Na Folha: China faz desvalorização recorde no yuan para estimular economia

Publicado em 11/08/2015 09:34 e atualizado em 11/08/2015 11:39
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BC chinês reduz em 1,9% taxa de referência, maior variação desde o fim do câmbio fixo, em 2005. Autoridade monetária visa recuperar exportações, que sofreram queda de 8,3% em julho (na FOLHA DE S. PAULO)

Numa tentativa de estimular as exportações –e, por consequência, a economia– num momento em que a atividade passa por forte desaceleração, o Banco Popular da China (o banco central do país asiático) anunciou nesta terça-feira (11, noite de segunda-feira no Brasil) uma desvalorização recorde no yuan, a moeda do país.

O crescimento do país está no menor ritmo desde 1989. Apesar de a China ter passado a adotar uma política de estímulo ao consumo interno, a economia ainda é altamente dependente do comércio exterior.

Na China, o câmbio é determinado pelo banco central e flutua dentro de uma banda, que pode variar 2%, para cima ou para baixo, a partir de uma taxa de referência. O que a autoridade monetária fez foi desvalorizar essa taxa em 1,9%. Foi a maior variação desde o fim do regime de câmbio fixo, em 2005.

Até agora, neste ano, a maior desvalorização diária imposta pelo BC chinês havia sido de 0,16%.

Logo após o anúncio, a moeda era negociada em queda de 1,3% –cada dólar valia 6,2920 em Xangai.

O BC chinês informou que a taxa de câmbio passará a acompanhar mais de perto as condições de mercado.

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Melancolia

Por Vinicius Torres Freire, em sua coluna na Folha de S. Paulo

Estagnação e dívida em alta criam risco de choque astronômico; fim de crises depende de pacto fiscal

NO INÍCIO de 2017, a renda nacional do Brasil por cabeça, o PIB per capita, pode ser menor que o de 2011, a julgar por previsões revistas do crescimento da economia para este ano e o que vem. Na média, estaremos quase na mesma do final de 2010.

Os economistas do Itaú, por exemplo, publicaram ontem a revisão de suas estimativas: recessão de 2,3% neste ano e de 1% em 2016. Feitas as contas com base nas estimativas anuais de crescimento da população, um tanto imprecisas, pode-se dizer que haverá pelo menos meia dúzia de anos de estagnação.

Feitas as contas pela mediana da centena de previsões compilada semanalmente pelo Banco Central, o PIB per capita terá crescido apenas 1% entre 2011 e 2016, inclusive.

Previsões, claro, não são destino. É possível mudar rumos. Note-se ainda que "PIB per capita" é um indicador impreciso de bem-estar material, por vários motivos, o que não cabe discutir aqui agora. Mas pode-se dizer, por exemplo, que o bem-estar material dos brasileiros, na média, na mediana e o de quase qualquer classe de renda, melhorou de 2004 a 2013, pelo menos; melhorou mais que o PIB, o que é, no entanto, insustentável, como se nota dolorosamente agora.

Pode-se dizer também, no entanto, que, mesmo em caso de retomada de algum aquecimento da economia adiante, de evolução positiva do PIB, pode ser que a sensação térmica nas ruas, a do cidadão comum, ainda seja de anos de frio (mais desemprego, menos renda).

O exercício simplório de aritmética serve ao menos para nos lembrar de que o risco de longa estagnação econômica não será dirimido apenas por "alguma" solução política-politiqueira que se dê à presente crise. A persistência da degradação econômica e social pode de resto realimentar a crise, esfarelar logo adiante a solução política que se dê ao tumulto de agora.

Não será possível conter a presente degradação econômica sem pelo menos, mínimo do mínimo, controle da ruína das contas do governo: o aumento sem limite da dívida pública.

Não será possível controlar o aumento ora sem limite da dívida pública sem uma combinação das seguintes providências, pelo menos:

1) Um aumento de imposto (que de preferência não recaia sobre mais pobres e empresas, mas sobre o rendimento dos mais ricos, o que pega a "classe média tradicional", essa que bate panelas);

2) Aumentos extraordinários de receitas (privatizações de natureza variada, arrecadação via perdões fiscais e similares);

3) Mais importante, um programa de controle de despesas obrigatórias, permanentes e crescentes (Previdência, funcionalismo, vinculações de gastos quase todas), ao menos para um ritmo igual ou inferior ao do PIB per capita.

A perspectiva de ser aliviado lhe dava ânimo para sofrer, como dizia o narrador da "Recherche", de Proust. Sendo menos sarcástico, mesmo com a presente ruína fiscal, a perspectiva de controle futuro do endividamento pode contribuir para abreviar a duração da recessão e atenuar sua intensidade, abrindo a possibilidade de retomada de crescimento e de redução da taxa de juros, sem o que a crise vai se realimentar. Sim, mais mudanças são necessárias. Mas esse é a base mínima para a reconstrução.

Previsões são de 2017 ainda em níveis de 2013

Por Gustavo Patude, de Brasília, na Folha

Com a piora simultânea das expectativas para este e os próximos dois anos, analistas e investidores projetam que a economia brasileira chegará a 2017 ainda sem ter recuperado as dimensões atingidas em 2013.

Dito de outra maneira, acredita-se que a produção e a renda do país passarão por um quadriênio de retrocesso, oscilando entre períodos de estagnação, recessão e recuperação lenta.

De um crescimento de apenas 0,1% em 2014, o PIB (Produto Interno Bruto) deverá encolher quase 2% neste ano –a queda esperada pelo mercado passou de 1,8%, na semana passada, para 1,97%.

Para 2016, a taxa central projetada na pesquisa semanal do Banco Central caiu de 0,2% para zero; para 2017, de 1,7% para 1,5%. O pessimismo de bancos e consultorias cresce desde o início do ano.

Leia a notícia na íntegra no site da Folha de S. Paulo

Vendas no Dia dos Pais têm queda de 5,1%

Com crise econômica e sem apelo emocional do Dia das Mães, comércio registra primeira retração na data desde 2005; Cenário ruim para o comércio deve continuar durante as próximas datas comemorativas

De São Paulo

As vendas do varejo na semana do Dia dos Pais tiveram a primeira queda anual desde que o indicador foi criado, em 2005, informou nesta segunda-feira (10) a empresa de análise de informações de crédito Serasa Experian.

Segundo a companhia, as vendas no período caíram 5,1% entre os dia 3 e 9 sobre um ano antes. Considerando somente o fim de semana, de 7 a 9 de agosto deste ano, houve queda de 1,4% na comparação com o fim de semana equivalente do ano anterior (8 a 10).

"A crise econômica que o país atravessa, marcada pela alta da inflação e dos juros no crediário, pelo aumento do desemprego e pela queda da confiança dos consumidores, afetou negativamente o desempenho do varejo neste Dia dos Pais", afirmou a Serasa em comunicado.

Na cidade de São Paulo, as vendas na semana do Dia dos Pais caíram 4,7% ante semana equivalente no ano passado. Já no fim de semana, a baixa foi de 3,9% na mesma base de comparação.

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Você sabia?

Por Benjamin Steinbruch, em sua coluna na Folha de S. Paulo

O Brasil é o país que adota hoje a mais alta taxa de juros básicos, 14,25% ao ano. Você sabia que a taxa nos EUA é de zero a 0,25% ao ano? Que no Japão é 0,10%? Que na Suíça é negativa e que, para deixar dinheiro no banco, o investidor paga até 0,75% ao ano? Lá fora, não é fácil "viver de renda". Aqui, é normal.

Você sabia que, desde março de 2013 até agora, a taxa básica de juros já foi elevada em sete pontos percentuais? Quanto custou isso em juros da dívida? Mais de R$ 200 bilhões a cada 12 meses, uma vez que, segundo economistas, cada ponto percentual tem impacto de R$ 30 bilhões na dívida.

Você sabia que neste ano os pagamentos de juros da dívida, com essa taxa elevada, vão custar ao governo até R$ 430 bilhões? Sabia que em três anos, de 2013 até o fim de 2015, o total de gastos com juros atingirá R$ 1,038 trilhão?

É um valor inimaginável R$ 1,038 trilhão. Esse dinheiro está sendo pago a investidores, locais e estrangeiros, que aplicam em títulos do governo. Dinheiro ganho sem mover uma palha, sem fabricar um alfinete.

Você sabia que o valor destinado aos juros nesses três anos daria para pagar o programa Bolsa Família, que atende a 14 milhões de famílias, durante 38 anos?

Você sabia que o orçamento da Educação, cortado, é só de R$ 38 bilhões? Apenas um pontinho a menos de juros quase sustentaria toda a educação.

Você sabe, porque vem sendo noticiado, que o superavit primário que o governo tenta obter em suas contas é para pagar juros da dívida pública. Mas você sabia que essa dívida deve atingir neste ano R$ 3,6 trilhões? O superavit pretendido inicialmente para o ano era de R$ 66,3 bilhões. No mês passado, a meta foi reduzida para R$ 8,6 bilhões.

Para alcançar o superavit, no dia 31, saiu um decreto com um corte adicional de R$ 8,47 bilhões nas despesas do governo federal neste ano –a Saúde perdeu R$ 1,7 bilhão, e a Educação, R$ 1,16 bilhão. Mas você sabia que a decisão de um dia antes de aumentar os juros básicos em 0,50 ponto percentual criou uma despesa anual para o governo maior do que o corte de R$ 8,47 bilhões?

Você sabe, porque a Folha noticiou, que a taxa de juros de cartão de crédito atingiu 372% ao ano em junho. Mas você sabia que não existe nada semelhante em matéria de custo de dinheiro no mundo civilizado? Trata-se de uma exclusividade brasileira.

O governo federal tem uma dívida de R$ 3,6 trilhões e pagamos R$ 430 bilhões de juros por ano para mantê-la, embora uma parte desse valor decorra de variação cambial. Mas, se houvesse um simples corte de dois pontos percentuais nos juros, já haveria um ganho de uns R$ 60 bilhões, valor quase do tamanho do ajuste fiscal pretendido no início do ano.

O aumento dos juros é para reduzir a inflação. Mas você sabia que desde março de 2013 a inflação só subiu? Passou de cerca de 6,5% para quase 9% em 12 meses. O problema é que a alta dos juros, segundo as teorias econômicas, serve para reduzir a demanda, o que força a queda dos preços. Mas, no caso do Brasil, o grosso da inflação atual decorre dos reajustes de preços administrados, como luz, gasolina, água etc., que não têm relação com demanda.

Juros de 14,25% ao ano só interessam a quem vive de renda. Quem investe em produção só perde com isso. Associados ao programa de austeridade, esses juros vão produzir uma recessão absurda.

Temos a tendência de considerar normais essas aberrações dos juros, como fizemos décadas atrás, de forma irresponsável, ao considerar a inflação aceitável porque o Brasil havia inventando a correção monetária. Isso não é normal. Mudanças são urgentes, por que esperar?

BENJAMIN STEINBRUCH, 62, empresário, é diretor-presidente da Companhia Siderúrgica Nacional e presidente do conselho de administração da empresa.

Fonte: Folha de S. Paulo

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