Dólar vai abaixo de R$5,30 em 6° pregão consecutivo de perdas com exterior otimista

Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliava a queda contra o real nesta quarta-feira, indo abaixo de 5,30 reais e caminhando para o sexto pregão consecutivo de perdas diante da recuperação do apetite por risco no exterior, embora as tensões entre Estados Unidos e China continuassem no radar dos investidores.
Às 10:27, o dólar recuava 1,38%, a 5,2858 reais na venda, enquanto o contrato mais líquido de dólar futuro tinha queda de 1,33%, a 5,285 reais. Na mínima do dia, o dólar spot foi a 5,2798 reais..
Elevando os ânimos dos mercados internacionais nesta quarta-feira, a Comissão Europeia apresentou um plano de recuperação no valor total de 1,85 trilhão de euros para ajudar o bloco econômico a se recuperar dos fortes impactos do coronavírus.
Segundo Marcos Trabbold, operador de câmbio da B&T Corretora, os estímulos da Europa deixaram os mercados mais otimistas, o que abre espaço para a possibilidade de queda ainda mais ampla no dólar.
A sequência de perdas acontece depois que o dólar ficou a poucos centavos de superar a marca histórica de 6 reais em meados de março, impulsionado por um ambiente de juros baixos e incertezas políticas e econômicas.
Segundo analistas, as esperanças de retomada das atividades nas principais economias, medidas massivas de estímulo no exterior e um alívio no clima político brasileiro nos últimos dias têm garantido a recuperação do real. Na última sessão, o dólar negociado no mercado interbancário fechou em queda de 1,80%, a 5,3599 reais na venda.
No entanto, a retomada das tensões entre os Estados Unidos e a China continuava no foco dos investidores nesta quarta-feira, alertou Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora, em nota.
A agitação social em Hong Kong, decorrente de uma legislação de segurança anunciada pela China, levou a ameaças de sanções por parte dos Estados Unidos, depois que, na terça-feira, um assessor econômico da Casa Branca disse que o presidente norte-americano, Donald Trump, está tão "irritado" com Pequim devido ao novo coronavírus que o acordo comercial entre os dois países não é mais tão importante para ele.
Por enquanto, "em que pese o ambiente de tensão entre as duas superpotências econômicas, predomina o bom humor de parte dos investidores internacionais", escreveu Gomes da Silva.
O Banco Central realizará nesta quarta-feira leilão de swap tradicional para rolagem de até 12 mil contratos com vencimento em setembro de 2020 e fevereiro de 2021.
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