Dólar tem leve queda com apetite por risco global, mas ajuste e eleições limitam perdas
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar teve leve queda frente ao real nesta terça-feira, sob alguma pressão das fortes perdas da divisa norte-americana no exterior, mas fechou a sessão bem acima dos menores patamares do dia, com investidores ajustando posições depois de tombo da moeda na véspera e monitorando o noticiário eleitoral doméstico.
A moeda norte-americana à vista teve queda de 0,18%, a 5,1678 reais, bem distante do menor patamar do pregão, quando caiu 1,31%, a 5,1090 reais, embora também abaixo do pico do dia, de 5,2223 reais (+0,87%).
Na B3, às 17:10 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,06%, a 5,2050 reais.
Alguns investidores atribuíram parte da recuperação do dólar frente aos menores patamares do dia a um ajuste técnico, depois que a divisa despencou mais de 4% na véspera, maior queda desde meados de 2018, com investidores reagindo positivamente à eleição de um Congresso mais à direita no domingo passado.
"Ontem teve um movimento muito forte, então é normal que a moeda (real) performe um pouco aquém de seus pares emergentes hoje", disse à Reuters Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho.
O dia era de ampla fraqueza do dólar no exterior, com a divisa perdendo entre 0,6% e 1,2% frente a peso chileno, peso colombiano e rand sul-africano, pares emergentes do real. Um índice que compara o dólar a seis rivais fortes caía mais de 1% nesta tarde, enquanto as principais bolsas de valores do mundo fecharam em forte alta.
Leonel Mattos, analista de mercado da StoneX, atribuiu o otimismo externo à expectativa de que os principais bancos centrais do mundo --que têm subido os juros de forma vertiginosa neste ano-- possam moderar o ritmo de aperto monetário, esperança que foi alimentada pela decisão do BC da Austrália de promover um aumento menor do que o esperado nos custos dos empréstimos.
Para além de movimentos de ajuste, o noticiário político doméstico também evitou que o real aproveitasse mais expressivamente a onda externa de apetite por risco, depois que Ciro Gomes disse que acompanhará a decisão de seu partido, o PDT, de apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da disputa pelo Palácio do Planalto contra o atual presidente Jair Bolsonaro (PL).
A notícia ajudou a afastar o dólar das mínimas do dia, afirmou Rostagno, do Mizuho, da mesma forma que o apoio a Bolsonaro do governador reeleito de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), anunciado pela manhã, pareceu ter animado os investidores pontualmente.
Alguns especialistas têm dito que o mercado de câmbio doméstico pode começar a ficar mais sensível ao noticiário político e às pesquisas eleitorais diante da perspectiva de um segundo turno muito disputado.
Rostagno, no entanto, acredita que um Congresso eleito mais inclinado à direita pode servir de alento aos investidores e evitar movimentos muito exagerados do câmbio até o segundo turno, que acontece em 30 de outubro.
Na primeira rodada das eleições, Lula teve 48,43% dos votos válidos, mas foi surpreendido por desempenho melhor do que o esperado de Bolsonaro, que somou 43,20%. Na esteira desse resultado, o petista disse na véspera que era hora de começar a buscar ampliar o apoio a sua candidatura.
Já para o Congresso, boa parte das 27 vagas em jogo no Senado foi levada por candidatos declaradamente bolsonaristas, o que os mercados interpretaram como sinal de que, mesmo que Lula chegue ao Planalto, deve enfrentar resistência no Legislativo à agenda econômica e fiscal prometida durante sua campanha.
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