Israel ajudará com tecnologia na busca de desaparecidos em Brumadinho, diz Bolsonaro

Publicado em 26/01/2019 15:23
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(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste sábado que o governo de Israel ajudará o país na busca de desaparecidos na região de Brumadinho (MG), atingida pelo rompimento de barragem da Vale.

"Por telefone o primeiro ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, nos ofereceu ajuda para a busca de desaparecidos no desastre de Brumadinho(MG). Aceitamos e agradecemos mais essa tecnologia israelense a serviço da humanidade", escreveu ele no Twitter.

Bolsonaro visitou nesta manhã a região do rompimento da barragem e fez um sobrevoo do local. Havia a expectativa de ele participar de uma coletiva de imprensa antes de retornar a Brasília, o que não ocorreu.

Também no Twitter, o presidente afirmou que o governo fará o que estiver a seu alcance para apurar o acidente.

"Difícil ficar diante de todo esse cenário e não se emocionar. Faremos o que estiver ao nosso alcance para atender as vítimas, minimizar danos, apurar os fatos, cobrar justiça e prevenir novas tragédias como a de Mariana e Brumadinho, para o bem dos brasileiros e do meio ambiente", disse.

Na chegada ao Palácio do Alvorada nesta tarde, Bolsonaro destacou que o governo tem tomado "todas as providências de imediato para ajudar a minimizar a dor dos familiares".

"Daqui para frente, o trabalho é basicamente busca de desaparecidos. Infelizmente, pode aumentar muito o número de mortos", disse.

Questionado se era preciso uma maior fiscalização, o presidente disse, encerrando a rápida entrevista: "Tudo é importante, né?".

Sobre a possibilidade de a Vale sofrer alguma penalidade em função do rompimento da barragem, o porta-voz da Presidência, general Otávio Santana do Rêgo Barros, disse à Reuters que a "empresa sofrerá sanções nas diversas esferas onde afrontou a legislação".

É preciso ver se inspeção em Brumadinho não foi só no papel, diz Mourão

Por Rodrigo Viga Gaier

(Reuters) - O vice-presidente da República, general da reserva Hamilton Mourão, disse à Reuters neste sábado que o governo tem documentos que mostram que a barragem que se rompeu em Brumadinho, em Minas Gerais, passou por análises e vistorias, mas que é preciso saber se elas efetivamente foram realizadas.

Mourão afirmou que uma checagem será feita para saber mais detalhes sobre os processos.

"Tenho um dado de que todas as inspeções previstas foram realizadas", disse ele à Reuters. "Cumpre verificar se ocorreram ou foi só papel", acrescentou.

Na véspera, o presidente da Vale, Fabio Schvartsman, afirmou que a tragédia causou surpresa pelo fato de laudos técnicos recentes terem apontado baixo risco de acidente no local.

A barragem 1, que se rompeu, estava paralisada há três anos e estava sendo descomissionada, disse Schvartsman. A estimativa é que havia cerca de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro.

O executivo afirmou que estava "tudo normal" na última leitura feita, em 10 de janeiro, e que ainda era cedo para dizer o motivo do colapso.

Em coletiva de imprensa neste sábado, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, afirmou que o momento não é de questionar nenhum laudo.

"Informações que temos de órgãos reguladores e de fiscalização é que toda documentação em Brumadinho estava regular", disse.

A tragédia na região já deixou 9 mortos, cujos corpos foram retirados do local, informou o Corpo de Bombeiros, que ainda procura cerca de 300 desaparecidos.

O acidente ocorreu mais de três anos depois da barragem Fundão, da Samarco, joint venture da Vale e da BHP Billiton, ter se rompido em Mariana (MG), matando 19 pessoas e causando o pior desastre ambiental do Brasil.

Ibama multa Vale em R$250 mi por "catástrofe socioambiental" em Brumadinho (MG)

(Reuters) - A Vale foi multada neste sábado em 250 milhões de reais pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), devido ao rompimento de uma barragem de mineração em Brumadinho (MG) na sexta-feira, informou o órgão federal em um comunicado.

Equipes de resgates trabalhavam no início da tarde deste sábado na procura de cerca de 300 desaparecidos, após uma avalanche de rejeitos de minério de ferro ter atingido vilarejos e área administrativa da própria Vale, onde havia centenas de funcionários.

"Os danos ao meio ambiente decorrentes do rompimento de barragens da mina Córrego do Feijão resultaram até o momento em cinco autos de infração no valor de 50 milhões de reais cada, o máximo previsto na Lei de Crimes Ambientais", disse o Ibama, que chamou o ocorrido de "catástrofe socioambiental"

O Ibama ressaltou ainda que "autos de infração relacionados ao licenciamento das atividades de mineração cabem ao órgão estadual de Meio Ambiente, responsável pela licença de operação do empreendimento".

Situação em Brumadinho está contida, diz ministro do Desenvolvimento Regional

(Reuters) - O ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, afirmou neste sábado que a situação está contida na região de Brumadinho (MG), atingida pelo rompimento de barragem da Vale na véspera, principalmente na área do desastre.

Canuto participou de coletiva de imprensa junto com outras autoridades neste início de tarde. Também presente, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que nunca houve nenhum projeto para afrouxamento da fiscalização. Sobre o acidente, Salles pontuou que o governo ainda não sabe a causa da tragédia e que não há informação concreta que permita especulação.

Fonte: Reuters

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