Aviões da Força Aérea da Rússia aterrissam na Venezuela carregando tropas

Publicado em 24/03/2019 15:26 e atualizado em 25/03/2019 19:44
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Um dos aviões levou Vasily Tonkoshkurov, chefe de gabinete das forças terrestres, o segundo era um avião de carga carregando 35 toneladas de material. Informações divulgadas agora a pouco pela Reuters

CARACAS (Reuters) - Dois aviões da Força Aérea da Rússia aterrissaram no principal aeroporto da Venezuela, neste sábado, carregando um oficial russo de Defesa e quase 100 militares, de acordo com um jornalista local, em meio ao fortalecimento de laços entre Caracas e Moscou. 

Um site que acompanha voos mostrou que dois aviões deixaram um aeroporto militar na Rússia com direção a Caracas, na sexta-feira, e outra página que faz o mesmo serviço mostrou que um avião deixou Caracas no domingo. 

A reportagem surge três meses depois de as duas nações realizarem exercícios militares em solo venezuelano, que o presidente Nicolás Maduro chamou de um sinal de fortalecimento das relações, mas que Washington criticou como uma invasão da Rússia na região. 

O repórter Javier Mayorca escreveu no Twitter, no sábado, que o primeiro avião levou Vasily Tonkoshkurov, chefe de gabinete das forças terrestres, acrescentando que o segundo era um avião de carga carregando 35 toneladas de material. 

Um jato com passageiro Ilyushin IL-62 e um avião militar de carga Antonov AN-124 saíram para Caracas, na sexta-feira, do aeroporto militar russo Chkalovsky, parando no caminho na Síria, de acordo com o site de acompanhamento Flightradar 24. 

O avião de carga deixou Caracas na tarde de domingo, de acordo com o Adsbexchange, outro site de acompanhamento de voos.

Uma testemunha da Reuters viu o que pareceu ser um jato de passageiro no aeroporto de Maiquetia, neste domingo. 

Não ficou imediatamente claro por que os aviões vieram à Venezuela. 

O Ministério da Informação da Venezuela não respondeu imediatamente ao pedido por um comentário. 

Os ministérios de Defesa e de Relações Exteriores da Rússia não responderam às mensagens buscando um comentário. Um porta-voz do Kremlin também não respondeu. 

A administração Trump impôs severas sanções à indústria de petróleo da Venezuela, em uma tentativa de tirar Maduro do poder, e pediu que os líderes militares da Venezuela o abandonassem. Maduro denunciou as sanções como intervencionismo dos EUA e recebeu apoio diplomático da Rússia e da China. 

Em dezembro, dois aviões de bombardeio estratégico da Rússia, capazes de carregar armas nucleares, aterrissaram na Venezuela, em uma demonstração de apoio ao governo socialista de Maduro que irritou Washington.

COM MADURO NA VENEZUELA, RESTAM AS PIORES OPÇÕES (por Antonio Fernando Pinheiro Pedro, blog THE EAGLE VIEW)

A crise,  as milícias narco-nazistas e o risco de conflito bélico no caminho de Maduro

Nicolás Maduro,  não é mais presidente da Venezuela -  é um usurpador que fraudou eleições, ignora a justiça e o Poder Legislativo constitucionais. 

Maduro agarra-se a uma assembleia constituinte incapaz de ler uma cartilha de alfabetização e mantém-se suportado por um estamento fardado indigno da honra militar, refém de comandantes traficantes, milicianos  famélicos e corruptos. 

Assim, Maduro reprime manifestações populares e retarda o acionamento da descarga sanitária que o descolará do poder. Enquanto isso, aumenta escandalosamente o efetivo de sua milícia paramilitar. 

Temeroso de perder o apoio das forças armadas, Maduro intenta criar um conflito bélico com seus vizinhos - Colômbia e Brasil, sem, no entanto, ter sequer condições estruturais para tanto. Seu aparato militar é altamente dependente da Rússia e da China - que têm interesse em vender, e nenhum interesse em manter o que vendem, funcionando...  

A força militar venezuelana, portanto, é uma sucata de luxo, sem capacidade de se mover.  Se agir, será por ter sido mimetizada por forças militares estrangeiras, provindas daqueles países e de Cuba.

Embora a Venezuela esteja nadando em petróleo, sua sucateada estatal perde progressivamente a capacidade de extração e não tem qualquer possibilidade de refino. A Venezuela exporta óleo cru... e importa gasolina. 

Os Estados Unidos, considerado inimigo dos bolivarianos, na verdade é um grande importador do petróleo e grande exportador da gasolina. Os EUA são responsáveis por dois terços do combustível importado pela Venezuela. A Venezuela também importa nafta, outra matéria-prima necessária para processamento do óleo cru venezuelano (extremamente viscoso). Com as contas da estatal PDVSA confiscadas nos EUA, a Venezuela vive, hoje, um apagão no abastecimento de gasolina - com evidentes reflexos na sua capacidade militar de deslocamento. 

Tudo isso só amplia as ruínas da economia venezuelana.

Maduro mantém-se, ainda,  sob um Estado de Emergência Econômica, instrumento de exceção que lhe dá poderes especiais para suspender a ordem constitucional. Montado nesse estado de exceção, o ditador acaba de cortar relações com a Colômbia, fecha a fronteira terrestre com o Brasil e tenta de toda forma impedir a entrada de comboios humanitários, com ajuda de mantimentos e remédios, mantendo a população em estado famélico. 

  • A exceção é a regra

Maduro é um usurpador. A inconstitucionalidade virou "princípio constitucional bolivariano", segundo se pode compreender  dos tresloucados atos do bigodudo, cujas estapafúrdias decisões permanecem avalizadas pela mais subalterna e politicamente corrompida justiça da américa latina.

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A miséria é a grande estratégia eleitoral bolivariana


A Venezuela, após anos de regime esquerdopata, quebrou. Tornou-se um país miserável, um mendigo com chagas expostas, sentado em barris de petróleo. Falta tudo: de energia a cerveja, passando por papel higiênico, remédios e alimentos básicos.

A economia venezuelana movimenta-se apenas dois dias por semana - no mais, o país permanece literalmente no escuro. A crise de energia revela o apagão administrativo, orientado hoje pelo despreparo e a incompetência, a corrupção e a burrice.

Além de incompetentes, os administradores bolivarianos mentem para si próprios. 

Em mais um de seus insistentes discursos ufano-imbecis para uma plateia de milicianos uniformizados (ou trajados com camisetas vermelhas),  gesticulando como se fosse um drogado, Maduro qualificou de "podre" e "venenosa" a carga dos comboios humanitários, rompeu relações diplomáticas com a Colômbia e informou que o sistema emergencial de distribuição de cestas básicas do governo bolivariano é mais eficiente que a "pequena quantidade" que se pretende trazer do exterior.

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Falta tudo na Venezuela

O clamor popular está nas ruas

Mas o tremelicante ditador não irá durar. 

A polícia de Maduro está com a moral visivelmente baixa. Tenta impedir as manifestações que se espalham por todo o país com visível hesitação - alternando barbárie com confusão. 

A crise se agrava, na medida em que Juan Guaidó, antigo presidente da Assembléia Nacional Venezuelana, por esta proclamado Presidente da República, tenta arregimentar forças a partir da Colômbia, e faz campanha para demover as forças armadas a seguirem apoiando o estrume de bigode bolivariano.  

É crescente o volume de cidadãos venezuelanos nas ruas, protestando contra o governo e a favor da ajuda internacional.

A via de  Cabello

O atabalhoado Maduro, como se sabe, é um fantoche de Diosdado Cabello - o verdadeiro herdeiro político de Hugo Chaves. 

Cabello é mentor do sistema de articulações políticas que formou a rede de relacionamentos envolvendo narco-guerrilhas, movimentos sociais (como o MST brasileiro) e partidos de esquerda sul-americanos. Foi esta mesma rede, aliás, que enredou toda a política internacional petista, nos governos Lula-Dilma...

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Diosdado Cabello  tinha boas relações com Dilma... tanto quanto com o narcotráfico

Cabello é o homem-chave na provável transição entre Maduro e Guaidó. É o verdadeiro poder Chavista e o grande inimigo da oposição venezuelana. Se ele se curvar, o governo cai. 

De fato,  a negociação via Cabello é considerada, na busca de se evitar a solução bélica. 

Há necessidade regional de construir pontes, visando encontrar uma saída para que Maduro seja defenestrado sem temor de retaliações. Isso vale para a diplomacia e para quase todo  o comprometido estamento político e militar bolivariano.  

O "sumiço" de Cabello, pode significar a negociação de uma via de fuga. 

É fato que a queda  do ditador venezuelano  ainda depende das ruas - e as ruas estão dando sua resposta  contrária a Maduro.  Ocorre que, no caso venezuelano, isso não é o bastante.

Tal como ocorreu no Brasil (com a diferença do sistema ter se mantido sempre nos parâmetros democráticos), os milhões de habitantes que vagam em manifestações espetaculares pelas ruas venezuelanas ainda dependerão de alguma dissenção interna na seara política do governo, de algum laivo de consciência de personagens corajosos - seja por redenção moral, seja por canalhice, que poderão provocar a ruína do governo bolivariano.

A Venezuela mergulhou na ditadura a partir do seu próprio aparato militar e, com exceção do parlamento nacional - sujeito ao voto popular, todo o restante sistema de Estado foi dominado pelos bolivarianos - e o que é pior, sob a tutela de um número inconfessável de "assessores" militares cubanos e de pelo menos duas unidades militares castristas operacionais, em uniforme venezuelano - que praticamente tornam o núcleo de governo refém da ilha caribenha. 

O aparato militar

Maduro começa a enfrentar a crescente desconfiança das Forças Armadas. Mantém, porém, uma constante troca de comando e o aumento do soldo militar (45% só no ano passado).  

Na base do dinheiro e de nomeações de militares para cargos públicos os mais variados, Maduro renova o pedido para que seus mais de dois mil generais "permaneçam leais à pátria, à sua ideologia, doutrina e treinamento".

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Maduro e seus "sóis do cartel"...

Os fiéis que ainda gritam ‘Pátria, socialismo ou morte. Nós venceremos!’, no entanto, são oficiais de alta patente herdeiros e beneficiários do tráfico de drogas -  antes mantido pelas FARC  - a guerrilha de esquerda da Colômbia,  agora em franca fase de desmonte. 

Os narco-generais são conhecidos na Venezuela como ‘Sóis do Cartel’ - pois usam um emblema de sol em seu uniforme, no lugar da habitual estrela que identifica a hierarquia militar. Esses vermes fardados participam de grandes esquemas de corrupção há muito conhecidos da inteligência dos EUA, que trata de caçar e tornar indisponíveis as divisas oriundas do butim que fazem na pátria que deveriam proteger. 

De fato, os oficiais militares e praças a  serviço de Maduro, não honram qualquer farda e não são dignos de receber qualquer respeito. Estão cientes de que conformam uma fraude.

Ante a miséria moral e estrutural do aparato venezuelano, restam o terror e sobram ameaças a quem hesita. Um ciclo conhecido que terminará fatalmente colapsado. 

Como disse Churchill - "não se pode enganar a todos todo o tempo".

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Milícias operárias bolivarianas - paramilitarismo no pior estilo narco-nazista

O narco-nazismo

Maduro NUNCA confiou no exército. Por isso tratou, todos esses anos, de ampliar a capacidade de combate e o número de suas forças paramilitares e policiais. 

O modelo declarado oficialmente é o dos Comitês castristas de Defesa da Revolução - CDRs, que evitaram a invasão na Baía dos Porcos, em Cuba, nos anos 60. No entanto, Castro,  como Maduro e Chavez, era um leitor assíduo e declarado de Mein Kampf. Tinham todos a quem imitar... e o que fizeram foi uma cópia mal feita dos corpos paramilitares SA e SS, de Hitler. 

Sobre esse aparato paramilitar, pairam inúmeros conselheiros cubanos, que parecem manter o sistema de segurança venezuelano refém de Maduro... e este, refém desses conselheiros. 

Maduro esgotou os recursos de que dispunha para comprar armas e aparelhar sua crescente milícia popular.  Porém, fornece uniforme, armas, munição, salários, alimentação e privilégios a uma massa de gente miserável, analfabeta funcional, que sofre com a miséria e vê na carreira paramilitar uma forma de ascensão social e acesso a alimento.

Essas milícias, porém,  fariam corar de vergonha qualquer nazista componente das tropas de assalto ou segurança da Alemanha de Hitler, pois, ao contrário dos animais hitlerianos, que tinham método e alvo definido (os judeus, opositores políticos e "raças inferiores"), para descarregar seu ódio, os famélicos bolivarianos  promovem a baderna e agridem indistintamente a própria população. Provocam todo tipo de achaques e violência urbana, promovem invasões, atos de intimidação, sequestros, assassinatos e extorsões. 

Como não há alternativa de emprego na Venezuela bolivariana fora do Estado, sobram a criminalidade e a atividade política orientada, paramilitar. Decididamente, é por isso que a Venezuela mergulha no transe nazifascista. 

Sem líderes equivalentes e orientados por imbecis e narcotraficantes, os bolivarianos inventam um narco-nazismo em estado de demência.

A escalada da violência

Juan Guaidó, o presidente interino eleito pela Assembleia Nacional Venezuelana terá, portanto, muito trabalho para defenestrar essa estrutura. 

Esse aparato impede o governo reconhecido internacionalmente de exercer o controle territorial no país, dominado pelo usurpador bolivariano.  Por outro lado, os países vizinhos, e mesmo os mais distantes, de linha democrática, aguardam que essa estrutura entre em colapso - como já ocorreu em várias outras ocasiões com governos esquerdistas ditatoriais.

Do ponto de vista internacional, o estrume bigodudo, de fato, só interessa a Cuba e a dois outros vilões internacionais: Rússia e China. O petróleo já interessou mais aos EUA. Hoje, o produto é dispensável (e o preço internacional do petróleo assim o demonstra).

O governo da Venezuela mantém intenso comércio armamentista com a Rússia e a China, sendo que esta última vem, gradativamente, se apossando dos recursos petrolíferos venezuelanos. Serão esses países, com certeza, os destinatários dos trânsfugas bolivarianos, quando o castelo de cartas em que estão apoiados cair de vez na Venezuela. Deles poderá, no entanto, sobrevir algum apoio militar. 

Enquanto isso não ocorre, a possibilidade de uma escalada de violência é real. Essa escalada deverá relativizar a soberania venezuelana, autorizando uma espécie de intervenção internacional no território, visando a pacificação e a remoção de Maduro, à força. 

Se isso ocorrer, o conflito poderá se desdobrar para um confronto bélico. 

Portanto, toda a atenção deverá se por na direção da Venezuela.  

A solução do conflito, em bases assimétricas, poderá ser indigesto até mesmo para a diplomacia. A  crise,  as milícias narco-nazistas e o risco de conflito bélico formam a intragável salada bolivariana na Venezuela.

E essas opções, agora, estão à frente de Maduro. 

Vale o conselho romano: “Si vis pacem, para bellum” (Se quer a paz, prepare-se para a guerra).

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Antonio Fernando Pinheiro Pedro é advogado (USP), jornalista e consultor ambiental. Sócio diretor do escritório Pinheiro Pedro Advogados. Integrante do Green Economy Task Force da Câmara de Comércio Internacional, membro do Instituto dos Advogados Brasileiros – IAB e da Comissão Nacional de Direito Ambiental do Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil – OAB. É Editor-Chefe do Portal Ambiente Legal e responsável pelo blog The Eagle View.

Fonte: Reuters

2 comentários

  • Cleverton Santos -

    Estamos a beira de um colapso, Venezuela é um barril de polvara, que quando estoura não sabemos a magnitude dessa explosão, o Brasil sera o principal prejudicado, mas o povo venezuelano sofre calado e oprimido, algo precisa ser feito o quanto antes.

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  • Ronaldo Rego Petrópolis - RJ

    Que nossas forças armadas estejam atentas, Não nos interessa uma BASE militar russa na fronteira com a Venezuela, tornando vulnerável todo o nosso território norte. Uma aliança das forças militares sul-americanos é urgente, com participação indispensável dos americanos. Quanto mais tempo passar mais difícil será a solução do problema. Fica claro a intervenção de potencias extra-continentais, dificultando ainda mais uma solução diplomática.

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