Dólar supera R$5,40 em dia de ajustes pós-feriado e ruídos entre Planalto e Senado
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou a sexta-feira pós-feriado em forte alta no Brasil, novamente acima dos R$5,40, com as cotações ajustando-se às notícias da véspera sobre o mercado de trabalho norte-americano e reagindo negativamente aos ruídos entre Planalto e Senado após indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal.
Em meio ao avanço firme da moeda norte-americana também no exterior, o dólar à vista encerrou a sessão desta sexta-feira em alta de 1,20%, aos R$5,4020 na venda. Na semana, a moeda norte-americana acumulou ganho de 1,97%.
Às 17h07, o contrato de dólar futuro para dezembro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- subia 1,42% na B3, aos R$5,4150.
A moeda norte-americana oscilou em alta ante o real durante todo o dia, ajustando-se em relação à véspera. Enquanto o mercado brasileiro esteve fechado em função do feriado do Dia da Consciência Negra, o Departamento do Trabalho dos EUA informou na quinta-feira que a economia norte-americana gerou 119.000 vagas em setembro, ante projeção de 50.000 postos de economistas ouvidos pela Reuters. A taxa de desemprego subiu para 4,4%, ante projeção de 4,3%.
Os números do payroll, apesar de mistos, justificaram a alta do dólar ante a maior parte das divisas na quinta-feira, o que fez a moeda norte-americana se ajustar ante o real nesta sexta-feira.
"Hoje (sexta-feira) temos no Brasil um ajuste em relação a ontem. O payroll deu um nó na cabeça do investidor, que não sabe se de fato o Fed vai cortar os juros", comentou no fim da manhã o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. "Como o mercado brasileiro estava fechando, hoje estamos corrigindo."
O fato de o dólar ter subido novamente ante algumas divisas de emergentes e exportadores de commodities nesta sexta-feira, em um dia de queda firme do petróleo, também deu sustentação às cotações no Brasil.
O movimento foi intensificado pela disparada de ordens de stop loss (parada de perdas) em alguns momentos, mas também pelos desdobramentos da indicação do advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
A indicação de Messias pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, conforme relatos na imprensa, desagradou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendia o nome do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Neste cenário, há o receio de uma piora na relação entre Planalto e Senado, com possíveis consequências para a área fiscal.
“A indicação de Messias e o risco de pautas-bomba no Senado fizeram a questão fiscal voltar. O dólar é quem mais está respondendo a esta piora estrutural”, comentou durante a tarde Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez. “E há também o movimento global, porque o dólar está ganhando ante as moedas emergentes.”
Após marcar a menor cotação do pregão, de R$5,3511 (+0,25%), às 9h03, logo após a abertura, o dólar à vista atingiu o pico de R$5,4194 (+1,53%) às 12h36.
Os fatores de alta para o dólar ante o real acabaram se sobrepondo à notícia, também da quinta-feira, de que o presidente Donald Trump assinou um decreto removendo a tarifa de 40% sobre produtos brasileiros como carne bovina, café e suco de laranja, entre outros. A medida abre espaço para a recuperação das exportações do Brasil para os Estados Unidos, com potencial impacto no fluxo e nas cotações do dólar.
No exterior, embora as apostas em possível corte de juros nos EUA em dezembro tenham voltado a crescer nesta sexta-feira, o dólar seguiu mais forte que a maior parte das demais divisas.
Às 17h12, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,03%, a 100,190. Além disso, o dólar subia ante pares do real como o peso mexicano e o peso chileno.
0 comentário
Governo reconhece que fim da escala 6×1 pode ter impacto maior no setor agropecuário
Israel não vê certeza de que governo do Irã cairá apesar da guerra
Novo líder supremo do Irã sofreu ferimentos leves, mas continua ativo, diz autoridade iraniana à Reuters
Irã afirma que preço do petróleo chegará a US$200 por barril e alerta para "ataques contínuos"
Dólar oscila perto da estabilidade com exterior e pesquisa eleitoral no foco
Autoridades do BCE reconhecem riscos da guerra, mas prometem manter inflação sob controle