Dólar avança frente ao real com aversão global a risco; eleições seguem no radar
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subia frente ao real na manhã desta quarta-feira, com investidores buscando segurança depois que um alívio nos temores de aperto monetário por parte dos principais bancos centrais do mundo provou ser de curta duração, enquanto, na cena local, o noticiário eleitoral continuava no radar.
Às 10:04 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,58%, a 5,1976 reais na venda, depois de mais cedo chegar a ganhar 1,16%, a 5,2275 reais.
Na B3, às 10:04 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,41%, a 5,2285 reais.
Esse movimento estava alinhado à alta de 0,8% do índice do dólar frente a uma cesta de seis rivais fortes, que recuperava terreno depois de na véspera tombar mais de 1%.
O início da semana foi marcado por apetite por risco no mundo inteiro, depois que dados norte-americanos de emprego e indústria sugeriram que a economia dos Estados Unidos estaria perdendo fôlego. Isso levantou esperanças de que o Federal Reserve poderia moderar seu ritmo de aperto monetário de forma a poupar o crescimento, expectativa que foi alimentada na véspera pela decisão do banco central da Austrália de subir sua taxa de juros em dose menor do que o esperado.
"A impressão de um pretenso topo dos juros americanos criou até ontem a falsa sensação de que o caminho para um maior apetite de prêmio de maior risco estava aberto, o que não se alinha com a realidade dos indicadores econômicos", avaliou em nota Jason Vieira, economista-chefe da Infinity Asset.
"O problema é que, assim como na Europa, a inflação nos EUA continua presente, especialmente nos núcleos e sem sinais claros de alívio, portanto há pouco que Fed possa fazer, a não ser persistir com a normalização dos juros."
Colaborando para a perspectiva de resiliência do mercado de trabalho e, consequentemente, da inflação, dados desta quarta-feira mostraram que foram criados mais postos de trabalho do que o esperado no setor privado dos EUA no mês passado.
Custos de empréstimo mais altos nos EUA são vistos como fator de impulso para o dólar tanto por tornarem os retornos do mercado de renda fixa norte-americano mais atraentes quanto por levantarem temores de recessão, já que tendem a restringir os gastos de empresas e famílias. O dólar é considerado aposta segura em momentos de turbulência econômica e geopolítica.
Enquanto isso, no Brasil, as campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) seguem se movimentando em busca de apoios depois de um primeiro turno eleitoral muito mais apertado do que o esperado.
Os mercados tiveram reação inicial muito positiva ao resultado do pleito de domingo, principalmente após a eleição de um Congresso mais à direita, e o dólar despencou 4,2% frente ao real no acumulado dos dois últimos pregões.
No entanto, alguns analistas alertavam que a moeda pode começar a ficar mais sensível ao noticiário eleitoral diante da perspectiva de uma disputa acirrada no segundo turno.
A primeira pesquisa sobre a rodada decisiva da eleição presidencial será divulgada pelo Ipec nesta quarta-feira e deve fornecer as primeiras pistas sobre a votação, marcada para o dia 30 deste mês.
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