"Se dependesse de mim, não seria este o regime que estaríamos vivendo", diz Bolsonaro

Publicado em 20/02/2021 19:39 2827 exibições

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SÃO PAULO (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro voltou a reclamar neste sábado daqueles que acham que ele pode fazer tudo e disse que se assim fosse o regime que o Brasil vive seria outro, ao mesmo tempo em que defendeu a democracia e a liberdade existentes no país.

Bolsonaro, que frequentemente louva o período da ditadura militar, afirmou que representa a democracia no país e que juntamente com as Forças Armadas e outras instituições do governo trabalhará para que essa democracia funcione.

"Alguns acham que eu posso fazer tudo. Se tudo tivesse que depender de mim, não seria este o regime que nós estaríamos vivendo. E apesar de tudo, eu represento a democracia no Brasil", disse o presidente durante cerimônia de escola militar em Campinas (SP).

"Nós vivemos num país livre, esta liberdade vale mais que a própria vida para cada um de nós. Tenho certeza, juntamente com as nossas Forças Armadas e demais instituições do governo, tudo faremos para cumprir a Constituição, para fazer com que a nossa democracia funcione e para que a nossa liberdade esteja acima de tudo", acrescentou.

Apesar dos frequentes ataques que faz à imprensa, Bolsonaro disse ainda que a mídia jamais teve um tratamento "tão cortês".

"Nunca a imprensa teve um tratamento tão leal e cortês como o meu. Se é que alguns acham que não é dessa maneira é porque não estão acostumados a ouvir a verdade", disse.

Em janeiro, a apoiadores o presidente disse que a imprensa é o maior problema do país. Também no mês passado, em vídeo que circulou nas redes sociais, Bolsonaro atacou a imprensa com palavrões, em evento fechado, ao comentar o noticiário sobre a compra pelo governo de leite condensado.

"E quando eu vejo a imprensa me atacar, dizendo que eu comprei 2 milhões e meio de latas de leite condensado...", disse Bolsonaro, antes de completar com um palavrão, que arrancou aplausos dos presentes. "Imprensa de m... essa daí, é para enfiar no rabo de vocês aí essa lata de leite condensado".

Em dezembro, em discurso para PMs no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse, sem apresentar provas ou entrar em detalhes, que "essa imprensa jamais estará do lado da verdade, da honra e da lei".

“Vamos meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema”

Presidente não detalhou futuras ações; Mas disse que conta de luz é problema (no Poder360)

O presidente Jair Bolsonaro sinalizou neste sábado (20.fev.2021) que o governo poderá interferir no funcionamento do setor elétrico no país. “Assim como querem nos derrubar na pandemia pela economia –fechando tudo– agora resolveram atacar na energia. Vamos meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema”, afirmou, sem entrar em detalhes.

Bolsonaro também fez críticas ao atual chefe da Petrobras, Roberto Castello Branco. Embora tenha afirmado que não houve interferência na estatal, ele pediu ajustes na forma de cobrança dos combustíveis. Também defendeu maior previsibilidade nos anúncios da companhia quanto aos reajustes.

“Parecia exorcismo quando eu falei que não iria prorrogar o mandato dele, compromisso zero com o Brasil. Nunca ajudaram em nada. Não é aumentando o preço de acordo com o dólar lá fora, mais do que isso, a preocupação é ganhar dinheiro em cima do povo”, declarou.

A saída de Castello Branco despertou uma reação negativa dos investidores, levando as ações da estatal a perderem quase R$ 30 bilhões de valor no pregão de 6ª feira. Bolsonaro estava irritado com os constantes aumentos da empresa em 2021, o que levou parte dos caminhoneiros a ameaçarem fazer greve. Acuado, o presidente jogou a responsabilidade no presidente da Petrobras.

“Não justifica 32% de reajuste no diesel no corrente ano. Não tivemos essa variação dos preços lá fora ou dólar aqui dentro. Ninguém esperava essa covardia de reajuste. Ninguém quer interferir na Petrobras. Mas eles estão abusando”, afirmou.

Bolsonaro indicou Luna e Silva, atual diretor-geral brasileiro da Itaipu Binacional e ex-ministro da Defesa do governo Michel Temer, para comandar a Petrobras. A decisão precisa do aval do Conselho de Administração da empresa, que se reúne na próxima semana.

Para mitigar o efeito do 4º reajuste no diesel, Bolsonaro anunciou a redução dos impostos federais cobrados sobre o combustível por 60 dias, a partir de 1º de março. Também zerou as alíquotas dos tributos sobre o gás de cozinha –este, para sempre.

Para cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, o governo terá que arrumar uma contrapartida a esses gastos, que ultrapassam bilhões. Paulo Guedes e seu ministério, o da Economia, ainda não explicaram de onde virá o dinheiro. Bolsonaro não disse qual será a compensação e usou parte do seu discurso para criticar alguns veículos de imprensa.

“Não adianta jornaleco – Folha, Estadão, Globo – com manchetes combinadas. Se eu interferi, porque o percentual de reajuste [da Petrobras] é o mesmo? Os jornalistas estão falando que eu abri mão de arrecadação em poucos segundos zerando o PIS/Cofins por algum tempo do diesel. Se eu aumentar o imposto –não vou aumentar–, é pancada. Se diminuir, é pancada. Não dou bola para essa imprensa.”

As declarações foram em conversa com apoiadores na portaria do Palácio da Alvorada. Parte do grupo que estava lá é de São Paulo e coleta assinaturas para a criação do partido bolsonarista Aliança Pelo Brasil.

Bolsonaro nega interferência na Petrobras: “Na mesma linha que na questão da PF”

Defendeu gasolina 15% mais barata e questionou qualidade do combustível (no Poder360)

O presidente Jair Bolsonaro negou na tarde deste sábado (20.fev.2021) interferência política na gestão da Petrobras. A declaração foi feita um dia depois dele indicar o general da reserva Joaquim Silva e Luna para o comando da estatal no lugar de Roberto Castello Branco, em meio à insatisfação com os últimos reajustes nos combustíveis.

O presidente comparou, ainda, o atual momento e as críticas que vem recebendo à investigação sobre se ele interferiu ou não na Polícia Federal. Ele foi acusado pelo seu ex-ministro, Sergio Moro, de tentar mexer politicamente na instituição.

“Vou continuar com interferência zero –contudo vai ter transparência e previsibilidade. Não adianta a imprensa falar que eu intervi –na mesma linha da questão da Polícia Federal: não acharam nada de interferência minha no tocante à PF”, disse em uma live via Instagram. Assista (3min38s):

Durante a transmissão, o presidente voltou a criticar o aumento no preço do diesel e da gasolina. Questionou a qualidade dos combustíveis vendidos no país. Depois, disse que, “se todos os órgãos tivessem funcionando“, a gasolina deveria ser 15% mais barata

“Ninguém nunca se preocupou em fazer absolutamente nada. Quando há um aumento de combustível, o pessoal aponta e atira para o presidente da República. Isso vai começar a mudar. Temos que tirar quem está à frente da Petrobras”, afirmou.

Castelo Branco vinha irritando Bolsonaro especialmente por causa do diesel, essencial para os caminhoneiros. A gota d’água para a troca foi o 4º reajuste do ano feito pela companhia na 5ª feira.

O dirigente da estatal seguiu estritamente as orientações do ministro da Economia, Paulo Guedes, e a política de preços da empresa. Além de solicitar a mudança ao conselho da Petrobras, Bolsonaro disparou críticas diretas a Castello Branco:

“Uma curiosidade –já que está toda a imprensa nos acompanhando: Vocês sabiam que desde março do ano passado o presidente da Petrobras está em casa –assim como toda a sua diretoria. Não dá para ficar à frente de uma estatal dessa forma, coisas erradas acontecem”, afirmou Bolsonaro, se referindo às medidas de isolamento social implantadas pela Petrobras desde o início da pandemia de coronavírus.

“O novo presidente –espero que seja aprovado pelo Conselho– vai dar uma nova dinâmica para a Petrobras.”

 

Fonte:
Reuters/Poder360

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