Ministros do STF se unem e devem confirmar em plenário decisão de prender deputado

Por Ricardo Brito
BRASÍLIA (Reuters) - Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) conversaram previamente à ordem de prisão expedida na terça-feira à noite contra o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) que os ofendeu em um vídeo divulgado nas redes sociais e, num sinal de união da corte, devem confirmar na tarde desta quarta-feira a decisão de Alexandre de Moraes de prender o parlamentar, disseram à Reuters fontes a par do caso.
Silveira fez graves acusações a ministros do Supremo, defendendo a destituição de magistrados e uma apologia ao AI-5, mais duro ato da ditadura militar que restringiu uma série de liberdades individuais.
Moraes e os demais ministros conversaram entre si para alinhar uma posição majoritária e posteriormente houve a comunicação da decisão ao presidente da Câmara, Artur Lira (PP-AL), informaram as fontes.
Nesta manhã, Lira anunciou a convocação de uma reunião no início da tarde para tratar da detenção do parlamentar. O plenário da Câmara pode derrubar a decisão de Moraes que determinou a prisão de Silveira.
"Convoquei reunião extraordinária da Mesa para as 13h e na sequência, Colégio de Líderes. Vamos, em conjunto, avaliar e discutir a prisão do deputado Daniel Silveira", disse o presidente da Câmara no Twitter.
Em meio às tratativas do STF, o presidente da corte, Luiz Fux, também decidiu pautar como o primeiro item da sessão das 14h a análise sobre a decisão de Moraes. A tendência é que haja uma confirmação unânime ou amplamente majoritária --uma das dúvidas seria o voto do ministro Marco Aurélio Mello, disseram duas fontes.
Uma das fontes relatou que a discussão se dará em torno do artigo 53 da Constituição Federal, que diz que os parlamentares são invioláveis civil e penalmente por quaisquer opiniões, palavras e votos. Mas o mesmo artigo destacou que os congressistas não poderão ser presos após serem diplomados, exceto se for em flagrante de crime inafiançável --foi essa hipótese usada por Moraes para determinar a detenção de Silveira.
"O deputado não merece a proteção da inviolabilidade parlamentar", disse uma das fontes do Supremo.
Silveira é um aliado do presidente Jair Bolsonaro no Congresso, e é conhecido por discursos inflamados contra o STF. Até o momento, nenhuma autoridade do governo se pronunciou sobre o caso.
Essa não é a primeira vez que um parlamentar tem contra si uma ordem de prisão por crime inafiançável. Em 2015, o então senador Delcídio Amaral (na época PT-MS) foi detido por obstrução de Justiça nas investigações da operação Lava Jato.
Na ocasião, a Segunda Turma do Supremo confirmou por unanimidade em uma sessão extraordinária a medida determinada por Teori Zavascki, então relator da Lava Jato que depois morreu em um acidente aéreo.
O plenário do Senado, posteriormente, manteve a prisão contra Delcídio, que acabou sendo cassado pelos próprios pares.
0 comentário
Alemanha espera que tarifas dos EUA sobre importações da UE permaneçam dentro do acordo de 2025
Consumidores da zona do euro reduzem algumas expectativas de inflação, mostra pesquisa do BCE
UE acelera acordo comercial com o Mercosul
Ucrânia abate drone perto da fronteira com Romênia, diz Bucareste
Ações chinesas fecham semana em alta com otimismo em relação ao setor de tecnologia
Ibovespa fecha com declínio tímido ditado por Vale em pregão com balanços no foco