Mercado "trava" dólar abaixo de R$5,20 à espera de Fed e Copom
![]()
Por José de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar oscilou entre perdas e ganhos ao longo desta terça-feira, mas encerrou a sessão no mercado à vista praticamente estável, mantendo-se abaixo de 5,20 reais conforme operadores evitaram novas apostas menos de 24 horas até a decisão de política monetária nos Estados Unidos.
O dólar spot fechou a 5,1755 reais na venda, com variação positiva de 0,01%. No intradia, a moeda variou de 5,2068 reais (+0,62%) a 5,1491 reais (-0,50%).
No exterior, o dólar caía 0,17% ante divisas fortes, mas de forma geral ganhava terreno frente a pares mais arriscados, evidência da postura defensiva dos agentes financeiros antes da decisão do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA).
O real teve um desempenho ligeiramente melhor que várias de suas contrapartes emergentes. Para Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho, a perspectiva de um aumento mais forte de juros no Brasil na semana que vem está amparando a taxa de câmbio.
"O diferencial de juros vai aumentar. Além disso, o Fed não deve mudar a política monetária... e essa combinação deve fazer com que o real recupere força frente ao dólar", disse.
As revisões para cima nos juros brasileiros prosseguiram nesta sessão. O Barclays passou a ver alta de 100 pontos-base na taxa básica de juros (Selic) no próximo encontro do Copom (no começo de agosto) e a projetar juro a 7,5% no segundo trimestre de 2022.
Aumentos de juros no Brasil elevam o diferencial de retornos a favor do real, o que deixaria a moeda mais atrativa para investimentos. Dados do Banco Central mostraram mais cedo que os fluxos para portfólio (parte dos quais em busca de juros mais altos) registram novo mês de forte ingresso, de 5,1 bilhões de dólares.
Contudo, esse cenário seria desafiado caso o Fed indicasse redução de oferta de liquidez, por isso a atenção total dos investidores às sinalizações de política monetária a serem emitidas na quarta-feira pelo comunicado da decisão de política monetária e também por declarações do chair do Fed, Jerome Powell, em coletiva de imprensa na sequência.
Para Rostagno, o Fed não apertará a política monetária, o que acalmará os mercados. Isso se somaria ao efeito do juro mais alto no Brasil, tendo como pano de fundo reabertura mais rápida da economia doméstica, e ajudaria a levar o dólar para 4,85 reais ao fim do ano.
0 comentário
Bolsonaro tem prisão domiciliar prorrogada por questões de saúde
Dólar acompanha exterior e cai ante o real em sessão com liquidez menor
Ibovespa avança e fecha acima de 174 mil pontos em pregão com volume reduzido sem Wall St
Taxas de DIs caem no Brasil após dados fracos da indústria em sessão sem os Treasuries
Exportações brasileiras de petróleo, minério de ferro e soja avançam em junho
Governo eleva projeção de superávit comercial do Brasil a US$90 bi em 2026 prevendo exportações mais fortes