Preços do petróleo caem mais de 5,5% por temores de desaceleração econômica e superávit

Publicado em 18/12/2018 20:00 e atualizado em 18/12/2018 21:04
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NOVA YORK (Reuters) - Os preços do petróleo recuaram mais de 5,5 por cento nesta terça-feira, fechando em queda pela terceira sessão consecutiva, conforme o mercado digere notícias de que a oferta norte-americana continuará a aumentar, mesmo que a demanda diminua devido à desaceleração do crescimento econômico global.

Os futuros do petróleo dos Estados Unidos (WTI) fecharam em queda de 3,64 dólares, ou 7,3 por cento, a 46,24 dólares o barril, sua mínima desde agosto de 2017. A mínima da sessão foi de 46,11 dólares por barril.

Os futuros do petróleo Brent perderam 3,35 dólares, ou 5,62 por cento, terminando a 56,26 dólares por barril. Durante o dia, o Brent atingiu uma mínima em 14 meses de 56,16 dólares.

As duas referências ampliaram as perdas durante as negociações pós-fechamento.

Os índices acionários mundiais registraram movimento positivo, já que os investidores focaram sobre se o Federal Reserve conseguirá aumentar muito mais as taxas de juro dos EUA. Os mercados acionários tiveram perdas acentuadas nos últimos dois meses.

A confiança dos investidores está se deteriorando, com mais administradoras de fundos esperando que o crescimento global se enfraqueça nos próximos 12 meses, a pior projeção em uma década, mostrou uma pesquisa com investidores de dezembro feita pelo Bank of America Merrill Lynch.

"Houve uma inundação de notícias no lado da oferta ontem que, combinada com a destruição da demanda implícita pela queda dos mercados de ações, nos levou a menos de 50 dólares (pelo barril nos EUA), e isso nos deu um forte sinal para venda", disse Bob Yawger, diretor de futuros da Mizuho.

Petróleo afunda 7% a US$ 46 com disparo de stop-loss e pessimismo com oferta

Investing.com - Os robôs do mercado financeiro mostraram que não estão em clima de férias e derrubaram a cotação do petróleo nesta terça-feira com uma forte pressão de venda que disparou stops dos operadores com perda de suporte.

O contrato futuro do WTI afundou 7,3% e encerrou o pregão de Nova York a US$ 46,24 o barril, menor valor em 16 meses. O tombo ocorre um dia antes do vencimento do contrato de janeiro. A referência internacional Brent, negociada em Londres, registrou perdas de 5,6% e fechou a sessão negociada a US$ 56,26 o barril, menor valor desde meados de outubro de 2017.

No Brasil, o tombo do petróleo arrastou a Petrobras para fortes perdas. A ação preferencial da companhia PETR4 recuou 3,8% para R$ 22,00, menor patamar desde final de setembro, enquanto os papéis ordinários PETR3 cederam 3,4%, fechando a R$ 25,17.

Oferta global sobe

No radar dos investidores nesta terça-feira esteve o relatório da Genscape que mostrou aumento nos estoques em Cushing, nos EUA, que se somou a perspectiva de uma maior produção no país, segundo a EIA. O órgão projetou elevação de 134 mil barris/dia de oferta no shale norte-americano em janeiro. Os Estados Unidos já são o maior produtor de petróleo do mundo, com 11,7 milhões de bpd.

Relatório da Reuters indicou que a Rússia produziu um recorde de 11,42 milhões de barris/dia este mês derrubando qualquer sentimento otimista com a notícia de que o país planeja cortar a oferta no primeiro trimestre.

A gigante Saudi Aramco elevou as exportações em outubro para 7,7 milhões de barris/dia, ante 7,433 milhões de barris/dia em setembro, segundo dados oficiais publicados nesta terça-feira.

Tombo de 40% em 10 semanas

O petróleo já perdeu 40% em relação às máxima de quatro anos de US$ 76,90 o barril tocada no início de outubro. Em 10 semanas, o valor do contrato afundou US$ 30, com receios de preocupação com uma potencial queda no comércio global com a guerra comercial imposta por Donald Trump, a amenização das restrições ao Irã e a temida sobreoferta.

O grande mergulho provoca dúvidas em alguns traders se o WTI testará o suporte de US$ 40 antes do fechamento da 2018.

"O petróleo não está tendo nenhum respeito neste momento e nós perdemos totalmente o controle da narrativa", disse Phil Davis, fundador da PSW Investments em Nova York. "É muito louco estar envolvido neste mercado. Não estou vendido, nem comprado e não descartaria nada nesta fase, incluindo um teste de US$ 40".

Tariq Zahir, sócio-gerente da Tyche Capital Advisors em Nova York, concordou. "Sim, nós poderíamos testar US$ 40 antes do fechamento do ano, embora tenhamos mais clareza sobre isso depois dados da EIA de amanhã", disse ele, referindo-se ao relatório semanal de oferta e demanda sobre petróleo e outros produtos derivados de petróleo dos EUA.

Há dois meses, poucos traders de petróleo apostavam numa queda tão brusca, vendo o WTI acima de US$ 75 por barril. Muitos analistas de Wall Street chegaram a projetar o Brent acima de US$ 100, quando o benchmark encostou nos US$ 87 no início de outubro.

"Eu ainda vejo uma falta de compradores dispostos no mercado em geral, o que é provavelmente a questão maior, já que os algos sentem isso e continuam a gerar fraqueza para parar até mesmo o menor dos comprados", disse Scott Shelton, analista da Durham, Carolina do Norte. e corretor para ICAP disse em sua nota diária.

Fonte: Reuters/Investing.com

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