Acordo EUA-China diminui incerteza global e ajuda Brasil a atrair investimento, diz Troyjo

Publicado em 14/12/2019 10:17 e atualizado em 14/12/2019 13:29
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BRASÍLIA (Reuters) - O alcance de um acordo comercial entre Estados Unidos e China é algo positivo para o Brasil independentemente da perspectiva de maiores compras pelo gigante asiático de produtos agrícolas norte-americanos, avaliou o secretário especial de Comércio Exterior e Assuntos Internacionais, Marcos Troyjo.

"O Brasil está trocando as telhas da sua casa macroeconômica, então é muito melhor você fazer isso num momento de sol brilhando lá fora, de estabilidade econômica, do que num momento de trovoadas e chuva pesada", avaliou ele à Reuters, nesta sexta-feira.

Troyjo frisou que o cenário global segue marcado por ampla liquidez, com estoque de poupança represada. A lógica é que, com as tensões comerciais amainadas, o apetite ao risco aumenta, guiando investimentos para destinos como o Brasil.

"Uma diminuição do nível de incerteza da economia global é algo que favorece muitos dos objetivos do Brasil de equilíbrio macroeconômico, de capitais disponíveis para investimento em infraestrutura, privatizações e concessões", afirmou o secretário.

Mais cedo nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e as autoridades chinesas disseram que concordaram com a fase um do acordo comercial, que inclui o corte de tarifas dos EUA sobre produtos chineses. 

Segundo o representante comercial norte-americano, Robert Lighthizer, a China concordou em comprar 32 bilhões de dólares em produtos agrícolas adicionais dos Estados Unidos ao longo de dois anos como parte do pacto comercial sendo negociado há meses por ambos os países.

Reagindo aos anúncios, os contratos futuros da soja em Chicago tocaram máxima de três semanas nesta sexta. A commodity é o principal produto que o Brasil exporta para a China, com o volume de vendas tendo se beneficiado em 2018 da imposição de restrições pela China à compra da soja dos Estados Unidos, em meio à guerra comercial. [nL1N28N1DS]

Neste ano, contudo, as exportações brasileiras de soja à China caíram, movimento que teve como pano de fundo a peste suína africana que varreu os rebanhos de porcos na China, diminuindo a demanda pelos grãos, que são chave na alimentação animal.

Para Troyjo, as relações comerciais entre China e Brasil seguirão sua toada. Ele lembrou também que o país conviveu nos últimos vinte anos com os EUA sendo também fornecedor de soja para a China, o que não impediu o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

"(A relação) tem uma dinâmica própria, o mercado chinês é gigantesco, nós estamos com boas relações com Pequim. O que a gente tem que fazer, que é mais uma lição de casa brasileira do que qualquer outra coisa, é agregar valor ao produto exportado e diversificar, aumentar o número total que a gente exporta pra China", disse.

Governo brasileiro avalia positivamente acordo entre EUA e China (Estadão)

O governo brasileiro recebeu positivamente a notícia de que Estados Unidos e a China concluíram a primeira fase de um acordo comercial. A avaliação entre integrantes da equipe econômica é que o acordo ajuda a dissipar tensões e pode contribuir para aumentar o comércio mundial, beneficiando o Brasil.

O secretário de Comércio Exterior do Ministério da Economia, Marcos Troyjo, disse à reportagem que as vantagens que o Brasil terá com o fim das incertezas causadas pela guerra comercial entre os dois países superam qualquer ganho pontual de mercado que o País teve com a disputa.

"Estamos trocando o telhado da nossa 'casa macroeconômica' e é muito melhor fazer isso com tempo firme do que com chuva pesada lá fora. Para um País que precisa entrar em ritmo vigoroso de privatizações e concessões, um cenário de estabilidade é muito melhor do que um cenário de incerteza", avalia.

Segundo a reportagem apurou, a promessa de que a China comprará mais produtos agrícolas dos Estados Unidos não é vista, pelo governo brasileiro, como uma ameaça. A avaliação é que há espaço para os produtos brasileiros e norte-americanos no vasto mercado chinês - a exportação brasileira para a China vinha crescendo mesmo antes da guerra comercial e ante a concorrência dos produtos dos Estados Unidos.

Além disso, o Brasil quer exportar produtos com maior valor agregado para a China, mesmo no setor agrícola - como carne maturada, peixes congelados, suínos cortados - e esse é um desafio para os próximos anos.

Acordo

Nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou que o país chegou a um acordo inicial "muito amplo" com a China. Por isso, a elevação de tarifas de 10% para 15% sobre cerca de US$ 156 bilhões em bens, que estava prevista para o próximo domingo, não entrará em vigor. "Nós vamos começar as negociações da fase 2 do acordo imediatamente, em vez de esperar até depois das eleições de 2020", escreveu, em sua conta no Twitter.

Analistas veem ganho para Brasil com acordo entre EUA e China

O crescimento econômico global e o avanço do comércio internacional poderão mais que compensar as perdas que o Brasil terá no setor agrícola após o acordo entre Estados Unidos e China. Na avaliação de economistas, com a economia mundial mais forte, há uma perspectiva positiva em relação às commodities metálicas, como o minério de ferro, que são importantes para o Brasil.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio Leal, o avanço nas negociações entre Estados Unidos e China melhora as perspectivas para o crescimento mundial em 2020 e, portanto, é positivo para o Brasil, apesar de haver a possibilidade de o acordo prejudicar as exportações de commodities agrícolas brasileiras para os chineses. "Qualquer avanço nas conversas diminui a probabilidade de rompimento, o mercado fica mais tranquilo e o crescimento mundial pode surpreender pra cima."

O economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, tem opinião semelhante. Na avaliação dele, o Brasil perderá em termos marginais uma demanda que teria a mais caso houvesse uma substituição de importações chinesas do Brasil em detrimento dos Estados Unidos. "Entretanto, o que podemos ganhar com a ampliação do crescimento global e do comércio mais do que compensa esse possível ganho agrícola, que é muito mesquinho."

Otimismo

No agronegócio, no entanto, as previsões são otimistas. Durante a briga com os Estados Unidos, os chineses elevaram suas importações do Brasil, especialmente de soja. Com um acordo, eles poderiam voltar a comprar grãos dos americanos e diminuir a demanda pelo produto brasileiro.

Mas na opinião do vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Gustavo Chavaglia, o Brasil conseguiu - nesse período de divergências entre China e Estados Unidos - consolidar as relações com o país asiático, atendendo toda a demanda existente. "Fomos uma boa alternativa para a China porque temos capacidade de suprir as necessidades deles."

Ele conta que, nos últimos meses, recebeu uma série de delegações chinesas para conhecer as instalações brasileiras. Todas tinham o mesmo questionamento, se o Brasil teria capacidade de atender a demanda deles. "Respondemos isso na prática", afirmou o executivo da Aprosoja Brasil. Nesse movimento, as exportações subiram de 75 milhões para 90 milhões de toneladas - um aumento de 20% em relação ao período anterior.

Pelo esforço dos últimos meses, ele acredita que o Brasil ficará com uma grande fatia do mercado chinês. Para a próxima safra (19/20), a expectativa é de produzir 123 milhões de toneladas de soja, se as condições climáticas não se alterarem. Isso significaria um aumento 6% em relação a última safra. "E não trabalhamos com queda nas exportações. Estamos otimistas."

Leal, do Banco ABC Brasil, acrescenta que a China deve aumentar a sua demanda por grãos, em razão da gripe suína. "Eles vão ter de recompor seus rebanhos de porcos com outra qualidade para evitar novos episódios."

Acordos bilaterais. No setor de carnes, o acordo entre China e Estados Unidos também não deve ter efeitos negativos. A diretora executiva da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Liège Nogueira, explica que o tipo de produto exportado pelo Brasil para a China é diferente daquele vendido pelos Estados Unidos. "Todo aumento de exportação que tivemos recentemente é resultado de trabalhos para fechar acordos bilaterais, não por causa da guerra comercial entre os dois países."

A executiva afirma, entretanto, que uma possível retomada de compras de carnes gourmets dos Estados Unidos pode afetar o preço mundial e, logicamente, o Brasil. Mas ela não acredita que isso vá mudar os planos do setor, que trabalha para habilitar novas plantas no ano que vem para exportar para a China.As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Acordo comercial EUA-China condiciona redução de tarifas a compras de produtos agrícolas

WASHINGTON/PEQUIM (Reuters) - Os Estados Unidos e a China amenizaram sua guerra comercial nesta sexta-feira, anunciando a "fase um" de um acordo que reduz algumas tarifas dos EUA em troca do aumento das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos e outros bens.

Pequim concordou em comprar 32 bilhões de dólares em produtos agrícolas adicionais nos próximos dois anos, disseram autoridades dos EUA, a partir dos 24 bilhões de dólares adquiridos em 2017, antes do início da guerra comercial. A China também aumentaria as compras de bens manufaturados, energia e serviços dos EUA.

Os Estados Unidos suspenderiam tarifas sobre produtos chineses que entrariam em vigor no próximo domingo e reduziria outras, disseram autoridades. A expectativa é que um acordo seja assinado na primeira semana de janeiro, em Washington, pelos principais negociadores.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse no Twitter na manhã desta sexta-feira: "Concordamos com um acordo muito grande da primeira fase com a China". As autoridades chinesas "concordaram com muitas mudanças estruturais e compras maciças de produtos agrícolas, energia e manufaturados, além de muito mais", afirmou ele.

Posteriormente, durante uma entrevista coletiva na Casa Branca, Trump disse achar que a China alcançaria o valor de 50 bilhões de dólares em compras agrícolas.

Em uma coletiva de imprensa na noite de sexta-feira em Pequim, autoridades chinesas disseram que os dois países alcançaram grandes progressos em suas negociações comerciais para a primeira fase e que concordaram com o texto de um acordo, mas não ofereceram detalhes específicos sobre a quantidade de mercadorias norte-americanas que Pequim concordou em comprar.

O acordo foi anunciado quando o Comitê Judiciário da Câmara dos EUA votou em Washington para acusar Trump de abuso de poder e obstrução durante um inquérito de impeachment.

Alguns grupos empresariais dos EUA saudaram o acordo como um fim à incerteza que tem desacelerado o crescimento global. Críticos questionaram se a guerra comercial valia as perdas de empregos e a queda nas vendas.

Os mercados norte-americanos oscilaram com base em rumores e vazamentos sobre a negociação comercial nos últimos meses, mas tinham poucas variações nesta sexta com a notícia do acordo.

COMPRAS AGRÍCOLAS

A China concordou em tentar comprar 50 bilhões de dólares em produtos agrícolas por ano, disse Robert Lighthizer, representante de comércio dos Estados Unidos, a repórteres na Casa Branca nesta sexta-feira.

Para alcançar a marca, Pequim se comprometeu a comprar 16 bilhões de dólares a mais por ano em produtos agrícolas pelos próximos dois anos, disse ele.

Os Estados Unidos têm pressionado pelo valor de 50 bilhões de dólares depois de Trump dizer, durante entrevista coletiva em 11 de outubro, que os dois países haviam concordado com a "Fase um" de um acordo comercial, a qual incluía "uma compra de 40 (bilhões de dólares) a 50 bilhões de dólares em produtos agrícolas".

Desde então, Pequim se recusou a se comprometer a comprar uma quantidade específica de produtos agrícolas durante um certo período de tempo. As autoridades chinesas disseram que gostariam de poder comprar com base nas condições do mercado.

A China importará mais trigo, milho e arroz dos EUA após o acordo, disse o vice-ministro da Agricultura da China nesta sexta-feira, sem dar detalhes.

A China não foi um grande comprador de milho, trigo ou arroz nos EUA no passado, embora nos últimos anos tenha sido o terceiro ou quarto maior comprador de uma variedade específica de trigo, o trigo de primavera dos EUA utilizado para blends com outros cereais.

A China foi um dos cinco principais compradores de milho dos EUA entre 2011 e 2014, mas, desde então, não tem sido um grande comprador.

A soja representou metade das compras agrícolas da China em 2017. Foi aberto, desde então, um buraco na demanda, porque os rebanhos de porcos que se alimentam da oleaginosa foram reduzidos pela peste suína africana.

Questionados especificamente sobre o número de 50 bilhões de dólares citado por Trump, autoridades de Pequim disseram nesta sexta-feira que detalhes sobre o valor serão divulgados depois.

Lighthizer não forneceu detalhes sobre os compromissos chineses de importar energia dos EUA ou outros produtos.

REDUÇÕES TARIFÁRIAS

Os EUA concordaram em suspender as tarifas sobre 160 bilhões de dólares em produtos chineses, que entrariam em vigor em 15 de dezembro, disse Trump no Twitter, além de reduzir algumas tarifas existentes para 7,5%.

As alíquotas de 15 de dezembro --que alcançariam quase 160 bilhões de dólares em bens de consumo fabricados na China, incluindo telefones celulares, laptops, brinquedos e roupas-- deveriam entrar em vigor às 00h01 do domingo. O escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) precisaria registrar um aviso no Diário Oficial dos EUA para rescindi-las, dizem advogados de comércio dos EUA.

Um comunicado divulgado pelo USTR nesta sexta-feira não mencionou as tarifas de 15 de dezembro, mas disse que os Estados Unidos manteriam tarifas de 25% sobre 250 bilhões de dólares em mercadorias chinesas.

Já para outra lista de importações chinesas, equivalente a 120 bilhões de dólares, o governo Trump diminuirá a taxa tarifária pela metade, para 7,5%, sobre 120 bilhões de dólares, cobrada desde 1º de setembro.

Entre os produtos a serem beneficiados com tarifas mais baixas estão aparelhos de televisão de tela plana, alto-falantes inteligentes, fones de ouvido Bluetooth e muitos tipos de calçados.

A China também concordou em suspender tarifas retaliatórias, visando bens que variam de milho e trigo a veículos norte-americanos e autopeças, que entrariam em vigor em 15 de dezembro.

PROTEÇÕES À PROPRIEDADE INTELECTUAL

Inicialmente, a Casa Branca sob o governo Trump havia estabelecido planos ambiciosos para reestruturar o relacionamento dos Estados Unidos com a China, incluindo tratar dos resultados da investigação do Escritório do Representante de Comércio dos EUA em 2018, que concluiu haver práticas "injustas, irracionais e que distorcem o mercado" por parte de Pequim.

De forma bipartidária, existe amplo apoio à tentativa de Trump de responsabilizar a China por anos de espionagem econômica, ataques cibernéticos, transferência forçada de tecnologia e a tática de redução do preço feitos via pesados ​​subsídios do governo.

O acordo desta sexta-feira abarca propriedade intelectual, transferência de tecnologia, agricultura, serviços financeiros, moeda e câmbio, disse o Representante de Comércio dos Estados Unidos em comunicado.

O acordo fornecerá mais proteção para empresas estrangeiras na China e empresas chinesas nos Estados Unidos, disseram autoridades chinesas.

Nenhum dos lados deu mais detalhes.

A Business Roundtable, um grupo de executivos das maiores empresas dos EUA, disse: "Essa diminuição nas tensões comerciais é um passo positivo para resolver importantes questões comerciais e de investimento entre nossas duas nações".

Chris Murphy, o senador de Connecticut, o classificou de "rendição total", dizendo que a China havia assumido "zero compromissos duros com a reforma estrutural".

Lighthizer disse a repórteres nesta sexta-feira que ambos os lados poderiam começar a negociar questões mais difíceis antes das eleições de novembro de 2020.

"Isso é muito difícil", disse ele. "Temos sistemas diferentes. Temos que descobrir uma maneira de integrar esses sistemas e levá-los a um lugar em que beneficie mais os Estados Unidos do que agora".

China comprará US$ 32 bi adicionais em produtos agrícolas dos EUA por 2 anos, diz Lighthizer

WASHINGTON (Reuters) - A China concordou em comprar 32 bilhões de dólares em produtos agrícolas adicionais dos Estados Unidos ao longo de dois anos como parte da fase 1 do pacto comercial sendo negociado há meses por ambos os países, disse o representante comercial norte-americano, Robert Lighthizer, acrescentando que o acordo será assinado na primeira semana de janeiro de 2020.

Como parte do acordo, Pequim concordou em comprar 16 bilhões de dólares a mais em produtos agrícolas norte-americanos em cada um desses anos, com o valor total ficando acima do patamar visto em 2017, de 24 bilhões de dólares, acrescentou Lighthizer, embora Pequim tenha concordado em se esforçar para atingir 5 bilhões de dólares em compras adicionais a cada ano.

O valor somaria-se às compras de 40 bilhões a 50 bilhões de dólares pela China, prometidas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ao anunciar o acordo pela primeira vez, em 11 de outubro.

No geral, a China se comprometeu com importantes mudanças estruturais e com a compra de 200 bilhões de dólares a mais em bens e serviços norte-americanos ao longo de dois anos, com foco em quatro áreas --manufaturados, energia, agricultura e serviços, disse Lighthizer.

O acordo, sacramentado em negociações minuciosas entre os dois lados nos últimos dois meses, pode encerrar 17 meses de tarifas retaliatórias, que abalaram os mercados financeiros e afetaram o crescimento global.

Lighthizer disse que haverá metas específicas para compras chinesas de determinados produtos, mas que elas não serão divulgadas publicamente para evitar distorções nos mercados.

Ele assegurou que o acordo comercial está em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), acrescentando que a China estará livre para comprar coisas quando "for o momento perfeito para se comprar coisas".

O acordo reduzirá algumas tarifas norte-americanas sobre produtos chineses e adiará indefinidamente as taxas adicionais de 15% que deveriam entrar em vigor no domingo, disse Lighthizer. A redução das tarifas passará a valer 30 dias após a assinatura do acordo, que provavelmente ocorrerá em Washington no início de janeiro.

Mesmo assim, o representante comercial admitiu que ainda há muito trabalho a ser feito. As discussões sobre a próxima fase do acordo terão início em um momento apropriado, disse ele, acrescentando que Trump não deseja esperar até depois das eleições presidenciais de 2020.

Fonte: Reuters/Agencia Estado

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