EUA defendem eleições livres e justas para a Venezuela; Russia está contra

Publicado em 09/02/2019 16:47 e atualizado em 09/02/2019 17:18
102 exibições

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos pressionam o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) a reivindicar eleições livres, justas e críveis para a presidência da Venezuela, com supervisores internacionais, disseram diplomatas, numa medida que motivou a Rússia a propor outra resolução. 

Moscou e Washington estão em desacordo sobre uma campanha liderada pelos EUA para o reconhecimento internacional do líder de oposição na Venezuela e chefe da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, em detrimento do presidente Nicolás Maduro. Guaidó, no mês passado, se declarou chefe de Estado interino. 

Diplomatas dos 15 membros do Conselho de Segurança reuniram-se na tarde da sexta-feira para discutir a resolução escrita pelos EUA, vista pela Reuters, que expressaria “total apoio à Assembleia Nacional como a única instituição democraticamente eleita”. 

Rússia, China, Guiné Equatorial e África do Sul, também no mês passado, impediram que o Conselho de Segurança emitisse um comunicado com a mesma linguagem. Mas os mesmos quatro países, liderados pela Rússia, não conseguiram impedir o conselho de discutir publicamente a Venezuela, a pedido dos Estados Unidos, em 26 de janeiro. 

Durante discussões sobre a resolução escrita pelos EUA, na sexta-feira, a Rússia - que tem acusado Washington de apoiar uma tentativa de golpe na Venezuela - propôs um texto alternativo, disseram diplomatas.

O rascunho da Rússia expressaria “preocupação com as tentativas de intervir em assuntos que são, essencialmente, de jurisdição doméstica". Expressaria, também, “preocupação com a ameaça do uso de força contra a integridade territorial e independência política” da Venezuela. 

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a intervenção militar na Venezuela seria “uma opção”. 

Não está claro quando, ou mesmo se, qualquer uma dessas resoluções serão colocadas a voto no Conselho de Segurança. Uma resolução do Conselho precisa de nove votos e nenhum veto de Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia ou China para ser aprovada. 

Quase 50 países já reconheceram Guaidó, disse uma alta autoridade dos Estados Unidos, na quinta-feira, e pedem eleições presidenciais livres e justas. Maduro ganhou a reeleição, em maio do ano passado, com baixo comparecimento às urnas e alegações de compra de votos pelo governo.

A resolução dos Estados Unidos expressa “profunda preocupação” de que a eleição presidencial não foi livre nem justa. 

A resolução russa “apoia todas as iniciativas que buscam uma solução política entre venezuelanos… incluindo o Mecanismo de Montevidéu, por meio de um processo de diálogo nacional genuíno e inclusivo”.

China pede negociações pacíficas para resolver crise na Venezuela

PEQUIM (Reuters) - A Venezuela deve resolver suas próprias questões por meio de negociações pacíficas e a China apoia os esforços da comunidade internacional neste assunto, disse o Ministério das Relações Exteriores da China.

Cerca de 20 países da União Europeia, incluindo Reino Unido, Alemanha, França e Espanha, se alinharam aos Estados Unidos no reconhecimento de Juan Guaidó como presidente interino da Venezuela e na pressão sobre o presidente Nicolás Maduro para convocar eleições.

Oferecendo um contraponto à linha-dura adotada pelos EUA, a UE e um grupo de governos latino-americanos que adotam linha moderada em relação à Venezuela pediram por diálogo e eleições.

O Grupo de Contato Internacional para a Venezuela, apoiado pela UE, disse em sua reunião inaugural nesta semana em Montevidéu que uma intervenção forçada pode agravar a crise.

Respondendo a esta reunião, o Ministério das Relações Exteriores da China disse em comunicado na sexta-feira que a China apoia os esforços da comunidade internacional para uma solução pacífica da questão da Venezuela e espera que todas as partes continuem a desempenhar um papel construtivo.

"Os assuntos da Venezuela devem ser resolvidos pelo povo venezuelano dentro da estrutura da Constituição e da lei, por meio do diálogo pacífico e canais políticos", disse o ministério.

"Somente desta forma a Venezuela pode obter estabilidade duradoura."

A China emprestou mais de 50 bilhões de dólares à Venezuela na última década por meio de acordos de empréstimos em troca de petróleo, garantindo fornecimento de energia para sua economia em rápido crescimento.

Mas o financiamento secou ao passo que a economia venezuelana entrou numa espiral negativa em 2015, pressionada pela queda nos preços do petróleo.

Guaidó aO Antagonista: “Com a derrota do PT, Maduro perdeu um aliado incondicional”

Juan Guaidó, presidente encarregado da Venezuela, disse em entrevista a Duda Teixeira, da Crusoé, que a eleição de Jair Bolsonaro teve impactos na Venezuela.

“Isso foi um fato muito importante. Provavelmente, foi um dos eventos mais importantes que ocorreram nos últimos meses. Digo isso por causa do enorme peso regional do Brasil e da postura clara e firme do presidente Bolsonaro. Mas também porque, com a derrota do PT, Maduro perdeu um aliado incondicional e fundamental.”

Em sua entrevista a Duda Teixeira, da Crusoé, Juan Guaidó afirmou, entre outras coisas, que o Brasil está cumprindo seu papel para promover a redemocratização da Venezuela.

“O Brasil, por causa de seu enorme peso regional, é um fator fundamental. Isso é óbvio. É preciso perguntar que atitude teriam a China e a Rússia hoje sem o apoio do Brasil ao Grupo de Lima e sem a participação da OEA para promover a redemocratização na Venezuela. O governo brasileiro está cumprindo seu papel na América do Sul e estamos muito gratos.”

“Não vamos ser mendigos de ninguém”, diz Maduro sobre ajuda humanitária

O ditador Nicolás Maduro classificou como “show” a ajuda humanitária enviada pelos Estados Unidos à Venezuela.

“Não vamos ser mendigos de ninguém”, disse em coletiva nesta sexta-feira.

Enquanto isso, o carregamento de comida e remédios está preso na fronteira da Colômbia com a Venezuela. O bloqueio é liderado por apoiadores chavistas.

VÍDEO: Apagão interrompe coletiva de Maduro

Um apagão interrompeu ontem uma entrevista coletiva de Nicolás Maduro.

O ditador falava sobre a entrada de ajuda humanitária no país quando o palácio presidencial de Miraflores ficou às escuras.

A transmissão do canal VTV foi interrompida.

Clique abaixo para assistir ao vídeo:

 

“A única saída que vejo é a de uma ação militar”

Steven Levitsky, que se tornou o xodó do PT durante a campanha presidencial, esperneando contra Jair Bolsonaro, agora defende um golpe militar para arrancar Nicolás Maduro do poder.

Ele disse para O Globo: “Muito lamentavelmente, a única saída que vejo é a de uma ação militar. Nenhum defensor da democracia se sente confortável com essa opção, mas não vejo outra. Os militares precisam retirar o apoio a Maduro e dar esse apoio a Guaidó. Não vejo Maduro renunciando, como o ex-presidente argentino Fernando de la Rúa, por exemplo. Este governo já deixou claro que vai se agarrar ao poder. Tampouco vejo uma invasão de marines americanos, nem outro tipo de intervenção externa. A única força capaz de provocar a renúncia de Maduro é a dos militares venezuelanos.”

Gleisi Hoffmann vai ficar chateada. (O Antagonista).

Fonte: Reuters/O Antagonista

Nenhum comentário