Dólar cai no Brasil em reação a dados de inflação nos EUA
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) -O dólar à vista fechou a quarta-feira em baixa ante o real, com investidores reagindo a dados de inflação nos Estados Unidos, que vieram dentro do esperado e reduziram as apostas de que o Federal Reserve poderá promover novas altas de juros no curto prazo.
O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,917 reais na venda, com baixa de 0,75%.
Na B3, às 17:11 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,66%, a 4,9285 reais.
No início do dia as atenções estavam voltadas para a divulgação dos novos dados de inflação dos Estados Unidos, que poderiam fornecer pistas sobre o futuro da política monetária no país. Às 9h31, um minuto após a divulgação dos números, o dólar à vista bateu a cotação máxima do dia no Brasil, de 4,9686 reais (+0,29%), numa primeira reação dos investidores aos dados.
Mas depois a moeda norte-americana migrou para o negativo e passou a renovar mínimas, em meio à percepção de que os números não sugeriam juros mais altos nos EUA.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) aumentou 0,6% em agosto, no maior ganho desde junho de 2022, informou o Departamento do Trabalho, depois de duas altas mensais consecutivas de 0,2%. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam exatamente alta de 0,6%.
Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, os preços ao consumidor aumentaram 0,3%.
“Tivemos a definição da queda do dólar e dos juros futuros no Brasil depois do CPI, que veio em linha com o esperado. O índice não reforçou a tese -- que o mercado estava começando a comprar -- de novas altas de juros nos EUA”, disse Gabriel Mota, operador de renda variável da Manchester Investimentos.
Em sintonia com o exterior, onde o dólar também cedia ante várias divisas de países emergentes ou exportadores de commodities, a moeda norte-americana à vista marcou a mínima de 4,8949 reais (-1,20%) às 11h43. Neste ponto, houve certa resistência técnica e o dólar retorno para acima dos 4,90 reais.
Por trás da queda do dólar está a visão de que, caso o Federal Reserve não suba mais os juros no curto prazo, o diferencial de taxas seguirá favorável ao Brasil -- onde o Banco Central já entrou em processo de redução da taxa básica Selic, mas sinaliza a intenção de manter o ritmo de 0,50 ponto percentual de cortes, e não de 0,75 ponto percentual. Na prática, o país seguiria atrativo para os investidores internacionais.
Com a ausência de notícias de maior peso no Brasil, o câmbio foi conduzido nesta quarta-feira pelo exterior. No fim da tarde, o dólar tinha sinais mistos ante as demais divisas.
Às 17:11 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,15%, a 104,750.
Pela manhã, o BC vendeu todos os 16.000 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de novembro.
À tarde, o BC informou que o Brasil registrou fluxo cambial total negativo de 1,739 bilhão de dólares em setembro até o dia 8. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de 2,713 bilhões de dólares, enquanto o saldo pelo canal comercial foi positivo em 973 milhões de dólares.
(Edição de Isabel Versiani e Alexandre Caverni)
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