Estudantes afegãs não veem futuro no Afeganistão após tomada do Taliban

Publicado em 22/08/2021 19:26

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DOHA (Reuters) - Um grupo de mulheres afegãs jovens demais para lembrar do governo Taliban entre 1996 e 2001 está passando pelo mesmo trauma recontado por parentes depois que o grupo islâmico retomou o controle do Afeganistão, levando milhares de pessoas a fugirem do país.

"Estamos voltando à escuridão", disse uma das estudantes universitárias levadas para o Catar, que descreveu sentimentos de ansiedade e medo e, como outras, se recusou a fornecer detalhes que pudessem identificá-las ou identificar suas famílias em casa por motivos de segurança.

"São todas histórias que ouvíamos de nossos pais e avós. E naquela época era apenas uma história, mas agora é como se o pesadelo se tornasse realidade", disse uma segunda mulher.

As quatro que falaram à Reuters estão entre centenas de estudantes afegãs, a maioria mulheres, trazidas para o Estado árabe do Golfo.

Quando chegou ao poder pela última vez, o Taliban impôs de maneira estrita a sua interpretação ultraconservadora do islamismo sunita, que incluía proibir as mulheres de ir à escola ou de trabalhar.

Muitos duvidam das promessas do grupo militante de que desta vez os direitos das mulheres serão protegidos sob a estrutura do Islã.

"Todo mundo sabe como aquela época foi dura e brutal", disse uma segunda mulher à Reuters em um complexo residencial na capital Doha, onde refugiados, incluindo de outras nacionalidades, são abrigados.

Ela disse não acreditar que existam professoras suficientes no Afeganistão para as aulas de gênero segregado que o Taliban insiste em implementar.

O grupo de mulheres disse que os valores do Taliban eram estranhos para elas e que não voltarão ao Afeganistão enquanto o grupo exercer controle do país, mesmo sob um governo de divisão de poder.

Porta-voz do Taliban diz que Al Qaeda não está no Afeganistão

CAIRO (Reuters) - O porta-voz do gabinete político do Taliban, Mohammed Naeem, disse em uma entrevista à TV saudita Al Hadath que a Al Qaeda não está presente no Afeganistão e que o movimento não tem nenhuma relação com o grupo terrorista.

Ele acrescentou que conversas estão em andamento com os Estados Unidos e outros países sobre a situação no Afeganistão, depois que o movimento islâmico tomou o poder em Cabul há uma semana.

Líder de resistência anti-Taliban diz que negociação é o único caminho possível

(Reuters) - Ahmad Massoud, líder do último grande foco de resistência anti-Taliban no Afeganistão, disse neste domingo que espera manter negociações pacíficas com o movimento islâmico que tomou o poder em Cabul há uma semana, mas afirmou que suas forças estão prontas para lutar.

"Queremos fazer o Taliban perceber que o único caminho a seguir é pela via da negociação", disse ele à Reuters por telefone a partir de seu reduto no vale montanhoso de Panjshir, a noroeste de Cabul, onde ele reuniu restos de unidades do exército regular e forças especiais, bem como unidades locais da milícia.

"Não queremos que uma guerra comece."

No entanto, ele disse que seus apoiadores estão prontos para lutar se as forças do Taliban, que até agora permaneceram fora de Panjshir, tentarem invadir.

Massoud, filho de Ahmad Shah Massoud, um dos principais líderes da resistência antissoviética do Afeganistão na década de 1980, disse que suas forças de combate não são oriundas apenas de Panjshir, região que também resistira ao Taliban antes de 2001.

Taliban dispara para o alto para controlar multidão no aeroporto de Cabul

CABUL (Reuters) - O Taliban fez disparos para o alto e usou cassetetes para obrigar as pessoas a formarem filas do lado de fora do aeroporto de Cabul neste domingo, disseram testemunhas, um dia depois de sete pessoas morrerem esmagadas em um dos portões.

Não houve feridos graves neste domingo. Homens armados repeliram a multidão e longas filas de pessoas foram formadas, disseram as testemunhas.

O Ministério da Defesa do Reino Unido disse que sete afegãos foram mortos na confusão ao redor do aeroporto no sábado, enquanto milhares de pessoas tentavam desesperadamente pegar um voo, uma semana depois de o grupo militante islâmico assumir o controle do país.

A Sky News mostrou imagens de soldados em cima de um muro no sábado tentando tirar os feridos do esmagamento e borrifando água nas pessoas com uma mangueira para evitar que ficassem desidratadas.

"As condições naquela área continuam extremamente desafiadoras, mas estamos fazendo tudo o que podemos para administrar a situação da maneira mais segura possível", disse o ministério em um comunicado.

Um oficial da Otan disse que pelo menos 20 pessoas morreram nos últimos sete dias no aeroporto e em seus arredores. Alguns foram baleados e outros morreram em meio aos tumultos, disseram testemunhas.

Cidadãos afegãos em pânico tentaram embarcar em voos para o exterior, temendo represálias e um retorno a uma versão mais rígida da lei islâmica que o grupo muçulmano sunita exercia quando estava no poder duas décadas atrás.

Os Estados Unidos e outros países estrangeiros, incluindo o Reino Unido, trouxeram vários milhares de soldados para administrar as evacuações de cidadãos estrangeiros e de afegãos vulneráveis, mas permaneceram longe das áreas externas do aeroporto.

Uma autoridade do Taliban disse neste domingo: "Buscamos clareza total sobre o plano de saída das forças estrangeiras".

"Gerenciar o caos fora do aeroporto de Cabul é uma tarefa complexa", disse o homem, que falou sob condição de anonimato, à Reuters.

EUA convocam aéreas comerciais para transportar os que deixaram o Afeganistão

WASHINGTON (Reuters) - Os Estados Unidos ordenaram neste domingo que seis companhias aéreas comerciais ajudem a transportar pessoas retiradas do Afeganistão, enquanto Washington busca acelerar o ritmo de partidas de americanos e afegãos em risco em Cabul.

O Pentágono convocou neste domingo 18 jatos comerciais da United Airlines, American Airlines, Delta Air e outras.

Os aviões não voarão para Cabul, sendo usados ??para transportar pessoas que já deixaram o Afeganistão, disse o porta-voz do Pentágono, John Kirby.

A medida destaca a dificuldade de Washington em realizar o transporte de cidadãos americanos e afegãos em risco, após a rápida tomada de controle pelo Taliban.

Milhares de pessoas permaneceram do lado de fora do aeroporto internacional de Cabul neste domingo, na esperança de serem retiradas do país.

"Precisamos de mais aviões", disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, ao programa "Face the Nation" da CBS News.

Já Kirby descreveu a ação como o estágio 1 do programa, sugerindo que mais aeronaves comerciais poderiam ser usadas.

A American Airlines, a Atlas Air, a Delta Air Lines e a Omni Air fornecerão três aviões cada, Hawaiian Airlines outros dois, e a United Airlines mais quatro.

Esta seria apenas a terceira vez que os Estados Unidos ativariam a "Frota Aérea da Reserva Civil".

O primeiro foi durante a Guerra do Golfo (agosto de 1990 a maio de 1991) e depois durante a preparação e invasão do Iraque (fevereiro de 2002 a junho de 2003).

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Fonte:
Reuters

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