira como indenização por duas semanas de paralisação das obras num trecho (16% do terreno) do Terminal Aquaviário de Barra do Riacho (ES). Motivo: foram encontrados exemplares de Atta robusta, espécie em extinção, mais conhecida como saúva-preta.


 

Fonte:
Blog do Josias (UOL)

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