Guaidó se declara presidente interino da Venezuela e aumenta pressão sobre Maduro

Publicado em 23/01/2019 19:44 e atualizado em 24/01/2019 12:47
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CARACAS, 23 Jan (Reuters) - O líder da oposição venezuelana, Juan Guaidó, se declarou presidente interino nesta quarta-feira, enquanto centenas de milhares de venezuelanos tomaram às ruas do país para exigir o fim do governo do presidente socialista Nicolás Maduro, num movimento que contou com o apoio dos Estados Unidos e de vários países sul-americanos, como o Brasil.

Em comunicado minutos depois do juramento de Guaidó, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o reconheceu como legítimo presidente interino da Venezuela.

Logo em seguida, o Itamaraty divulgou nota em que também reconhece Guaidó como presidente interino da Venezuela. O reconhecimento também foi anunciado pelo presidente Jair Bolsonaro, em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial, ao lado do presidente da Colômbia, Iván Duque, e de autoridades do Peru e do Canadá, que também reconheceram Guaidó.

Outros países latino-americanos, como Argentina, Chile e Guatemala, também reconheceram Guaidó como presidente interino da Venezuela. Já México e Bolívia, que têm governos de esquerda, mantiveram apoio à autoridade de Maduro.

Em resposta, Maduro fez um discurso a simpatizantes reunidos em frente ao Palácio de Miraflores e afirmou que a oposição venezuelana tenta um golpe de Estado. Ele também anunciou o rompimento de relações com os Estados Unidos. De olho em um de seus principais respaldos, o socialista pediu que as Forças Armadas mantenham a unidade e disciplina.

Manifestantes lotaram as avenidas no leste de Caracas entoando cantos como “Sai, Maduro” e “Guaidó, Presidente” e erguendo bandeiras nacionais. A polícia usou gás lacrimogêneo para dispersar manifestações em diversas áreas. Na noite anterior, foi noticiada a morte de quatro pessoas durante um comício, o que remontou aos protestos violentos de dois anos atrás.

A oposição ganhou ímpeto com o jovem congressista Guaidó, que liderou uma campanha para declarar Maduro um usurpador e prometeu fazer a transição para um novo governo no país assolado pela hiperinflação e o colapso econômico.

Guaidó, em discurso diante de uma multidão, fez um juramento e se nomeou presidente interino.

“Juro assumir formalmente as competências do Executivo nacional como presidente interino”, disse.

Ele disse estar pronto para substituir Maduro com o apoio dos militares e organizar eleições livres.

O governo Trump disse a companhias de energia dos EUA que poderia impor sanções contra o petróleo venezuelano ainda nesta semana, caso a situação política se agrave, de acordo com fontes.

Posteriormente, Trump, ao ser questionado se considerava enviar militares norte-americanos à Venezuela, respondeu que não está considerando nada, mas todas as opções estão sobre a mesa.

Maduro tomou posse em 10 de janeiro para mais um mandato após uma eleição no ano passado amplamente boicotada e que muitos países consideraram fraudulenta. Seu governo acusa Guaidó de preparar um golpe e ameaça prendê-lo.

Qualquer mudança de governo na Venezuela depende de uma mudança na lealdade dentro das Forças Armadas, que se mantiveram ao lado de Maduro durante duas ondas de protestos nas ruas e do contínuo desmonte de instituições democráticas.

“Precisamos de liberdade, precisamos que esse governo corrupto saia, precisamos todos nos unir, para que então haja paz na Venezuela”, disse Cláudia Olaizola, uma vendedora de 54 anos que estava perto do centro da marcha no bairro de Chacao, leste de Caracas, um bastião tradicional da oposição.

Em um potente ato simbólico de revolta, manifestantes na cidade de Puerto Ordaz, no sul do país, derrubaram nesta terça-feira uma estátua do falecido líder socialista Hugo Chávez, que foi partida em duas e em parte pendurada de uma ponte.

EUA consideram impor sanções sobre petróleo da Venezuela em breve, dizem fontes

WASHINGTON (Reuters) - O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, poderá impor novas sanções sobre o vital setor de petróleo da Venezuela nesta semana, caso a situação política continue piorando ainda mais no país sul-americano, disseram fontes.

Autoridades norte-americanas estão considerando uma série de medidas, incluindo restringir importações de petróleo venezuelano ou mesmo uma proibição total, para punir o governo do presidente Nicolás Maduro, mas nenhuma decisão final foi tomada, à medida que Washington acompanha de perto os protestos de rua no país nesta quarta-feira, disseram à Reuters duas fontes a par do assunto.

Duas outras fontes informadas sobre o assunto disseram que o governo dos EUA informou privadamente as companhias de energia dos EUA sobre suas deliberações.

Maduro anuncia rompimento de relações diplomáticas com os EUA

CARACAS (Reuters) - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, disse nesta quarta-feira que está rompendo relações com os Estados Unidos, após o governo do presidente norte-americano, Donald Trump, reconhecer o líder da oposição, Juan Guaidó, como presidente interino da Venezuela.

Em discurso a simpatizantes do lado de fora do Palácio de Miraflores em Caracas, Maduro disse que dará ao pessoal diplomático dos EUA 72 horas para deixar a Venezuela, que sofre com um colapso econômico hiperinflacionário.

EUA alertam Maduro contra violência na Venezuela

WASHINGTON (Reuters) - O governo dos Estados Unidos alertou o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nesta quarta-feira que está pronto para intensificar sanções econômicas sobre os setores de petróleo, ouro e outros, além de tomar medidas não especificadas se houver violência direcionada à oposição.

"Se Maduro e seus comparsas escolherem responder com violência --se eles escolherem fazer mal a membros da Assembleia Nacional ou quaisquer outras autoridades do governo legítimo da Venezuela-- todas as opções estão sobre a mesa para os Estados Unidos em relação a ações a serem tomadas", disse uma alta autoridade do governo norte-americano em teleconferência com jornalistas.

Brasil reconhece líder da oposição Guaidó como presidente interino da Venezuela

SÃO PAULO (Reuters) - O governo brasileiro reconheceu nesta quarta-feira o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Juan Guaidó, como presidente interino do país e se comprometeu a apoiar o "processo de transição" no país vizinho, afirmou nota do Ministério das Relações Exteriores.

"O Brasil reconhece o senhor Juan Guaidó como Presidente Encarregado da Venezuela. O Brasil apoiará política e economicamente o processo de transição para que a democracia e a paz social voltem à Venezuela", afirma a nota.

Mais cedo, Guaidó prestou juramento como presidente interino da Venezuela, aumentando a pressão sobre o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, cuja posse em um segundo mandato no comando do país foi questionada pela comunidade internacional, especialmente por países latino-americanos.

Pouco antes da nota do Itamaraty, a Casa Branca havia divulgado nota informando que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, também reconheceu Guaidó como presidente interino da Venezuela.

Enquanto a nota do Itamaraty era divulgada no site do ministério, o presidente Jair Bolsonaro realizava uma entrevista coletiva em Davos, onde participa do Fórum Econômico Mundial, ao lado do presidente da Colômbia, Iván Duque, e de autoridades do Peru e do Canadá para anunciar que os países reconhecem Guaidó como presidente interino da Venezuela.

"O Brasil, juntamente com os demais países do Grupo de Lima, estão reconhecendo um a um esse fato. Nós daremos todo o apoio político necessário para que esse processo siga seu destino", disse Bolsonaro a jornalistas em Davos.

No início do mês os governos de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia, que formam o Grupo de Lima, fizeram um apelo para que Maduro não assumisse um segundo mandato após eleições apontadas como fraudulentas. O México, que também compõe o grupo, não assinou a nota.

Após a posse de Maduro, no dia 10, o Itamaraty afirmou que ele iniciava um mandato ilegítimo e declarou apoio à Assembleia Nacional venezuelana, comandada pela oposição.

O juramento de Guaidó como presidente interino e o reconhecimento dele no cargo por países da região acontece no mesmo dia em que ocorrem protestos na Venezuela contra o governo Maduro.

A Venezuela vive uma grave crise política, econômica e social que tem levado milhares de venezuelanos a se refugiarem em outros países.

Fonte: Reuters

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