"Imunidade de rebanho, a ponta do iceberg e as vacinas", escreve Osmar Terra (Poder360)

Publicado em 26/02/2021 07:25 e atualizado em 28/02/2021 08:24 1421 exibições
"Imunidade virá antes da vacina; Bloqueio não interfere no contágio". Leia o artigo abaixo:

"Pandemias e epidemias são uma força da natureza. Um novo vírus, quanto mais contagioso, mais se propaga, sem respeitar quarentenas horizontais e lockdowns. Ele só será contido por outro poderoso fenômeno da natureza: a imunidade coletiva ou de rebanho.

Tive oportunidade de coordenar ou acompanhar o enfrentamento a várias epidemias. Entre elas, a primeira da dengue, no Rio Grande do Sul, em 2007; a pandemia do H1N1, também no RS, em 2009; e a epidemia do vírus da zika, no Nordeste, em 2015. Esses surtos tinham em comum o fato de que não existiam vacinas para controlá-los. Aliás, todas as pandemias, por serem causadas por novos vírus, chegam ao fim antes que vacinas consigam ser desenvolvidas e utilizadas em grande escala.

Em 2015, fiquei consternado com o nascimento de milhares de crianças com lesões neurológicas graves e microcefalia, causadas pelo vírus da zika. Qual não foi a minha surpresa quando o número de casos caiu abruptamente e a epidemia cessou.

O que ocorreu foi um contágio altíssimo e silencioso pelo vírus, onde acontecia o surto, que contaminou e imunizou a maioria das mulheres em idade fértil, protegendo suas gestações futuras. Assim funciona, de uma maneira surpreendente, a imunidade humana. E graças a isso a nossa espécie existe até hoje.

Todos os surtos epidêmicos levam a um contágio grande, num curto período de tempo. Com isso, aumenta rapidamente o número de pessoas infectadas, curadas e imunizadas, como se fizessem uma vacina natural, mais potente que as produzidas em laboratórios. E é o aumento dessa imunidade que derruba a contaminação e finaliza o surto.

Conforme a proporção de pessoas afetadas vai sendo desenhada uma curva que sobe rápido no início, chega a um pico, quando o vírus já encontra muitas pessoas imunizadas, e começa a cair rápido quando a proporção delas chega a 60%, 70% ou até mais de 80%, conforme a velocidade de contágio das cepas virais.

Ainda há outro fator a considerar: as mutações do vírus no curso da pandemia. Elas fazem surgir novas cepas virais que tendem a aumentar a velocidade de contágio. O vírus alterado passa a comandar a contaminação, substituindo a forma anterior. Acontece, assim, uma espécie de revezamento, onde uma cepa viral mais rápida supera as outras e leva adiante o surto, elevando o percentual de pessoas contaminadas necessário para terminá-lo. É isso que vemos hoje no mundo.

Em muitos lugares do planeta, em particular no Brasil, a imunidade de rebanho chegou a iniciar quando predominavam cepas “mais lentas”. Foi o que ocorreu no Rio de Janeiro, de maio a junho de 2020, e no Amazonas, de agosto a dezembro. Mas as novas cepas, mais infectantes, surgiram e levantaram o número de contaminados, indo atrás da população ainda não atingida, como ocorre agora no Rio Grande do Sul. Por isso o sobe e desce das curvas de contaminação, que mostram essa imunidade se formando e, logo, sendo “adiada” pelo contágio maior das novas cepas.

Para estimar o percentual da população contaminada, é bom lembrar que seu número é muito maior que o divulgado em boletins oficiais, que mostram só até onde chegam os testes disponíveis. Mostram, na verdade, a “ponta do iceberg”. O cálculo mais próximo da realidade é feito pela letalidade média no mundo. Isto é, o número de pessoas que se contaminam para o número de pessoas que vêm, infelizmente, a falecer.

Essa proporção, apurada pelo pesquisador John Ioannidis, da Universidade de Stanford (EUA), é de 10.000 contaminados para cada 27 óbitos (0,27%). Assim devemos ter, no Brasil, nove vezes mais pessoas contaminadas (e imunizadas), que o publicado. Somando esse número elevado à quantidade de pessoas que são imunes naturalmente ao coronavírus, veremos que, em pouco tempo, poderemos chegar à imunidade de rebanho.

A reinfecção até agora tem sido num número pequeno de casos, e que não altera a tendência para o fim do surto. Esse é o paradoxo da pandemia. O aumento rápido e assustador de casos também nos leva mais rápido para a imunidade de rebanho, que acontecerá abruptamente.

Quando falamos em imunidade coletiva ou de rebanho, não estamos propondo uma estratégia. Estamos fazendo uma constatação de como evoluem todas as epidemias, sejam elas grandes pandemias ou surtos gripais de inverno. Temos que compreendê-la para não perder tempo, e vidas, em ações pirotécnicas sem efetividade para a proteção da população. As restrições e lockdowns, que subestimaram o poder de contágio do vírus, não impediram as 250 mil mortes ocorridas, até agora, no Brasil.

Os maiores epidemiologistas de Harvard, Stanford e Oxford redigiram, em outubro, a “Declaração de Great Barrington”. O documento propõe um caminho sem isolamento generalizado e sem lockdown, chamado de “proteção focalizada”, para conter a pandemia. Trata-se de uma abordagem mais compassiva, que equilibra riscos e benefícios para alcançar a imunidade de rebanho, garantindo uma proteção maior ao grupo de risco.

A imunidade de rebanho não tem contradição com aquela provocada pela vacinação. A diferença é que as vacinas laboratoriais demoram mais tempo para fazer efeito, porque são feitas com o vírus inativado e exigem uma operação gigantesca de testagem, produção e execução, numa escala colossal. É bem provável que muito antes de as vacinas serem efetivas contra a infecção já veremos o surto epidêmico sendo encerrado pela imunidade de rebanho.

Diante do inevitável curso da pandemia, devemos trabalhar com foco nos cuidados individuais e higienização, na máxima proteção aos grupos de risco, na garantia do atendimento hospitalar, e na normalização da vida econômica, porque seu bloqueio nunca interferiu no contágio, nem mostrou eficácia para salvar vidas". (no Poder360). 

Pazuello diz que variante do coronavírus pode surpreender gestores

Pandemia está em “nova etapa”, diz; Diversas cepas já estão no país

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse reconhece a pandemia no Brasil está em uma “nova etapa” e que diversas cepas do coronavírus já estão no Brasil. As afirmações foram feitas nesta 5ª feira (25.fev.2021), em reunião com representantes do Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) e do Conasemns (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde).

Pazuello afirmou que o número de casos aumentou no oeste do Pará, em Belém, nas capitais do Ceará e da Paraíba, em Goiás, na cidade catarinense de Chapecó e no Rio Grande do Sul, com pontos focais subindo.

“Na nossa visão, estamos enfrentando uma nova etapa da pandemia. Ela tem esse vírus mutável que nos dá 3 vezes mais contaminação. E a velocidade com que isso acontece em pontos focais pode surpreender o gestor em termos de estrutura de apoio. Essa é a realidade que nós vivemos hoje no Brasil”.

O ministro disse que a nova realidade não está centrada apenas no Norte e Nordeste do país, como aconteceu em 2020 e que há outros locais impactados agora. Por isso, destacou a necessidade de o país estar alerta e preparado para combater o vírus.

Segundo o ministro, em Manaus, as medidas implementadas reduziram o número de pacientes infectados, inclusive em UTIs (unidades de terapia intensiva). “Hoje, a informação é que não haveria mais fila em Manaus. É uma grande notícia e isso mostra resultados de um grande trabalho.”

Pazuello declarou que é preciso foco em 3 ações:

  • atendimento imediato nas unidades básicas de saúde.
  • estruturação da capacidade em leitos para atendimento, incluindo desde recursos humanos e equipamentos até remoções de pacientes.
  • vacinação

“Com essas três grandes estratégias, nós vamos enfrentar a pandemia nessa nova etapa”, afirmou.

O Brasil atingiu nesta 5ª feira (25.fev) a marca de mais de 250 mil mortes por covid-19. Foram 251.498 óbitos registrados desde o começo da pandemia, segundo dados do Ministério da Saúde.

O país registrou 1.541 novas mortes pela covid-19 nesta 5ª feira (25.fev). A curva de mortes está acima de 600 desde 8 de dezembro de 2020. Voltou a superar 1.000 em 21 de janeiro.

Atingiu o ápice nesta 5ª feira (25.fev), chegando a 1.149. O recorde anterior era de 1.124, em 24 de fevereiro.

Fonte:
Poder360

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1 comentário

  • Tiago Gomes Goiânia - GO

    É de impressionar como Osmar Terra ainda goza de credibilidade em alguns meios de comunicação. Tido como guru de Bolsonaro no assunto saúde, errou de forma estrondosa em todas suas previsões que passaram anos luz da realidade. Mas vida que segue, mas vale a voz de um negacionista do que de qualquer outro.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      O artigo diz que a unica soluçao para o covid e' a vacina, considerando as demais medidas como paliativas diante da crescente agressividade das novas cepas... Portanto nao e' negacionista ... e associa-lo ao Bolsonaro so' podem ser conclusoes de uma mente MALDOSA E INFECTADA.

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    • carlo meloni sao paulo - SP

      A OMS ontem elogiou a Suecia, considerando-a modelo a ser seguido... Bolsonaro desde o ano passado defende o sistema Sueco de enfrentamento do Covid.

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