Dólar corrige para cima após série de quedas; mercado aguarda Fed

Por José de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta ante o real nesta terça-feira, com o mercado de câmbio doméstico seguindo uma correção global nesta sessão, depois de dias de frenético rali em ativos de risco por causa do otimismo com a recuperação econômica.
O dólar à vista subiu 0,69%, a 4,8885 reais na venda.
Na B3, o dólar futuro tinha ganho de 1,41%, a 4,8960 reais, às 17h19.
A cotação vinha de 11 quedas dentre 14 pregões e na véspera acumulou baixa de 17,73% desde a máxima recorde de fechamento --de 5,9012 reais, alcançada em 13 de maio.
Também na segunda, a divisa rompeu pela primeira vez desde janeiro a média móvel de 100 dias, indicador técnico acompanhado de perto pelo mercado que, se tocado, pode atrair compras.
No exterior, o dólar subia contra outras divisas emergentes neste pregão, também após dias de perdas. No mercado de ações, o índice S&P 500 da Bolsa de Nova York fechou em queda, e o brasileiro Ibovespa pôs fim a uma série de sete altas consecutivas.
Para Ettore Marchetti, sócio e cofundador da Trafalgar Investimentos, o câmbio no atual patamar não parece estar desnivelado em relação ao equilíbrio de curto prazo, o que pode reduzir o espaço para quedas adicionais daqui para frente.
Além disso, ele chama atenção para o risco de novamente o tema política monetária influenciar as cotações, já que, em sua avaliação, o Banco Central tem soado mais "dovish" --em linhas gerais, inclinado a mais cortes de juros-- do que antes.
"É uma novidade de política monetária chance de o juro ir a 2%", afirmou. A desvalorização do real nos últimos tempos tem sido associada também à queda nas taxas de retorno da renda fixa brasileira, na esteira do declínio da taxa básica de juros (Selic) a mínima recordes e ao aumento da percepção de risco para o país. A Selic está em 3% ao ano.
"Taticamente, estamos comprados em dólar, porque o equilíbrio de curto prazo está mais para 5,10 reais, 5,15 reais", completou.
Ainda sobre política monetária, o foco dos mercados na quarta se volta para o Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos). Não se esperam grandes mudanças nas medidas atuais, mas investidores vão analisar com lupa avaliações dos membros do BC norte-americano sobre a atividade econômica e talvez o rali dos mercados nas últimas semanas.
Ibovespa quebra série de sete altas e realiza lucro
SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta terça-feira, quebrando uma sequência de sete pregões de alta, que abriu espaço para realização de lucros, em meio à euforia nos mercados com a reabertura de economias em um cenário de elevada liquidez global e taxas de juros muito baixas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,92%, a 96.746,55 pontos, após acumular um ganho de mais de 12% nos últimos sete pregões. O volume financeiro somou 31,265 bilhões de reais.
A correção no pregão brasileiro teve como pano de fundo ajustes também em Wall Street, embora o Nasdaq tenha conseguido fechar no azul e renovar máxima histórica. O Dow Jones e o S&P 500, por sua vez, terminaram com sinal negativo.
Na visão da Elite Investimentos, o movimento de realização de lucros tomou conta dos mercados, que também aguardam decisão de política monetária nos Estados Unidos nesta quarta-feira, quando se espera manutenção da taxa de juros e dos estímulos para o enfrentamento da crise desencadeada pelo Covid-19.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN perdeu 3,6%, apesar da alta do petróleo, após a ação subir mais de 5% nos dois últimos pregões. PETROBRAS ON fechou em queda de 2,83%.
- EMBRAER ON cedeu 3,64%, após acumular ganho de mais de 50% na sequência de sete altas até a véspera em meio a ruídos sobre um novo parceiro após o fracasso do acordo com a norte-americana Boeing.
- CSN ON caiu 3,21%, entre as maiores quedas, sofrendo com a correção generalizada a bolsa. A companhia também comunicou na véspera que concluiu as negociações para reperfilamento de 300 milhões de reais em dívidas com a Caixa Econômica Federal. No setor, GERDAU PN perdeu 3,48%.
- IRB BRASIL ON saltou 12,51%, mantendo a trajetória de recuperação, embora ainda responda pelo pior desempenho do Ibovespa no acumulado do ano, em meio a uma série de de adversidades envolvendo a resseguradora.
- VALE ON subiu 0,38%, apesar do recuo dos preços do minério de ferro na China.
- ITAÚ UNIBANCO PN caiu 1,97% e BRADESCO PN perdeu 2,22%, passando por realização de lucros após altas recentes expressivas. BANCO DO BRASIL ON recuou 1,65%.
- IGUATEMI ON fechou em alta de 4,86%, com o setor de shopping centers entre os destaques positivos do Ibovespa, em meio a expectativas de que a capital paulista libere ainda nesta semana a reabertura desses empreendimentos.
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