AGU ingressa com ação no STF contra derrubada de aumento do IOF pelo Congresso
![]()
Por Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito e Bernardo Caram
BRASÍLIA (Reuters) - A Advocacia-Geral da União (AGU) ingressou com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para defender o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que elevava alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e foi derrubado pelo Congresso Nacional, anunciou nesta terça-feira o advogado-geral da União, Jorge Messias.
"Nós estaremos neste momento apresentando ao Supremo Tribunal Federal um pedido para que possa ser restaurado os efeitos do decreto", disse Messias em declaração a jornalistas após uma análise jurídica feita pela AGU.
"A avaliação técnica dos nossos advogados, e que foi submetida ao senhor presidente da República, foi que a medida adotada pelo Congresso Nacional acabou por violar o princípio da separação de Poderes", acrescentou.
A derrubada do decreto pelo Congresso eliminou o aumento do IOF implementado pelo governo, que argumentava que buscaria corrigir distorções do sistema tributário com a medida, que aumenta a arrecadação.
Nas 42 páginas na ação, Lula e Messias, subscritores do pedido, argumentam que a atribuição de elevar tributos como o IOF é privativa do governo e que uma eventual sustação da norma só pode ocorrer se configurado "abuso de competência regulamentar" do Poder Executivo.
"Ao sustar os decretos presidenciais que regulavam as alíquotas de IOF, o Congresso Nacional arvorou-se em uma atribuição exclusiva da jurisdição constitucional, praticando um ato inválido, pois exercido sob motivação de mérito que não lhe cabia apreciar", defendeu a ação.
Em sua fala, Messias disse que a ação declaratória de constitucionalidade apresentada tem por objetivo preservar as prerrogativas do atual e de futuros governos e não "atacar" o Congresso Nacional.
Se o pedido for aceito pelo Supremo, o efeito prático seria o mesmo buscado por ação direta de inconstitucionalidade apresentada pelo PSOL na semana passada contra o decreto legislativo do Congresso.
O governo solicitou uma decisão liminar do STF para suspender imediatamente os efeitos do decreto do Congresso. Também pediu que a ação seja distribuída para julgamento do ministro Alexandre de Moraes, com quem está a ação do PSOL.
O anúncio da AGU é mais um desdobramento das disputas em torno do tema do IOF, que tem sido marcado por idas e vindas.
Em maio, o Executivo anunciou uma contenção de R$31 bilhões em despesas de ministérios para respeitar regras fiscais, corte que não foi mais amplo porque veio acompanhado de decreto que elevou o IOF de uma série de operações de câmbio, crédito e previdência privada. A medida tinha previsão inicial de gerar R$20,5 bilhões em arrecadação neste ano.
Poucas horas depois, diante de queixas de agentes de mercado, o governo reverteu parte do decreto que tratava da elevação de alíquota para remessas voltadas a investimentos no exterior. O ajuste na medida não dissipou queixas do setor privado e de parlamentares.
Diante de crescente pressão política, com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicando a existência de ambiente no Legislativo pela derrubada do decreto, o governo anunciou uma "recalibragem" da iniciativa.
Um acordo com líderes partidários chegou a resultar na redução de parte das alíquotas de IOF que haviam sido elevadas, como as cobranças sobre financiamentos de empresas e sobre operações de risco sacado, espécie de antecipação de recebíveis usada por setores como o varejo.
Na intenção de compensar a perda de arrecadação gerada pelo recuo, uma medida provisória estabeleceu uma taxação de títulos de investimento atualmente isentos e cobranças maiores sobre apostas online, instituições financeiras e distribuição de Juros sobre Capital Próprio (JCP), além de algumas ações de contenção de gastos públicos.
Apesar do anunciado acordo com lideranças políticas, a nova rodada de medidas foi criticada por representantes dos setores atingidos e por parlamentares, até que Motta anunciou a votação do decreto legislativo para derrubar integralmente a alta do IOF. A iniciativa foi efetivada pelo Congresso na semana passada, retomando alíquotas mais baixas do imposto.
"O entendimento do Ministério da Fazenda e do Poder Executivo é que o novo decreto representaria o fruto desse entendimento (com o Congresso), portanto a surpresa de fato ocorreu quando o Congresso Nacional resolveu adotar essa medida, mas evidentemente não podemos nos pautar pela questão eminentemente política que levou o Congresso a adotar essa medida", disse Messias.
1 comentário
Trump diz que mais 100 milhões de barris de petróleo estão sendo levados da Venezuela para os EUA
Quando operação dos EUA for concluída, Irã não terá armas contra EUA e Israel, diz Trump
Trump diz que EUA abrem mão de certas sanções relacionadas ao petróleo para garantir fornecimento
Wall St fecha em alta com esperança em resolução da guerra no Irã compensando temores de inflação
Putin compartilha com Trump propostas para encerrar a guerra no Irã em telefonema
Dólar cai abaixo dos R$5,17 após Trump citar guerra "praticamente concluída"
Henrique Afonso Schmitt blumenau - SC
Não cabe, e, portanto, é inconstitucional o aumento imediato da alíquota do iof, sem obedecer ao ano fiscal.