Bolsonaro queria que aumento do diesel não ultrapassasse 1%, diz Guedes (Reuters)

Publicado em 14/04/2019 14:45 e atualizado em 15/04/2019 07:59
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WASHINGTON (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou no sábado que a interferência do presidente Jair Bolsonaro no reajuste do diesel pode ter sido motivada por preocupações com o efeito político da decisão, principalmente entre os caminhoneiros, categoria que quase parou o país em uma greve no ano passado.

Em Washington para uma série de reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI), Guedes negou ter falado com Bolsonaro sobre o assunto, mas reconheceu os impactos da atitude do presidente.

"O presidente já disse para vocês que ele não era um especialista em economia. Então é possível que alguma coisa tenha acontecido lá", disse o ministro a jornalistas.

"Ele ao mesmo tempo é preocupado com efeitos políticos, estavam falando em greve dos caminhoneiros, então é possível que ele esteja lá tentando manobrar com isso", ponderou.

Guedes acrescentou ainda ter certeza que qualquer atitude que não seja "muito razoável" do presidente pode ser solucionada com conversa.

"Uma conversa conserta tudo."

O ministro afirmou ainda estar focado nas reuniões em Washington com interlocutores do FMI e do Banco Mundial, além de presidentes de bancos centrais de outros países.

"Evidentemente que aparentemente já houve um efeito ruim lá fora, lá embaixo", admitiu, ainda que tenha negado que o tema tenha sido abordado nas conversas em Washington.

"Então eu estou preferindo trabalhar nos fronts onde eu consigo construir alguma coisa", afirmou.

Ao saber da decisão da Petrobras de reajustar o diesel em 5,7 por cento, na semana passada, Bolsonaro telefonou ao presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, pedindo um reajuste menor, de apenas 1 por cento. Castello Branco optou por cancelar o aumento previsto.

Ministro da economia do Brasil, Paulo Guedes, se reúne com presidente do Banco Mundial  (R7)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, se reuniu neste domingo (14), com o presidente do Banco Mundial, David Malpass, em Nova York, nos Estados Unidos.

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O ministro também participou de café da manhã com a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, e ministros das Finanças e presidentes dos bancos centrais da América Latina, Canadá e EUA. 

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Após o encontro com Malpass, a agenda do ministro Guedes será encerrada. Ele viajará de volta a Brasília no meio da tarde.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também esteve no café da manhã com Lagarde. Campos Neto terá ainda algumas reuniões fechadas com investidores e deve embarcar à tarde para o Brasil.

Riscos com tendência desfavorável ameaçam crescimento global, diz comitê do FMI

Por David Lawder e Leika Kihara

WASHINGTON (Reuters) - As autoridades financeiras globais disseram neste sábado que os riscos para o crescimento econômico mundial foram “inclinados para desfavoráveis” devido a fatores como as tensões comerciais, as incertezas políticas e o repentino aperto nas condições financeiras.

Os riscos em elevação ocorrem ante um cenário de pouco espaço de manobra nas políticas, níveis de endividamento fiscais historicamente elevados e vulnerabilidades financeiras agravadas, disseram as autoridades em uma comunicação conjunta do comitê gestor do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O comunicado foi divulgado durante reuniões preliminares do FMI e do Banco Mundial, em Washington.

Mais cedo, a China criticou a política de “America First” do presidente dos EUA, Donald Trump, que tem precipitado uma disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo, com a imposição recíproca de tarifas sobre centenas de bilhões de dólares em bens.

“O protecionismo de alguns países tem prejudicado a confiança mútua entre os países, limitado o escopo da cooperação multilateral e impedido a disposição de alcançá-la”, disse Chen Yulu, vice-diretor do Banco do Povo da China, em uma mensagem ao Comitê do Fundo Monetário Internacional.

“Unilateralismo e protecionismo podem somente exacerbar os desequilíbrios domésticos e enfraquecer os ajustes estruturais necessários, o que pode afetar negativamente os países envolvidos e o crescimento global”, disse ele.

Fonte: Reuters/R7

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