“Povo quer trabalhar”, diz Bolsonaro ao protestar contra lockdown em Brasília

Publicado em 28/02/2021 07:57 e atualizado em 01/03/2021 07:45 517 exibições
Presidente compartilha vídeo (no Poder360)

O presidente Jair Bolsonaro compartilhou em seus perfis nas redes sociais o vídeo de uma empresária que pede para o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), desistir do lockdown, que entra em vigor neste domingo (28.fev.2021).

“O povo quer trabalhar”, escreveu o presidente.

No vídeo, a empresária Maria Amélia, dona de uma rede de doces de Brasília, aparece ao lado de funcionários com a máscara no queixo e afirma que o “lockdown mata de fome“.

“Governador, com todo respeito, eu como empresária venho aqui agora em nome dos meus funcionários e da minha empresa. Tivemos um ano muito difícil e estamos nos recuperando com união, com garra. E, nesse momento que começamos a alavancar novamente, o senhor vem e quer fechar tudo. Governador, não faça isso, nós precisamos trabalhar”, diz Maria Amélia na gravação.

Neste sábado (27.fev.2021), o governador Ibaneis Rocha explicou que o lockdown foi determinado porque a taxa de ocupação de leitos no DF ultrapassou 98%.

“Nós infelizmente tivemos que optar pelo fechamento total do comércio porque a taxa de ocupação de leitos ultrapassa os 98%… Não fico feliz com a decisão, sei que vai impactar na vida de milhares de pessoas, mas é necessário frente à gravidade da situação”, escreveu Ibaneis.

Bolsonaro critica medidas de restrição à Covid-19 e diz que saúde "sempre teve seus problemas" (Reuters)

LOGO REUTERS

(Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar medidas de restrição anunciadas por alguns governadores para barrar a disseminação do coronavírus e disse que a saúde "sempre teve seus problemas".

"A saúde no Brasil sempre teve seus problemas. A falta de UTIs era um deles e certamente um dos piores", afirmou em postagem no Twitter ao comentar uma foto, também na postagem, de título e linha fina de uma reportagem do G1 de março de 2015 sobre falta de leitos de UTI no país.

"HOJE, ao FECHAREM O COMÉRCIO e novamente te obrigar a FICAR EM CASA, vem o DESEMPREGO EM MASSA com consequências desastrosas para o país", completou o presidente em texto na rede social.

Em postagens seguintes, Bolsonaro listou valores repassados pelo governo federal a Estados em 2020, incluindo recursos referentes ao auxílio emergencial.

O presidente voltou recentemente a explicitar críticas a medidas de isolamento social, mesmo com a média móvel de mortes no país por Covid-19 batendo picos desde o início da pandemia.

Missão da OMS encontra sinais de que Wuhan teve surto mais amplo em 2019

Descobriu 13 cepas; Busca acesso a dados (Poder360)

Homem usa máscara e Wuhan, na China, 1º epicentro da covid-19Reprodução/Instragam - @xinxin092

A equipe da OMS (Organização Mundial da Saúde) que investiga as origens do coronavírus na China descobriu sinais de que o surto em Wuhan teria sido muito maior do que se pensava anteriormente. Os pesquisadores estão buscando na cidade acesso a centenas de milhares de amostras de sangue que a China ainda não disponibilizou para análise.

O principal investigador da missão da OMS, Peter Ben Embarek, disse que o grupo encontrou 13 cepas do vírus que teriam circulado em Wuhan antes de dezembro de 2019.

A descoberta de tantas variantes do vírus pode sugerir que ele estava circulando há mais tempo do que apenas naquele mês. Este material genético é provavelmente a 1ª evidência física a emergir internacionalmente para reforçar tal teoria.

Embarek, que acaba de voltar para a Suíça , afirmou à CNN que “o vírus estava circulando amplamente em Wuhan em dezembro, o que é uma nova descoberta”.

O especialista da OMS acrescentou que a equipe foi apresentada por cientistas chineses a 174 casos de coronavírus registrados em Wuhan e nos entornos da cidade em dezembro de 2019. Destes, 100 foram confirmados por exames laboratoriais, segundo ele, e outros 74 por meio do diagnóstico clínico dos sintomas do paciente.

Embarek afirmou que era possível que esse número maior de casos significasse que a doença poderia ter atingido cerca de 1.000 pessoas em Wuhan em dezembro.

“Não fizemos nenhuma modelagem disso desde então. Mas nós sabemos que cerca de 15% são casos graves, e a grande maioria são casos leves.”

Ben Embarek disse que a missão –que incluía 17 cientistas da OMS e 17 chineses– havia ampliado o tipo de material genético do vírus que eles examinaram a partir de casos de coronavírus precoces de dezembro. Isso permitiu que eles olhassem para amostras genéticas parciais, em vez de apenas completas.

“Alguns deles são dos mercados… Alguns deles não estão ligados aos mercados”, ressaltou.

Agora, a equipe espera examinar urgentemente amostras biológicas que os especialistas dizem não estarem disponíveis nesta primeira viagem, especificamente milhares de amostras do banco de doadores de sangue de Wuhan que datam de 2 anos atrás.

“Há cerca de 200.000 amostras disponíveis lá que agora estão protegidas e podem ser usadas para um novo conjunto de estudos”, disse Ben Embarek.

No entanto, pode haver dificuldades técnicas para estudar essas amostras. “Entendemos que essas amostras são amostras extremamente pequenas e usadas apenas para fins de litígio. Não há mecanismo que permita estudos de rotina com esse tipo de amostra”.

Ben Embarek disse que as circunstâncias da missão, de intensos períodos de quarentena e distanciamento social levaram a algumas frustrações, juntamente com o escrutínio global de sua conduta e descobertas.

“Você tem discussão acalorada e, em seguida, argumentação sobre isso e aquilo… Lembre-se, tivemos todo o planeta em nossos ombros 24 horas por dia durante 1 mês, o que não torna o trabalho de cientistas mais fácil.”

Fonte:
Poder360/Reuters

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