Mercado financeiro encerra semana sinalizando vitória de Bolsonaro

Publicado em 26/10/2018 18:03 e atualizado em 27/10/2018 11:22
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A semana terminou com o mercado financeiro sinalizando a vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais 2018. O segundo turno acontece neste domingo (28) e, há dois dias da disputa, nesta sexta-feira (26), o dólar encerrou os negócios caindo mais de 1%, valendo R$ 3,65, o menor patamar em cinco meses. Desde o primeiro turno, a moeda americana acumula uma queda de mais de 5%.

Ao mesmo tempo, o Ibovespa fechou o dia com alta de quase 2% em sua quarta semana consecutiva de avanço. Nesta semana, o ganho acumulado foi de 1,78% e no mês, até agora, de 8%. 

A performance do candidato Jair Bolsonaro é vista como uma "nova direção" para a política brasileira - embora ainda não se saiba se este é o caminho que o mercado espera, como explico o economista chefe da Farsul, Antônio da Luz. O especialista é um dos únicos economistas ligados ao agronegócio que participa do Boletim Focus, do Banco Central.

Como explica Da Luz, a eleição do candidato do PSL poderia ainda atrair novos investimentos. Afinal, com o dólar atual, os ativos brasileiros estão cerca de 40% mais baratos. Para o economista, investimentos no Brasil estão represados e com isso, definição das eleições e real desvalorizado, o fluxo de investimentos para o país pode ser retomado. 

No link a seguir, veja a íntegra de sua entrevista ao Notícias Agrícolas e, na sequência, veja mais detalhes da reação do mercado antes das eleições de domingo:

>> Eleição de Bolsonaro deve atrair novos investimentos; ativos brasileiros estão cerca de 40% mais baratos com atual dólar

Pesquisas estão na margem de erro (POR MERVAL PEREIRA, em O Globo)

Todas as pesquisas mostram que o segundo turno já está praticamente definido a favor de Bolsonaro. É quase impossível que 15 milhões de pessoas mudem o voto de um dia pra outro para o Haddad.  Os resultados dos diversos institutos de pesquisa são diferentes, mas estão dentro das margens de erro. Apenas com a pesquisa deste sábado -, que será a terceira pesquisa de cada instituto no segundo turno -, será possível dizer se a tendência de Bolsonaro é de queda e de Haddad é de subida. Não deverá haver um resultado diferente do que as pesquisas estão mostrando agora, de estabilidade dos candidatos.

O mercado quer mais de Bolsonaro (POR LAURO JARDIM, de O Globo)

Edilson DantasEdilson Dantas | Agência O Globo

O mercado financeiro estará obviamente satisfeito com a vitória de Jair Bolsonaro no domingo. Mas ao mercado não bastará apenas as intenções liberais na economia. Diz Ricardo Lacerda, presidente do BR Partners:

— A derrota do PT já está no preço. Para o mercado andar, o Bolsonaro vai ter que colocar coisas concretas na mesa, como a independência do BC com a permanência do Illan Goldfajn, reforma da previdência e privatizações relevantes. Sem isso, o mercado azeda.

Dólar cai mais de 5% desde 1º turno com perspectiva de vitória de Bolsonaro

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Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - A crença de que as eleições do próximo domingo definirão Jair Bolsonaro (PT) como presidente da República fez com que o dólar ficasse mais barato em pelo menos 20 centavos de real entre o primeiro turno e a mínima desta tarde, último pregão antes do segundo turno, mas a continuidade desta queda passa a depender do que o novo governo vai implementar de fato.

"Confirmada a vitória de Bolsonaro, há espaço ainda para um rali, mas daí o dólar começa a agir conforme outros fundamentos... digerindo o novo governo", explicou a estrategista de câmbio do Banco Ourinvest, Fernanda Consorte.

Na sexta-feira que antecedeu o primeiro turno das eleições, o dólar recuou 1 por cento e terminou cotado a 3,8570 reais. Nesta tarde, na mínima, foi a 3,6442 reais, acumulando uma queda de 5,52 por cento ou de 21 centavos de real.

Desde então, a liderança do capitão da reserva na votação de 7 de outubro e nas pesquisa de intenção de voto levou investidores a irem pouco a pouco colocando nos preços o cenário em que ele, de fato, leva a Presidência da República.

Na véspera, no entanto, o Datafolha acendeu uma luz amarela ao trazer a redução da diferença entre Bolsonaro e Haddad. Embora tenha continuado ampla, a menor distância entre os dois e o risco de algo sair fora do script justificavam manter nos preços alguma gordura para queimar com a confirmação do cenário principal no dia 28.

A forte queda do dólar em outubro também ocorreu depois de forte valorização da moeda nos meses anteriores, entre outros fatores por nervosismo sobre a incerteza das eleições. De janeiro ao último pregão antes do primeiro turno, o dólar avançou 25 por cento ante o real. Com a mínima intradia no pregão desta sexta-feira, o dólar ainda acumulava alta de 9,95 por cento ante o real no ano.

CREDIBILIDADE

O recuo do dólar ante o real durante a corrida pelo segundo turno nada mais foi do que a precificação da presença do liberal Paulo Guedes na equipe de Bolsonaro como seu principal assessor econômico e provável ministro-chefe da área econômica, responsável por implementar medidas caras ao mercado, como ajuste fiscal, privatizações e reforma da Previdência. Mas esse otimismo entre os investidores só vai se manter se a agenda reformista andar.

"O mercado confia no Paulo Guedes, há a crença de que ele pode atrair investimentos grandes e duradouros para o país, o que significa que pode entrar bastante dinheiro no Brasil e o dólar vai ficar mais barato", avaliou o diretor de operações da Mirae Asset, Pablo Spyer.

Desta forma, entre os profissionais do mercado, a moeda entre 3,60-3,70 seria um bom intervalo de preços para esse cenário principal imediato, com potencial adicional de queda com novidades que agradem o mercado, como a confirmação de que Ilan Goldfajn pode permanecer na presidência do Banco Central, cargo que ocupa desde junho de 2016.

"Difícil saber onde vai ficar a moeda, pode ir a 3,50 reais... certo é que para manter a trajetória de queda os ajustes têm que acontecer", concluiu Spyer.

No Infomoney: Ibovespa sobe quase 2% e fecha na máxima do dia com euforia antes da eleição

SÃO PAULO - Após alternar entre perdas e ganhos durante a manhã desta sexta-feira (26), o Ibovespa passou a ignorar o mau humor externo, deixando para trás qualquer temor e engatando na euforia com a possibilidade de vitória de Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT) no próximo domingo.

Com essa nova onda de euforia, o Ibovespa fechou com alta de 1,95%, aos 85.719 pontos, na máxima do dia, indicando que os investidores deixaram a cautela para trás antes do segundo turno. O volume financeiro ficou em R$ 19,413 bilhões. Com isso, o índice encerra a semana pré-eleição com valorização de 1,78%.

Não só o índice em si, mas diversas ações também fecharam na máxima com a animação dos investidores, como a Petrobras (PETR3; PETR4), enquanto outros papéis, como Banco do Brasil (BBAS3), Eletrobras (ELET3) e Cemig (CMIG4) também subiram forte, apesar de não ficarem na máxima do dia.

Leia a notícia na íntegra no site Infomoney

Após seis semanas de queda ante real, dólar tem menor valor em 5 meses com expectativa de vitória de Bolsonaro

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Por Claudia Violante

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar terminou a sexta-feira com queda firme e a 3,65 reais, menor valor em 5 meses, com os investidores otimistas com o desfecho eleitoral do domingo, acreditando na vitória de Jair Bolsonaro (PSL) sobre Fernando Haddad (PT).

Desta forma, o mercado minimizou não só a pesquisa Datafolha da véspera, que mostrou uma distância menor entre os dois candidatos, como também o cenário externo adverso nesta sessão.

O dólar recuou 1,32 por cento, a 3,6546 reais na venda, menor valor desde os 3,6483 de 24 de maio de 2018. Na semana, a moeda dos EUA recuou 1,62 por cento ante o real.

O dólar acumulou perdas ante o real pela sexta semana consecutiva, acumulando, no período, retração de 12,29 por cento.

A sequência de seis quedas semanais se iguala à registrada entre 26 de junho e 4 de agosto de 2017, intervalo no qual a moeda norte-americana recuou 6,40 por cento e é a maior sequência desde as nove semanas consecutivas de baixa, entre 19 de dezembro de 2016 a 17 de fevereiro de 2017, quando o dólar ficou 8,78 por cento mais barato que o real.

Na mínima, a moeda foi a 3,6442 reais e, na máxima, a 3,7310 reais. O dólar futuro tinha baixa de cerca de 1,50 por cento.

"O mercado olha que não dá tempo de Haddad tirar a quantidade de votos necessária para vencer", comentou o economista-chefe do Banco Confidence, Robério Costa, ao destacar que a pesquisa Datafolha, entretanto, pesou negativamente no início do negócios, quando o dólar chegou a subir.

Os levantamentos XP/Ipespe e Crusoé/Empiricus/Paraná, também divulgados pela manhã, contudo, mostraram números melhores para Bolsonaro, levando uma reversão do movimento.

Segundo o Datafolha, a distância entre Bolsonaro e Haddad caiu 6 pontos em uma semana, para 12 pontos. Além disso, a rejeição a Bolsonaro variou para 44 por cento, de 41 por cento, enquanto a de Haddad oscilou para 52 por cento, de 54 por cento.

O levantamento XP/Ipespe manteve distância de 16 pontos entre ambos, enquanto a Crusoé/Empiricus/Paraná também manteve praticamente inalterada a distância de 21 pontos.

À tarde, o dólar renovou mínimas ante o real com alguns investidores zerando posições compradas antecipando o desfecho das urnas no domingo.

No exterior, a alta do dólar também perdeu força ante as divisas de países emergentes e ajudou a aliviar a trajetória local. O ambiente de aversão ao risco, no entanto, predominou, com destaque para a nova sessão de forte queda das bolsas norte-americanas.

O Banco Central vendeu nesta sessão 7,7 mil contratos de swap cambial tradicional, equivalente à venda futura de dólares. Desta forma, rolou 7,315 bilhões de dólares do total de 8,027 bilhões de dólares que vence em novembro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

(Edição de Raquel Stenzel e Iuri Dantas)

Na Folha: Dólar fecha a R$ 3,6550, menor patamar desde maio, às vésperas do 2º turno

SÃO PAULO - O mercado financeiro tirou do horizonte qualquer tipo de cautela que poderia pautar o mercado às  vésperas da definição do novo presidente brasileiro e ignorou, inclusive, um dia negativo para os principais mercados de risco nesta sexta-feira (26).

O dólar recuou mais de 1%, rumo ao menor patamar de fechamento desde maio. A moeda americana cedeu 1,32%, a R$ 3,6550. Considerada uma cesta 24 divisas emergentes, o real foi a que mais ganhou força ante o dólar nesta sexta –13 delas se desvalorizaram.

Leia a notícia na íntegra no site da Folha de S. Paulo

Ibovespa sobe 2% no dia e tem 4ª semana seguida de alta à espera de desfecho eleitoral

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista fechou com o Ibovespa em alta de quase 2 por cento nesta sexta-feira, guiado pelo avanço de ações blue chips, com destaque para os papéis da Petrobras, no último pregão antes do desfecho da corrida presidencial.

A sessão foi recheada de resultados corporativos e marcada pelo declínio em Wall Street, mas o mercado local resistiu à pressão externa e garantiu um desempenho semanal positivo, o quarto seguido, reforçando a perspectiva de alta em outubro.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 1,95 por cento, a 85.719,87 pontos. O volume financeiro foi expressivo e totalizou 19,4 bilhões de reais.

Na semana, o Ibovespa acumulou ganho de 1,78 por cento, elevando o avanço no mês para 8 por cento.

Perdas elevadas nas bolsas norte-americanas na primeira etapa dos negócios, após resultados de empresas como Amazon e Alphabet conhecidos na véspera decepcionarem, pesaram nas operações locais, fazendo o Ibovespa recuar 0,7 por cento.

A redução do declínio em Nova York, contudo, combinada com apostas de última hora no resultado da eleição no Brasil foi o gatilho para a bolsa brasileira retomar o viés positivo. Nos EUA, o S&P 500 ainda fechou em baixa de 1,7 por cento.

Investidores embarcaram para o fim de semana com expectativa majoritária de que Jair Bolsonaro, do PSL, será o novo ocupante do Palácio do Planalto, derrotando Fernando Haddad, do PT, no segundo turno do embate presidencial no domingo.

Tal aposta foi endossada por todas as pesquisas divulgadas desde o primeiro turno, em 7 de outubro, que mostraram Bolsonaro liderando com folga a disputa. Nem o estreitamento dessa diferença em sondagem Datafolha na véspera desanimou o mercado.

Estrategistas do Morgan Stanley elevaram a recomendação das ações brasileiras para 'compra' em seu portfólio para América Latina, avaliando que o país pode ter uma narrativa positiva de investimentos nos próximos 5 a 6 meses, desde que o novo governo sinalize seriedade em termos de consolidação fiscal.

Desde o resultado do primeiro turno, no qual Bolsonaro não só mostrou melhor desempenho como conseguiu eleger potenciais colaboradores no Congresso Nacional e nos Estados, o Ibovespa acumulou alta de 4 por cento.

O movimento foi puxado principalmente por investidores locais, de acordo com profissionais da área de renda variável, o que é referendado pelos dados de capital externo. Desde então, apenas dois pregões tiveram entrada líquida, nos dias 8 e 22.

"Os fundos de investimento no Brasil estavam com bastante caixa e continuam com níveis considerados elevados, o que pode ajudar a bolsa se eles decidirem investir", disse o chefe da área de renda variável da corretora de um banco em São Paulo.

Tal decisão, de acordo com fontes ouvidas pela Reuters, dependerá das sinalizações da nova administração, particularmente do ponto de vista fiscal, conforme apontado pelo Morgan Stanley, mas também da destreza do novo presidente para formar coalizões no Congresso Nacional.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN subiu 4,86 por cento, para 27,60 reais, na máxima do dia e maior valor de fechamento desde abril de 2010. A alta foi apoiada na melhora dos preços de petróleo no exterior, bem como em expectativas relacionadas ao cenário eleitoral, que favoreceram a valorização de cerca de 31 por cento das preferenciais da petrolífera de controle estatal este mês. PETROBRAS ON ganhou 3,77 por cento na sessão.

- BANCO DO BRASIL fechou em alta de 5,79 por cento, com o banco de controle estatal também suscetível à aposta para a corrida presidencial e tendo no radar ainda mudança em seu comando. ITAÚ UNIBANCO PN e BRADESCO PN valorizaram-se 1,87 e 1,73 por cento, respectivamente, endossando o viés positivo do pregão.

- VALE avançou 1,81 por cento, descolando-se do movimento de suas pares no exterior, em reação tardia a números fortes do terceiro trimestre conhecidos na quarta-feira à noite.

- B3 subiu 3,59 por cento, respondendo por contribuição relevante no Ibovespa, conforme agentes financeiros esperam volumes altos de negociação na operadora da bolsa paulista.

- CEMIG PN avançou 6,73 por cento, favorecida por expectativas com o resultado da eleição para o governo de Minas Gerais, com as propostas do candidato que lidera as pesquisas contemplando a privatização da elétrica de controle do governo mineiro. No mês, acumula elevação de mais de 68 por cento.

- GOL PN saltou 10,7 por cento, endossada pelo declínio do dólar ante o real, além das expectativas positivas em torno dos planos da companhia aérea de incorporar sua controlada Smiles

- SUZANO caiu 6,46 por cento, apesar de resultado operacional forte no terceiro trimestre, e com a fraqueza do dólar ante o real corroborando o ajuste negativo da produtora de papel e celulose, que ainda acumula alta de mais de 112 por cento em 2018.

- GPA PN caiu 2,24 por cento, revertendo o avanço do começo do pregão, também marcado pela divulgação de balanço, com resultado operacional medido Ebitda ajustado de 670 milhões de reais no terceiro trimestre, alta de 24,3 por cento ano a ano, e alta de 5,5 pontos na margem Ebitda ajustada.

- FLEURY perdeu 2,55 por cento, no primeiro pregão após a divulgação do balanço do terceiro trimestre, quando registrou Ebitda de 181,5 milhões de reais, crescimento de 11,1 por cento sobre um ano antes. O lucro líquido somou 90,3 milhões de reais, alta de 4,4 por cento.

Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas + Reuters

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