Dólar sobe mais de 1% no Brasil após ameaça tarifária de Trump
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou a segunda-feira com alta superior a 1% no Brasil, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante as divisas de emergentes e exportadores de commodities no exterior, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar impor tarifas a países do Brics com políticas “antiamericanas”.
Leia mais:
+ Lula classifica ameaça tarifária de Trump aos Brics nas redes sociais de "irresponsável"
+ Trump divulga tarifas de 25% sobre produtos do Japão e da Coreia do Sul em cartas a líderes
O dólar à vista fechou em alta de 1,04%, aos R$5,4809. No ano, porém, a moeda acumula baixa de 11,30%.
Às 17h13 na B3 o dólar para agosto -- atualmente o mais líquido -- subia 1,05%, aos R$5,5115.
No domingo, em uma declaração conjunta na abertura da cúpula do Brics no Rio de Janeiro, o grupo alertou que o "aumento indiscriminado de tarifas" ameaça o comércio global. O Brasil é um dos membros fundadores do Brics.
Horas depois, Trump postou a ameaça na rede social Truth Social: "Qualquer país que se alinhe às políticas antiamericanas do Brics terá de pagar uma tarifa ADICIONAL de 10%. Não haverá exceções a essa política. Obrigado por sua atenção a esse assunto!".
Em reação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta segunda-feira as declarações de Trump e classificou como "irresponsável" sua postura de ameaçar países por redes sociais.
"Eu acho que nem deveria comentar, porque não é responsável e sério um presidente da República, de um país do tamanho dos Estados Unidos, ficar ameaçando o mundo através da internet", disse Lula ao ser questionado sobre a declaração de Trump. “O mundo mudou, não queremos imperador. Somos países soberanos. Se ele acha que pode taxar, os países têm o direito de taxar também. Existe a lei da reciprocidade.”
As ameaças de Trump aos membros do Brics surgem pouco antes de 9 de julho -- prazo estabelecido pelo governo dos EUA para negociações sobre o tema com outros países.
As tensões em torno da questão tarifária deram força ao dólar ante boa parte das divisas de países integrantes do Brics, como o real, o rand sul-africano, a rupia indiana, o peso mexicano e a rupia indonésia.
No Brasil, após marcar a cotação mínima de R$5,4214 (-0,06%) às 9h00, na abertura, o dólar à vista saltou para a máxima de R$5,4849 (+1,11%) às 14h00, para depois fechar perto deste nível.
“Com um ambiente externo adverso vindo das incertezas das políticas tarifárias, em conjunto com fatores técnicos locais que indicam posições sobrevendidas no dólar, a divisa volta a negociar próximo do patamar de R$5,50”, pontuou no fim da tarde Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad.
No exterior, a divisa dos EUA também se mantinha no território positivo. Às 17h11, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,58%, a 97,531.
Na manhã desta segunda-feira, em sua operação diária de rolagem, o Banco Central vendeu toda a oferta de 35.000 contratos de swap cambial tradicional.
1 comentário
Governo prevê descongelar R$5,7 bi em verbas de ministérios apesar de frustração em taxação de dividendos
Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC
Dólar fecha o dia estável no Brasil e acumula queda de 0,58% na semana
Ibovespa fecha em queda firme pressionado por blue chips
Pequenas empresas dos EUA entram com ação judicial contestando tarifas de Trump por "trabalho forçado"
Trump diz que EUA vão iniciar investigação sobre UE após multa aplicada ao Google
Adilson Garcia Miranda São Paulo - SP
O único que não tem medo do tarifaço, é o nosso Robim Hood ao contrário. Defensor dos Campeões Nacionais , banqueiros, e algoz dos produtores gaúchos.
Quero ver agora que Trump falou que vai taxar em 50% tudo o que vem do Brasil