Bolsonaro pode levar pessoalmente texto da reforma da Previdência ao Congresso

Publicado em 18/02/2019 14:07
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Por Lisandra Paraguassu

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro poderá levar pessoalmente ao Congresso o texto da reforma da Previdência, em uma forma de colocar diretamente seu peso de presidente recém-eleito por trás do projeto.

As informações foram repassadas à Reuters pela assessoria de comunicação da Presidência.

O Palácio do Planalto estuda ainda um pronunciamento de Bolsonaro para explicar à população a necessidade da reforma. O formato também ainda não está decidido. A primeira intenção é que seja usada uma rede nacional de rádio e tevê, que tem alcance maior, especialmente para a população mais pobre.

No entanto, não está descartado o uso das redes sociais, como meio principal ou pelo menos em paralelo, já que Bolsonaro faz uso constante das redes e tem hoje mais de 3,3 milhões de seguidores no Twitter.

O presidente também deve se reunir em algum momento desses dias iniciais com líderes partidários para apresentar a reforma, como havia prometido fazer ainda na transição. Na quarta-feira, já tem uma reunião marcada com a bancada do PSL.

Segundo o líder do governo da Câmara, Major Vitor Hugo (PSL-GO), na quinta deve haver um café da manhã com líderes de outros partidos. [nL1N20A1VP]

A intenção do Planalto é que o presidente assuma a defesa do projeto nesses primeiros momentos para dar a ele o peso presidencial. Depois, no entanto, caberá ao secretário da Previdência, Rogério Marinho, seguir com as explicações e apresentação da proposta de reforma, que é bastante complexa.

O governo e seus aliados no Congresso têm insistido na necessidade de uma campanha ampla para a população sobre a necessidade da reforma. Uma das críticas principais à proposta apresentada pelo ex-presidente Michel Temer --que, na versão final, era menos dura do que deverá ser a de Bolsonaro-- foram as dificuldades de comunicação e o fato de a população ser majoritariamente contra a reforma.

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, é um dos que tem batido nesta tecla. O general defende publicamente uma campanha de convencimento, "com a linguagem do homem comum", para mostrar que no atual sistema os mais jovens não terão direito a se aposentar por falta de recursos.

Na verdade, as campanhas do governo Temer atacaram o mesmo ponto, além de tentar passar a ideia de que iria acabar com os privilégios dos servidores públicos. No entanto, aliados alegam que ela chegou tarde, quando já estava formada na cabeça das pessoas uma ideia negativa.

(Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

Fonte: Reuters

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