Sauditas oferecem corte extra e Opep+ fecha acordo sobre produção de petróleo

Por Vladimir Soldatkin e Shadia Nasralla e Alex Lawler
MOSCOU/LONDRES (Reuters) - A Arábia Saudita fará cortes voluntários de produção de petróleo em fevereiro e março como parte de um acordo para convencer os membros da Opep+ a manter seus níveis de bombeamento estáveis, em meio a preocupações de que novos lockdowns relacionados ao coronavírus afetem a demanda.
Duas fontes da Opep+ afirmaram que os sauditas farão cortes de produção de mais de 400 mil barris por dia (bpd) nos próximos dois meses, além das restrições que o país já tem aplicado sobre sua oferta.
Dois países produtores --Rússia e Cazaquistão-- terão permissão para, em conjunto, aumentar o bombeamento em 75 mil bpd em fevereiro e em outros 75 mil bpd em março, segundo o ministro de Energia cazaque.
O restante da Opep+ vai manter a produção estável, o que significa que os cortes totais do grupo deverão atingir cerca de 7,05 milhões de bpd até março, indicou a versão preliminar de um comunicado vista pela Reuters, excluindo os cortes adicionais voluntários planejados pela Arábia Saudita.
O acordo da Opep+, com complexidade pouco usual nesses acertos entre o grupo, que reúne os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados incluindo a Rússia, ocorre após debates que forçaram um segundo dia de negociações.
Rússia e Cazaquistão eram favoráveis a um aumento de produção de 500 mil bpd pelo grupo, enquanto outros países defendiam que não houvesse elevação da oferta.
Um documento interno da Opep+ visto pela Reuters, datado de 4 de janeiro, destacou riscos baixistas e alertou que "a retomada de medidas de contenção da Covid-19 em todos os continentes, incluindo lockdowns totais, está afetando a recuperação da demanda por petróleo em 2021."
Os países produtores da Opep+ têm promovido cortes de bombeamento desde janeiro de 2017, visando dar suporte aos preços e reduzir o excesso de oferta da commodity.
Com os impactos da pandemia de Covid-19 sobre a demanda por gasolina e combustível de aviação, que derrubaram os preços do petróleo Brent, a Opep+ foi forçada a aumentar os cortes de produção, que chegaram a um recorde de 9,7 milhões de bpd em meados de 2020.
Neste mês, com o Brent ao redor de 50 dólares por barril, a Opep+ elevou a produção em 500 mil bpd, levando seus cortes a 7,2 milhões de bpd.
(Reportagem de Alex Lawler e Ahmad Ghaddar em Londres, Rania El Gamal em Dubai, Vladimir Soldatkin e Olesya Astakhova em Moscou)
0 comentário
Minério de ferro de Dalian cai apesar de indicação de greve na BHP
Autoridades do BCE mantêm em aberto possibilidade de alta dos juros em julho
Memorando de paz entre EUA e Irã pode ser assinado no domingo em Genebra, diz fonte
Governo Lula acelera ações com apelo popular antes de restrições do calendário eleitoral
Refinarias brasileiras alimentaram esquema ligado ao PCC, segundo fonte e documentos
Índice de Xangai registra primeiro avanço semanal em um mês