BCE recua após Lagarde estragar mensagem sobre medidas ante coronavírus

O Banco Central Europeu iniciou uma ação defensiva sem precedentes nesta sexta-feira, depois que a presidente do BCE, Christine Lagarde, chamou a atenção de investidores e até de chefes de Estado pelo que consideraram uma resposta desajeitada ao surto de coronavírus.
O BCE forneceu novos estímulos na quinta-feira para apoiar a economia da zona do euro devido à pandemia, mas Lagarde assustou os mercados ao dizer que não era tarefa do BCE ajudar países afetados por vírus que enfrentam dificuldades nos mercados de dívida, como a Itália.
Ela voltou atrás no comentário depois de uma forte venda de títulos do governo italiano e o economista-chefe do BCE, Philip Lane, reforçou a mensagem de apoio no dia seguinte.
"Não toleraremos riscos à transmissão tranquila de nossa política monetária em todas as jurisdições da zona do euro", disse Lane em um post de blog nesta sexta-feira.
Mas o dano foi feito. Os presidentes da Itália e da França, ambos firmemente pró-Europa, deram os raros passos de criticar publicamente o BCE por, respectivamente, não mostrar solidariedade e fazer muito pouco para apoiar a economia.
Uma autoridade do BCE disse que o erro foi um lembrete dos antecedentes de Lagarde como política e advogada. "Sabíamos que isso aconteceria em algum momento", disse a autoridade à Reuters sob condição de anonimato. "As menores nuances são importantes aqui. É importante dizer a coisa certa, exatamente na hora certa."
O BCE recusou-se a comentar.
François Villeroy de Galhau, presidente do banco central da França, juntou-se a Lane na correção da mensagem, argumentando que o BCE está disposto a desviar-se de sua regra autoimposta de que as compras de títulos devem ser feitas em sincronia com a participação de cada um dos 19 países membros da zona do euro.
"Se houver riscos de fragmentação, usaremos toda a flexibilidade possível, o que significa que para compras de dívida pública podemos nos distanciar temporariamente das regras de capital dos países e comprar mais da dívida de alguns e menos de outros", disse Villeroy à Radio Classique da França.
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