Dólar dispara 2,4% e encosta em R$ 3,47, com exterior e política local

Publicado em 01/12/2016 17:26
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Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar saltou 2,4 por cento nesta quinta-feira e encostou no patamar de 3,47 reais, maior nível em cinco meses e meio, influenciado pelo cenário político doméstico e por temores com os próximos passos do Federal Reserve, banco central norte-americano.

O dólar avançou 2,40 por cento, a 3,4685 reais na venda, maior nível de fechamento desde 16 de junho (3,4700 reais). Em novembro, o dólar já havia acumulado valorização de 6,18 por cento, a maior mensal desde setembro de 2015.

Na mínima desta sessão, a moeda norte-americana marcou 3,3825 reais e, na máxima, foi a 3,4804 reais. O dólar futuro subia cerca de 2,5 por cento no final desta tarde.

"O cenário político está conturbado, o que pressiona a moeda (norte-americana)", resumiu o operador da Advanced Corretora, Alessandro Faganello.

Ele se referia à manobra frustrada do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), de tentar aprovar urgência para votar o texto desfigurado das 10 medidas anticorrupção e que foram alvos de críticas pelo Ministério Público. Renan será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira, por crime de falsidade ideológica, uso de documento falso e peculato.

A situação política mais sensível preocupa os investidores porque pode atrapalhar a votação de importantes medidas econômicas no Congresso Nacional.

Outro fator de preocupação foi o Fed, que se reunirá neste mês para definir o rumo da taxa de juros, com expectativas amplas dos agentes econômicos de que serão elevados. O mercado vai procurar pistas sobre o ciclo de aperto, sobretudo após a eleição de Donald Trump, que pode adotar uma política econômica inflacionária e pressionar o Fed por mais altas de juros.

"As incertezas domésticas somadas ao exterior acabaram gerando uma onda de 'stops'. Quando o mercado está nervoso, qualquer coisa acaba superdimensionada", comentou um operador de uma corretora nacional.

Os rendimentos dos Treasuries subiam nesta sessão, com as taxas de referência atingindo os níveis mais altos em meses diante das expectativas de que os ganhos nos preços do petróleo, que saltaram mais de 4 por cento neste pregão, e as políticas de Trump podem alimentar a inflação.

Pesquisa Reuters mostrou que a incerteza sobre o futuro do câmbio no Brasil e na América Latina disparou após a eleição de Trump para a Casa Branca, com chances de mais valorização do dólar nos próximos meses.

O dólar deve ser cotado a 3,49 reais no Brasil daqui a um ano, segundo a mediana das projeções de 28 analistas que variaram entre 3,88 e 2,98 reais. A grande variação das estimativas, que se repete para outras moedas, é um indicativo da incerteza sobre o câmbio na região.

O movimento de alta do dólar reforçou a cautela dos investidores por alguma intervenção do Banco Central brasileiro no mercado de câmbio. Mais uma vez, o BC não anunciou qualquer movimento nesta sessão, mas parte do mercado acreditava que a autoridade monetária poderá anunciar leilões de swaps tradicionais --equivalentes à venda futura de dólares-- para rolar os contratos que vencem em janeiro, equivalente a 5 bilhões de dólares.

(Edição de Patrícia Duarte)

Incerteza política leva dólar a disparar 2,5%, a R$ 3,47; Bolsa cai 3,7% (FOLHA)

O aumento das incertezas no cenário político faz o dólar disparar 2,5% e a Bolsa cair cerca de 3,7% nesta quinta-feira (1).

Segundo operadores, investidores começam a ver maiores ameaças ao andamento do ajuste fiscal do governo do presidente Michel Temer.

"Essas incertezas aumentaram nos últimos dias, com possíveis revelações da delação premiada da Os investidores estão atentos ainda ao embate entre o Legislativo e o Judiciário, depois que a Câmara aprovou uma versão desfigurada do pacote anticorrupção proposto pelo Ministério Público Federal.

"Esse conjunto de notícias ruins vindas de Brasília deixa o mercado nervoso", afirma José Raymundo Faria Júnior, diretor-técnico da Wagner Investimentos.

Também trazem cautela ao mercado as manifestações populares marcadas para o fim de semana contra as mudanças no pacote anticorrupção.

A moeda americana à vista fechou em alta de 2,47%, a R$ 3,4765, maior patamar desde junho deste ano; o dólar comercial ganhava 2,53%, também a R$ 3,4730.

O real tem a maior desvalorização mundial entre as principais moedas nesta quinta-feira.

O Ibovespa perdia 3,74%, aos 59.587,94 pontos. O índice é pressionado principalmente pelos papéis de bancos, que recuavam após a deflagração da 8ª fase da Operação Zelotes da Polícia Federal, que revistou as instalações do Itaú Unibanco. A Zelotes investiga suspeitas de manipulação de julgamentos no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais).

As ações preferenciais do Itaú Unibanco caíam 4,63%; Bradesco PN, -5,51%; Bradesco ON, -5,69%; Banco do Brasil ON, -6,45%; e Santander unit, -7,06%. Ainda no setor financeiro, BM&FBovespa recuavam 7,52%.

Batizada de caso Boston, a etapa tem 34 mandados sendo cumpridos, com 13 de condução coercitiva e 21 de busca e apreensão nos Estados de São Paulo, Pernambuco e Rio de Janeiro.

O Itaú Unibanco confirmou que suas instalações foram revistadas pela PF, que buscava documentos relativos a processos tributários do BankBoston.

Em nota, o Itaú diz que o acordo de compra das operações do BankBoston no Brasil não "abrangeu a transferência, para o Itaú, dos processos tributários do BankBoston".

Depois de subirem cerca de 10% na véspera, as ações da Petrobras chegaram a operar em alta neste pregão, mas inverteram o sinal e recuavam há pouco 2,25% (PN) e 0,43% (ON).

Os papéis da Vale ganhavam 1,05% (PNA) e 3,70% (ON), após o avanço de quase 9% do preço do minério de ferro na China.

JUROS SOBEM

O mercado de juros futuros opera em alta, um dia após o Banco Central ter reduzido a taxa básica de juros (Selic) em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano. Os contratos mais longos refletem a forte valorizaçao do dólar e o aumento da aversão ao risco local.

O contrato de DI para janeiro de 2017 subia de 13,599% para 13,632%; o contrato de DI para janeiro de 2018 avançava de 12,060% para 12,260%; e o contrato de DI para janeiro de 2021 acelerava de 11,760% para 12,260%.

O CDS (credit defautl swap) de cinco anos brasileiro, espécie de seguro contra calote e indicador de percepção de risco, avançava 5,78%, aos 314,450 pontos. 

Fonte:
Reuters + Folha

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