50 manifestantes bolsonaristas protestam em frente ao quartel-general do Exército

Publicado em 14/06/2020 15:14 142 exibições

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Impedidos de entrar na Esplanada dos Ministérios, cujo acesso para veículos e pedestres está proibido desde 0h deste domingo, cerca de 50 manifestantes estão no quartel-general do Exército, no Setor Militar Urbano, em um ato a favor do governo. Eles pedem a presença do presidente Jair Bolsonaro na manifestação.

Parte desses manifestantes decidiu seguir em carreata para o Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal, aos gritos de "Ibaneis Ditador", em referência ao governador do DF, Ibaneis Rocha. Neste momento, o Eixo Monumental está fechado devido ao protesto.

O QG do Exército já foi palco de protesto contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) e favorável à intervenção militar antes, no dia 19 de abril. Nesse dia, Bolsonaro prestigiou o ato e discursou sobre uma caminhonete. A manifestação foi criticada não apenas pelo caráter antidemocrático, mas também pelo simbolismo da escolha do local, sede das Forças Armadas, que representam uma instituição de Estado, e não de governo, e causou desconforto na cúpula militar.

Também desagradou parte da cúpula de militares da ativa o teor da nota divulgada na noite de sexta-feira, 12, assinada pelo presidente Jair Bolsonaro, pelo vice-presidente general Hamilton Mourão e pelo ministro da Defesa, general Fernando Azevedo. Ela foi interpretada por alguns oficiais-generais da ativa como mais uma tentativa de uso político das Forças Armadas, segundo apurou o Estadão/Broadcast.

Na avaliação desses militares, mais uma vez, em reação a movimentos do Supremo Tribunal Federal e agora, também do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a respeito da possível cassação da chapa Bolsonaro-Mourão, o presidente da República reage com declarações que são interpretadas como ameaças veladas e descabidas de emprego das Forças Armadas - como se elas fossem um instrumento ao alcance de suas mãos. O entendimento é de que toda essa gritaria é uma ação midiática para atender ao presidente Bolsonaro, que insiste nesse clima de tensão e enfrentamento para manter a sua militância ativa e aguerrida.

Ataque ao STF

Neste sábado, 13, à noite, um grupo de pessoas autodenominado "300 do Brasil" simulou, com fogos de artifício, um ataque ao STF. Os fogos foram disparados às 21h30 na direção do edifício principal do Supremo, na Praça dos Três Poderes, enquanto os manifestantes xingavam ministros.

"Isso para mostrar ao STF e ao (Governo do Distrito Federal) GDF que nós não vamos ‘arregar’. Repararam que ângulo dos fogos está diferente da última vez? Se preparem, Supremo dos bandidos", ameaçou um manifestante em vídeo nas redes sociais.

"Desafiem o povo. Vocês vão cair. Nós vamos derrubar vocês, seus comunistas", ameaça um manifestante em outro vídeo, no qual também xinga o ministro do STF, Gilmar Mendes.

Esse foi mais um ato realizado pelo grupo liderado pela militante Sara Winter, ex-assessora de confiança da ministra Damares Alves, da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Após ter acampamentos ilegais desmantelados pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), cerca de uma dúzia de manifestantes invadiu a cúpula do Senado. O grupo deixou o prédio do Congresso pacificamente após intervenção da Polícia Legislativa.

Na manhã de sábado, agentes da PMDF, do Corpo de Bombeiros e da Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) desmontaram e recolheram faixas, material de lona e estrutura metálica dos acampamentos. A PM usou gás de pimenta para dispersar um pequeno grupo que resistiu à ação.

Esplanada fechada

Neste sábado, 13, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) decretou o fechamento da Esplanada dos Ministérios durante todo o domingo. No texto, Ibaneis cita "ameaças declaradas por alguns dos manifestantes" e destaca necessidade de "contenção de riscos, danos e agravos à saúde pública". A medida proíbe trânsito de veículos e determina acesso aos prédios apenas por autoridades, da 0h até as 23h59 de domingo.

O texto prevê que manifestações poderão ser realizadas, "desde que comunicada com antecedência e devidamente autorizada pelo Secretário de Segurança do Distrito Federal". O governo local, no entanto, não informou se há algum protesto marcado para este domingo com autorização para ocorrer.

Mesmo com a proibição para pedestres e veículos na Esplanada dos Ministérios, cerca de 15 apoiadores do presidente Jair Bolsonaro chegaram a circular pela Praça dos Três Poderes com bandeiras. Policiais militares, no entanto, convenceram essas pessoas a deixar o local.

Em suas redes sociais, Sara Winter acusou o governador Ibaneis Rocha de "ditador" e cobrou a revogação do decreto que fechou a Esplanada, "Revogue agora mesmo esse decreto inconstitucional ou haverá consequências! Se você tirar o direito de ir e vir do povo, tiraremos o seu também!", escreveu.

Protest against the Brazilian Supreme Federal Court in Brasilia
  • Apoiadora de Bolsonaro durante ato em Brasília 14/6/2020 REUTERS/Adriano Machado

  • (Reuters) - O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), fechou a Esplanada dos Ministérios para carros e pedestres neste domingo, impedindo a realização de protestos em um local onde apoiadores do presidente Jair Bolsonaro tradicionalmente se reúnem aos domingos para manifestar apoio ao governo e atacar os demais Poderes.

    A decisão foi tomada por decreto publicado na noite de sábado depois que um grupo de apoiadores de Bolsonaro subiu na parte externa do prédio do Congresso Nacional e tentou invadir áreas restritas, após ser expulso mais cedo pela polícia do DF de um acampamento na Esplanada.

    O acampamento era do grupo "Os 300 do Brasil", de inspiração paramilitar, que se autodenomina como movimento de militância bolsonarista.

    Na noite de sábado, apoiadores do presidente também protestaram em frente ao prédio do Supremo Tribunal Federal (STF) e lançaram fogos de artifício em frente ao local.

    "O fechamento leva em consideração as aglomerações verificadas na Esplanada nos últimos dias. Manifestações que contrariam as normas sanitárias de combate ao novo coronavírus. O governo também está atento às ameaças declaradas, por alguns manifestantes, aos Poderes constituídos", disse o governo do DF em nota sobre o decreto. O trânsito de veículos e pedestres foi "proibido entre 00h e 23h59 deste domingo", segundo a medida.

    Apoiadores de Bolsonaro têm realizado protestos semanalmente aos domingos na Esplanada com pedidos de fechamento do Congresso e do Supremo Tribunal Federal (STF). O próprio presidente costuma comparecer aos atos em frente ao Palácio do Planalto para cumprimentar os manifestantes.

    Com o fechamento da Esplanada neste domingo, apoiadores do presidente se reuniram em outros pontos da capital federal, incluindo próximo ao quartel-general do Exército, de acordo com imagens exibidas ao vivo pela CNN Brasil.

    O decreto do governo do DF acrescentou que manifestações na Esplanada dos Ministérios serão admitidas desde que comunicadas com antecedência e autorizada pela Secretaria de Segurança.

Fonte:
Estadão Conteúdo/Reuters

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