Dólar fecha estável ante real em sessão de reviravoltas e grande amplitude
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou praticamente estável ao fim de uma sessão de reviravoltas e grande amplitude entre os menores e maiores patamares intradiários nesta quinta-feira, abandonando perdas registradas na parte da tarde depois de pela manhã ter saltado mais de 2%, acima de 5,38 reais, na esteira de dados de inflação norte-americanos mais altos do que o esperado.
A moeda norte-americana à vista fechou em 5,2723 reais na venda, praticamente inalterado em relação à cotação de encerramento de terça-feira, véspera do feriado do Dia de Nossa Senhora Aparecida no Brasil, de 5,2724 reais.
Na B3, às 17:16 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,37%, a 5,2955 reais.
Depois de saltar 2,08% pela manhã, a 5,3820 reais, o dólar perdeu fôlego ao longo da sessão e passou a ser negociado no vermelho por volta da metade do pregão. Na parte da tarde, a moeda acelerou as perdas momentaneamente e caiu 0,81% na mínima do dia, a 5,2298 reais, antes de recuperar algum terreno na reta final das operações. A diferença entre a cotação mais alta e a cotação mais baixa do dia foi superior a 15 centavos.
Para Leonel Mattos, analista de Mercado da StoneX, o momento de disparada do dólar visto pela manhã foi reflexo claro de dados de inflação dos Estados Unidos.
O índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 0,4% no mês passado, acelerando a alta depois de avançar 0,1% em agosto, disse o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos nesta quinta-feira. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,2%.
A surpresa para cima reforçou as expectativas de que o Federal Reserve adotará uma quarta alta consecutiva de 0,75 ponto percentual nos juros em sua reunião do próximo mês, e surgiu a possibilidade --antes desconsiderada-- de o banco central promover ajuste ainda mais agressivo, de 1 ponto completo.
Quanto mais agressivo é o Fed no aumento dos juros, mais o dólar tende a se beneficiar globalmente, conforme investidores redirecionam capital para o mercado de renda fixa dos EUA.
"Porém, ao longo do dia, em um movimento ainda bastante inexplicado e confuso, o apetite por risco dos investidores foi se restabelecendo", disse Mattos. "É possível que os investidores tenham encontrado naquele pico (do dólar)... oportunidades de lucro, oportunidades de compra, e foram paulatinamente investindo em ativos arriscados."
Alguns participantes do mercado também citaram notícias de que o governo britânico estaria considerando mudar seus polêmicos planos de cortes de impostos como um fator de alívio para os mercados globais nesta quinta-feira.
Já Marco Caruso, economista-chefe do Banco Original, acredita que parte da resiliência do real --não apenas nesta quinta-feira, mas no ano como um todo, período em que o dólar cai 5,4% frente à divisa brasileira-- reflete fatores domésticos.
"Apostar a favor do dólar contra o real não tem sido fácil", disse ele à Reuters. "No relativo (a outras economias) a gente não está tão mal, pelo contrário. A gente está revisando o PIB para cima, o juro é alto para caramba, então é uma linha de defesa razoável para nossa moeda."
A taxa Selic está atualmente em 13,75%, após um ciclo intenso de aperto, tornando o real mais atraente para estratégias de "carry trade". Estas consistem na tomada de empréstimos em país de juros baixos e aplicação desses recursos em praça mais rentável.
"Os ventos contrários (externos) não parecem tanta novidade. Uma das pontas soltas que eu acho que a gente tem que entender e pode ter repercussões negativas para nosso câmbio é a definição da próxima regra fiscal que o Brasil vai viver", disse o economista.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno do pleito presidencial, tem resistido a detalhar seus planos para a área fiscal do Brasil, mas afirmou diversas vezes que pretende abandonar o teto de gastos se vencer as eleições.
Já o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL), cujo governo já flexibilizou o teto de gastos, pode precisar promover novas alterações nas regras fiscais do país caso reeleito de forma a conseguir cumprir promessas de campanha.
O Banco Original espera que o dólar encerre este ano em 5,25 reais, e vê patamar um pouco mais baixo para o final de 2023, de 5,15.
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