Dilma anuncia 13 ministros para novo mandato; Kátia Abreu assume Agricultura

Publicado em 24/12/2014 08:40 e atualizado em 24/12/2014 10:00 893 exibições
Por Maria Carolina Marcello, da reuters

BRASÍLIA (Reuters) - Depois de muita negociação, a presidente Dilma Rousseff anunciou nesta terça-feira os nomes de 13 ministros para compor seu novo gabinete no segundo mandato e acomodar aliados que a ajudaram nas eleições e também nas votação do Congresso Nacional.

O PMDB, maior partido da base e sigla do vice-presidente da República, Michel Temer, ampliou o número de ministérios de cinco para seis. O partido deixa de controlar o Ministério da Previdência, mas deterá o controle da Secretaria dos Portos e do Ministério da Pesca.

Segundo nota divulgada pela Secretaria de Imprensa da Presidência, entre os nomes indicados está o do senador Eduardo Braga (PMDB-AM) para a pasta de Minas e Energia e do deputado Eliseu Padilha (PMDB-RS) para a Secretaria de Aviação Civil.

A senadora Kátia Abreu (PMDB-TO) foi a escolhida para a Agricultura. O deputado Edinho Araújo (PMDB-SP) assumirá a Secretaria de Portos e o filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), Helder Barbalho, foi indicado para o Ministério da Pesca.

Vinícius Lages (PMDB) permanece na pasta do Turismo.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RR), que não terá mandato de deputado no próximo ano e não se elegeu ao governo de seu Estado, era ventilado como um dos possíveis ministeriáveis.

Mais cedo nesta terça-feira, no entanto, divulgou nota afirmando que pediu a Temer para desconsiderar seu nome para o novo gabinete de Dilma até que seja esclarecida a citação de seu nome em delação premiada de investigação da Polícia Federal sobre irregularidades na Petrobras.

O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), foi indicado para o Ministério da Defesa, enquanto o ministro Aldo Rebelo (PCdoB) deixa a pasta do Esporte para assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia. O deputado George Hilton (PRB-MG) irá substituir Rebelo no Esporte.

O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, presidente do PSD, sigla que passou a apoiar formalmente a presidente nas eleições deste ano, foi anunciado para o Ministério das Cidades. Já o governador do Ceará, Cid Gomes (Pros), vai para a Educação.

A pedagoga Nilma Lino Gomes assumirá a Secretaria de Igualdade racial, enquanto o secretário-executivo da Casa Civil, Valdir Simão, foi indicado para a Controladoria-Geral da União (CGU).

Dilma passou o dia conversando sobre os indicados, interrompendo montagem de seu novo ministério apenas para participar de confraternização de fim de ano com ministros.

A presidente tratou do assunto com Michel Temer na segunda e ainda nesta terça de manhã, para acertar os últimos pontos do anúncio feito à noite.

Os novos ministros tomam posse no dia 1o de janeiro.

Na segunda-feira, em café da manhã com jornalistas, Dilma disse que iria consultar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para saber se nomes cotados para os ministérios poderiam vir a ser indiciados no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, que investiga um suposto esquema de corrupção na Petrobras que teria beneficiado políticos e partidos.

O procurador-geral, porém, negou o pedido do governo para que revelasse os nomes de políticos citados nos depoimentos de delação premiada, informou nesta terça-feira o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. (Reportagem adicional de Leonardo Goy).

 

 

Blog Augusto Nunes, de veja: Direto ao Ponto

A presidente tenta inventar o critério do prontuário para reduzir o índice de criminalidade no primeiro escalão

Em nações adultas, ministros de Estado são escolhidos pelo currículo. No Brasil das molecagens bilionárias, algemado pelo primitivismo do PT, Dilma Rousseff resolveu basear-se no prontuário dos pretendentes para remontar o primeiro escalão. Como informou nesta terça-feira o site de VEJA, anotações antigas não contam. O exame eliminatório se limita a avaliar os barulhos e estragos que podem ser causados pela incorporação à ficha policial de novas delinquências, principalmente se vinculadas ao oceano de bandalheiras envolvendo a Petrobras.

O deputado federal Henrique Alves, por exemplo, era um nome certo na lista dos novos ministros. Deixou de sê-lo pela certeza de que logo estará exposto na vitrine do Petrolão. Dilma insiste em manter nos cargos os pecadores de estimação que já estavam por perto quando o escândalo explodiu ─ teimosia que explica a sobrevivência de Graça Foster. Mas não quer ampliar a procissão de problemas com a nomeação de figuras que, antes da primeira linha do discurso de posse, estarão depondo no noticiário político-policial.

A desastrada tentativa de instituir o critério do prontuário assombrou um país que já não se espanta com nada. Não seria outra invencionice da oposição essa história de que a presidente pediu socorro ao procurador-geral para não elevar mais um pouco a taxa de criminalidade do Poder Executivo? Não seria outra molecagem da elite golpista espalhar que Rodrigo Janot rechaçara a maluquice tilegal? Como acreditar que o emissário designado pelo Planalto fora capaz de murmurar que, nesse caso, a chefe se contentaria com uma relação dos réus iminentes, desacompanhada dos delitos atribuídos a cada um?

Pois foi tudo verdade, confessou no começo da tarde José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça e estafeta de Dilma. “Fiz ao Janot a ponderação de que gostaríamos de informações sobre nomes que comporiam a nossa equipe independentemente de qualquer detalhamento”, declamou ao som da lira do delírio. “Mas ele ponderou que não poderia fornecer qualquer tipo de informação a respeito da Operação Lava Jato uma vez que essa questão está sob segredo de Justiça”. Quer dizer: o titular do Ministério ao qual está subordinada a Polícia Federal anda à caça de informações que reduzam o número de colegas criminosos. Um monumento ao surrealismo.

O lote de novos ministros anunciado no fim da tarde avisou que ou Dilma não conseguiu a ‘capivara’ da turma ou desistiu de fingir que agora aprecia ter ao lado gente sem culpa no cartório. No Brasil, excluída a população carcerária, a maior concentração de patifes por metro quadrado está alojada na Esplanada de Ministérios. Se quisesse mesmo combater a corrupção cinco estrelas, bastaria que Dilma reunisse o primeiro escalão, convocasse os diretores das estatais e  desse voz de prisão aos presentes. No segundo seguinte, meio mundo estaria com os dois braços erguidos. (por Augusto Nunes, de v eja.com).

 

 

SAIBA MAIS-Veja detalhes sobre os ministros indicados por Dilma

Veja a seguir informações sobre os indicados:

KATIA ABREU (PMDB-TO), MINISTÉRIO DA AGRICULTURA

A senadora reeleita por Tocantins Kátia Abreu, agora atuando pelo PMDB, deixou seu passado de oposição ao PT de lado para ser a primeira mulher a comandar o Ministério da Agricultura.

Formada em psicologia, Kátia Abreu assumiu trabalhos ligados ao campo em 1987. Seis anos depois, passou a atuar em entidades de classe, começando com o Sindicato Rural de Gurupi, notabilizando-se por atividades relacionadas à pecuária, o que acabou levando-a para a presidência da federação da agricultura de Tocantins.

Em 2005, elegeu-se vice-presidente de secretaria da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), cargo que antecedeu a atual posição de presidente da entidade que representa agropecuaristas no Brasil. Um ano depois, ela foi eleita senadora, com mais de 330 mil votos, pelo então PFL (depois DEM), fazendo franca oposição ao PT do então reeleito presidente Lula, a quem criticou no passado, entre outras coisas, por patrocinar um aumento de cargos públicos.

JAQUES WAGNER (PT-BA), MINISTÉRIO DA DEFESA

Experiente e hábil negociador político, o governador da Bahia, Jaques Wagner, retorna à Esplanada dos Ministérios depois de oito anos para, agora, assumir um protagonismo maior no primeiro escalão da amiga e presidente Dilma Rousseff.

O "galego", como é chamado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é um dos fundadores do PT e se aproximou da presidente em 2005, durante a crise política provocada pela descoberta do mensalão. Na primeira passagem pelo governo, entre 2003 e 2006, Wagner foi ministro do Trabalho e depois assumiu a Secretaria de Relações Institucionais.

No PT, Wagner é visto como "adversário" à altura para dividir o protagonismo no governo com o ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, que atualmente é o maior expoente do ministério de Dilma.

  EDUARDO BRAGA (PMDB-AM), MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA

    Líder da bancada governista no Senado desde março de 2012, Braga concorreu ao governo do Amazonas, mas perdeu no segundo turno da disputa. Natural de Belém, o empresário formado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Amazonas já presidiu a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. Também foi membro titular das comissões de Infraestrutura e de Assuntos Econômicos da Casa.

    O senador de 54 anos é coordenador do PMDB Sócio Ambiental e, segundo perfil publicado na Internet, é criador do Programa Bolsa Floresta, pagamento feito pelo governo do Amazonas a moradores de Unidades de Conservação Estaduais (UCE), e da Fundação Amazonas Sustentável, instituição privada formada em parceria com o governo estadual.   

        ELISEU PADILHA (PMDB-RS), SECRETARIA DE AVIAÇÃO CIVIL

    Deputado federal pelo PMDB do Rio Grande do Sul desde 1995, Padilha é formado em Direito pela Unisinos.

Em 1997, licenciou-se da Câmara para assumir a pasta dos Transportes, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

CID GOMES (PROS-CE), MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

    Governador reeleito do Ceará, Cid, 51 anos, mantém uma relação próxima com Dilma e Lula. Em 2006, Cid coordenou a campanha de reeleição de Lula. Neste ano, após a reeleição de Dilma, ele propôs a criação de uma frente de partidos mais alinhados à esquerda para ajudar a presidente no Congresso e facilitar a governabilidade.

    Tanto ele quanto seu irmão, Ciro, deixaram o PSB quando a sigla anunciou, em 2013, o rompimento com o governo Dilma para lançar candidatura própria à Presidência da República.     Formado em Engenharia Civil, o cearense exerceu, em 2005, o cargo de consultor do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

VALDIR SIMÃO, CONTROLADORIA GERAL DA UNIÃO    Atual secretário-executivo da Casa Civil, Valdir Simão é tido como um quadro técnico. Foi presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) de 2005 a 2007 e de 2008 a 2011. Em 2001 assumiu interinamente a presidência do órgão.

GILBERTO KASSAB, MINISTÉRIO DAS CIDADES

Ex-prefeito de São Paulo pelo DEM, o economista Gilberto Kassab foi indicado para comandar o Ministério das Cidades, pasta considerada chave por determinar as políticas urbanas do país.

Kassab governou a capital paulista de 2006 a 2008, após a renúncia de José Serra. Em outubro de 2008, Kassab foi reeleito derrotando a candidata do PT, Marta Suplicy, que havia sido antecessora de Serra na prefeitura. O ex-prefeito é fundador e presidente nacional do PSD, sigla que passou a apoiar formalmente a presidente nas eleições deste ano.

ALDO REBELO, MINISTÉRIO DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA

Ministro do Esporte desde o final de 2011, Aldo Rebelo coordenou as iniciativas do governo para a Copa do Mundo de 2014 e supervisionava os preparativos do Rio de Janeiro para os Jogos Olímpicos de 2016, mas a partir de 2015 assume a pasta da Ciência e Tecnologia.

Filiado ao PCdoB, o ex-deputado foi presidente da Câmara dos Deputados no governo Lula e também ministro da Secretaria de Coordenação Política e Relações Institucionais de 2004 a 2005.

GEORGE HILTON, MINISTÉRIO DO ESPORTE

Deputado pelo PRB, o baiano Hilton fez carreira como radialista, apresentador, teólogo e animador. Agora, como ministro do Esporte, terá como uma de suas principais tarefas coordenar os esforços do Rio para a Olimpíada de 2016.

VINÍCIUS LAGES (PMDB), MINISTÉRIO DO TURISMO    O ministro Vinícius Lages, que era gerente de assessoria internacional do Sebrae, assumiu o Turismo em março deste ano, como parte de uma manobra da presidente para acomodar sua base e adequar seu gabinete quando diversos ministros deixaram os cargos para concorrer nas eleições de outubro.         NILMA LINO GOMES, SECRETARIA DE IGUALDADE RACIAL    Reitora pro tempore da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), a pedagoga e doutora em Ciências Sociais Nilma Lino Gomes foi a primeira mulher negra a assumir a direção de uma universidade federal.     Docente da Universidade Federal de Minas Gerais, onde cursou a graduação e o mestrado, Nilma tem doutorado em Antropologia Social pela Universidade de São Paulo e pós-doutorado em Sociologia pela Universidade de Coimbra, em Portugal.

EDINHO ARAÚJO (PMDB-SP), SECRETARIA DE PORTOS

    Eleito três vezes deputado federal pelo PMDB de São Paulo, Edinho Araújo participou da Constituinte e já foi prefeito dos municípios paulistas de São José do Rio Preto e Santa Fé do Sul. Também já foi filiado ao Arena e ao PPS.

    Vice-líder do PMDB na Câmara, Araújo, 65 anos, foi membro titular da Comissão de Viação e Transportes da Casa.

    HELDER BARBALHO (PMDB-PA), MINISTÉRIO DA PESCA

    Filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA), Helder é formado em Administração pela Universidade da Amazônia (Unama) e pós-graduado em Gestão Pública pela Fundação Getúlio Vargas. Em 2005, com 25 anos, foi eleito prefeito de Ananindeua (PA), o mais jovem à época. Em 2012, foi eleito vice-presidente do PMDB estadual.

 

Em O GLOBO: Até aqui, um ministério tão ruim ou pior do que o atual

POR Ricardo Noblat

A se levar em conta os nomes anunciados ontem, a presidente Dilma Rousseff parece destinada a cometer o prodígio de montar um segundo ministério tão ruim ou pior do que o primeiro.

“Governo novo, ideias novas” foi o que ela prometeu durante a recente campanha eleitoral. Prometeu também que não formaria o novo governo com políticos derrotados este ano.

O que temos até aqui? Um novo governo com velhos nomes, carente de ideias novas e repleto de derrotados.

Cid Gomes, governador do Ceará, cuidará do Ministério da Educação – sabe por quê?

Porque Dilma deve a ele o racha no PSB que apoiaria Eduardo Campos para presidente da República. Fora o estupendo número de votos que ela teve no Ceará.

Mas para todos os efeitos, Cid ganhou o lugar porque a Educação foi o ponto forte do seu governo. Por que forte? Você não sabe? Nem eu.

Em compensação eu sei – e talvez você saiba – que Cid se notabilizou por contratar artistas a peso de ouro para shows no Ceará.

Ivete Sangalo, a R$ 650 mil por show, foi um deles. Plácido Domingos, o tenor, outro. Esse embolsou R$ 3,4 milhões.

Pela módica quantia de R$ 388 mil, Cid fretou um jatinho para viajar de férias à Europa acompanhado da sogra. Sim, da sogra.

“Ideias novas...”

Legítimo representante do baixo clero da Câmara dos Deputados, o novo ministro dos Esportes, George Hilton, faz questão de ser conhecido como radialista, apresentador de televisão, teólogo e animador. É líder do PRB.

Em julho de 2007, foi expulso do PFL, partido ao qual era filiado, por ter sido flagrado no aeroporto de Belo Horizonte com 11 caixas de papelão carregadas de dinheiro e de cheques. Algo como R$ 600 mil que seriam provenientes de doações de fiéis da Igreja Universal.

Cinco derrotados nas eleições deste ano serão promovidos a ministros. Eduardo Braga (PMDB-AM), que perdeu o governo do seu Estado, ficará com o Ministério das Minas e Energia.

Braga entende tanto de Energia quanto entendia Edison Lobão (PMDB-MA), citado na roubalheira da Petrobras, e que está deixando o cargo.

Para fazer feliz seu vice Michel Temer, que pediu por ele, Dilma convidou Eliseu Padilha (PMDB-RS) para a Secretaria de Aviação Civil. Eliseu está sem mandato depois de ter sido deputado federal quatro vezes.

Foi ministro do governo Fernando Henrique Cardoso, em 2010 apoiou José Serra contra Dilma e, este ano, Dilma contra Aécio Neves.

Vice-prefeito de São Paulo quando Serra era prefeito, derrotado por Serra para o Senado, Gilberto Kassab assumirá o cobiçado Ministério das Cidades. Com isso, Dilma pagará o apoio que recebeu do PSD dele.

Para se reeleger presidente em 2006, Lula compareceu a um comício em Belém do Pará e publicamente beijou a mão do então ex-senador Jáder Barbalho (PMDB), que o apoiava.

A seu modo, Dilma também beijou a mão de Barbalho. Ela e Lula foram a Belém apoiar a candidatura ao governo do filho de Jáder, Helder. Vencido, Helder foi convidado por Dilma para Ministro da Pesca.

Armando Monteiro Neto (PTB) perdeu a eleição para governador de Pernambuco. Ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria, responderá pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio.

Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, está rindo à toa. Elegeu o filho governador de Alagoas. E emplacou Vinícius Lages, um técnico, no Ministério do Turismo.

Primeira mulher a governar o Brasil, Dilma escalou nove mulheres para sua primeira equipe ministerial. No momento conta com sete. Dos 17 novos ministros que anunciou até agora, apenas dois são mulheres. 

Dilma Rousseff (Foto: André Coelho / Agência O Globo)Dilma Rousseff (Imagem: André Coelho / Agência O Globo)
Fonte:
Reuters + VEJA + O GLOBO

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