Embargo dos EUA contra Irã afeta empresas brasileiras, diz Bolsonaro (Ag Brasil)

Publicado em 19/07/2019 20:41
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O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta sexta-feira (19) que empresas brasileiras foram alertadas, pelo governo, sobre embargos econômicos impostos pelos Estados Unidos contra o Irã, que podem afetar as relações comerciais entre o Brasil e o país islâmico. O presidente abordou o assunto ao ser questionado sobre a recusa da Petrobras em abastecer dois navios iranianos que estão, desde junho, ancorados próximos ao Porto de Paranaguá (PR). Com isso, eles ficam impedidos de retornar ao país de origem. A Petrobras teme violar a legislação norte-americana devido ao embargo, o que poderia trazer graves prejuízos para a empresa, que é grande exportadora de petróleo para os EUA e possui ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York.  

-- "Existe esse problema, os Estados Unidos, de forma unilateral, pelo que me consta, têm embargos levantados contra o Irã. As empresas brasileiras foram avisadas por nós desse problema e estão correndo o risco neste sentido e o mundo está ai", disse Bolsonaro.

Ele reafirmou sua aproximação do presidente dos EUA, Donald Trump, mas ressaltou que o Brasil seguirá sem intervir em conflitos de outros países. 

-- "Eu, particularmente, estou me aproximando cada vez mais do Trump, fui recebido duas vezes por ele, ele é a primeira economia do mundo, segundo mercado econômico. E hoje abri para jornalistas estrangeiros que o Brasil está de braços abertos para fazermos acordos, parcerias, para o bem dos nossos povos. O Brasil é um país que não tem conflito em nenhum lugar do mundo, graças a Deus, pretendemos manter nessa linha, mas entendemos que outros países têm problemas e nós aqui temos que cuidar dos nossos em primeiro lugar", disse.

Navios 

De acordo com a administração do Porto de Paranaguá, os navios iranianos Bavand e Termeh aguardam para abastecimento na baía do porto desde o início de junho. Nenhuma das embarcações movimentou ou vai movimentar carga pelos terminais paranaenses, e apenas fariam o abastecimento no local. O navio Bavand aguarda ancorado em frente ao porto. A embarcação já está carregada com 48 mil toneladas de milho, carga que foi operada no porto de Imbituba (SC). 

Já o navio Termeh aguarda, desde o dia 9 de junho, ancorado a cerca de 20 quilômetros do porto paranaense. A embarcação está vazia, e aguarda combustível para seguir rumo ao porto de Imbituba (SC), onde também receberá uma carga de milho que será exportado ao Irã.

Para abastecer, os navios não precisam atracar e recebem o combustível por barcaças. A Petrobras é a principal fornecedora. Procurada pela Agência Brasil, a estatal disse que outras empresas podem comercializar o combustível e que o risco envolvido na operação é de responsabilidade da empresa exportadora.  

"O risco envolvido na contratação de navios sancionados deve ser de responsabilidade da empresa exportadora e não da Petrobras, que não tem qualquer relação com as atividades comerciais da exportadora. A companhia reitera que não é a única fornecedora de combustível para embarcação no país", afirma a empresa.

A reportagem também tentou entrar em contato com a agência marítima que representa as embarcações no Paraná, a Unimar, mas a empresa não quis comentar o assunto. O impasse também está sendo tratado na Justiça.  

Exportações

O Irã é um importante destino de produtos agrícolas brasileiros. A balança comercial entre os dois países é amplamente favorável ao Brasil. Em 2018, por exemplo, foram exportados mais de US$ 2,26 bilhões de dólares para o país islâmico, enquanto o Brasil importou US$ 39,9 milhões, resultando em um saldo positivo de US$ 2,22 bilhões. 

O principal produto brasileiro vendido ao Irã é justamente milho em grãos, que representa 36% do total de exportações, seguido por soja (34%), farelo de soja (12%), carne bovina (12%) e  açúcar de cana (5,5%). 

Edifício-sede da Petrobras na Avenida Chile, centro do RioFernando Frazão/Agência Brasil     

Petrobras teme sofrer sanções caso abasteça navios iranianos

A Petrobras informou hoje (19), em comunicado ao mercado, que o motivo de não terem sido abastecidos dois navios iranianos que estão parados perto do Porto de Paranaguá, no Paraná, foi o fato de as embarcações e a empresa à qual eles pertencem estarem sob sanções aplicadas pelos Estados Unidos.

"A Petrobras não forneceu combustível à empresa exportadora, pois os navios iranianos por ela contratados e a empresa iraniana proprietária dessas embarcações encontram-se sancionados pelos Estados Unidos e constam da lista de Specially Designated Nationals and Blocked Persons List [Nacionais Especialmente Designados e Lista de Pessoas Bloqueadas] do Office of Foreign Assets Control [Ofac, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros]."

A empresa acrescentou que, caso venha a abastecer esses navios,"ficará sujeita ao risco de ser incluída na mesma lista, o que poderia ocasionar graves prejuízos à companhia", e que existem outras fornecedoras de combustível no país.

Os navios Bavand e Termeh estão parados desde o início de junho aguardando abastecimento. As embarcações vieram ao Brasil carregadas de ureia e deveriam retornar ao Irã abastecidas com milho brasileiro. 

A empresa exportadora que contratou os navios chegou a conseguir uma liminar na Justiça do Paraná ordenando que a Petrobras abastecesse os cargueiros. A petrolífera recorreu, e a decisão foi derrubada por uma liminar do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. A decisão, de caráter preliminar, ainda será analisada pelo plenário da corte. O nome da exportadora não foi divulgado porque esse processo corre em sigilo.

Desde novembro do ano passado, o presidente norte-americano Donald Trump vem impondo sanções contra o Irã com o argumento de que o país teria descumprido o acordo firmado, em 2015, com os Estados Unidos, o Reino Unido, a França, a China, a Rússia e a Alemanha.

Pelo acordo, o Irã concordou em limitar o enriquecimento de urânio, reformular um reator de água pesada em construção e que poderia produzir plutônio, usado em bombas atômicas; e permitir a realização de inspeções internacionais.

Com as sanções, pessoas físicas, embarcações, empresas de agenciamento marítimo, bancos e exportadores iranianos passaram a fazer parte da lista da Ofac, agência estadunidense de controle de ativos estrangeirose, que proíbe negócios entre empresas dos Estados Unidos com que integra a lista e também congela ativos no exterior. 

Irã detém navio britânico no estreito de Ormuz (em O Antagonista)

A Guarda Revolucionária do Irã anunciou hoje que capturou o petroleiro britânico Stena Impero enquanto cruzava o estreito de Ormuz. A região tem sido palco de tensão entre os iranianos e os Estados Unidos.

A BBC informou que a empresa dona do navio, Stena Bulk, emitiu um comunicado sobre o caso. Segundo ela, a embarcação tinha a Arábia Saudita como destino e contava com 23 tripulantes quando foi abordada por pequenas embarcações e um helicóptero.

“Estamos atualmente impossibilitados de entrar em contato com a embarcação, que agora está indo para o norte, em direção ao Irã. Não há relato de feridos e a segurança [dos tripulantes] é uma preocupação primordial para os proprietários e administradores.”

 

 

Fonte: Agencia Brasil/O Antagonista

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