Economia da zona do euro encerra 2025 com expansão sólida, apesar de exportações baixas e disputas comerciais com EUA
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Por Balazs Koranyi
FRANKFURT, 30 Jan (Reuters) - A economia da zona do euro cresceu mais rápido do que o esperado no quarto trimestre uma vez que o consumo e os investimentos aceleraram, compensando as exportações baixas e a incerteza excepcional decorrente da política comercial dos Estados Unidos, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Eurostat.
Os números sinalizam uma resiliência notável para um bloco de 350 milhões de pessoas que se esperava que sucumbisse a uma guerra comercial com os EUA, ao aumento da concorrência das exportações da China e a anos de conflito militar na sua fronteira oriental.
No entanto, em cada trimestre do ano passado, a zona do euro apresentou um crescimento respeitável, embora não espetacular, apesar de a indústria e as exportações, os motores anteriores da expansão, terem tido dificuldades em recuperar seu ritmo.
A economia do bloco cresceu 0,3% no quarto trimestre sobre os três meses anteriores, acima das expectativas de 0,2% em uma pesquisa da Reuters, e expandiu 1,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior, contra projeção de 1,2%.
A Espanha continuou sendo o motor do crescimento, expandindo 0,8% no quarto trimestre, acima do previsto. Mas a Alemanha, a maior economia da zona do euro, também parece estar saindo de anos de dificuldades ao crescer 0,3%, acima da estimativa dos economistas de 0,2%.
“O desempenho do quarto trimestre (para a Alemanha) é reconhecidamente modesto, mas ainda assim é o melhor desempenho trimestral dos últimos três anos”, disse o economista do ING Carsten Brzeski. “O aumento de novos pedidos e a queda nos estoques são um bom presságio para, pelo menos, uma leve recuperação na indústria.”
A Itália também superou as previsões com um crescimento de 0,3%, enquanto a França, prejudicada pela instabilidade política, cresceu 0,2%, conforme previsto.
A Irlanda, no entanto, criou um impacto negativo nas estatísticas do bloco, uma vez que o seu vasto setor multinacional, sediado no país por razões fiscais, registrou uma contração acentuada. No entanto, trata-se mais de um efeito estatístico e não indica uma contração real da economia.
2026 COMEÇA BEM
Outros números já sugerem que o bloco começou 2026 em uma posição relativamente forte.
Uma importante leitura de confiança divulgada na quinta-feira mostrou um salto inesperado, impulsionado pela França e pela Alemanha, com ganhos generalizados em todos os principais setores.
Enquanto isso, a indústria mostra sinais de estabilização, as famílias finalmente começaram a reduzir sua taxa de poupança historicamente alta, o desemprego se mantém próximo de níveis recordes e a inflação está estável em torno da meta de 2% do Banco Central Europeu.
As perspectivas são ainda mais impulsionadas pelo boom de gastos da Alemanha em infraestrutura e defesa, que pode demorar a decolar mas terá um impacto mensurável no crescimento a partir do segundo trimestre.
Isso encerrará três anos de estagnação alemã e provavelmente apoiará o resto da Europa, já que sua indústria depende de uma vasta base de fornecedores espalhada por todo o bloco.
No entanto, é improvável que as exportações se recuperem totalmente em breve, uma vez que as tarifas dos EUA, a concorrência chinesa cada vez mais forte e a queda do dólar ao longo do último ano apontam para uma mudança permanente nos padrões comerciais.
Isso coloca sobre a economia doméstica o fardo de encontrar novas fontes de crescimento. Mas economistas afirmam que o consumo tem muitas reservas, assim como o comércio intra-UE, mantendo as perspectivas relativamente otimistas.
De fato, a maioria das projeções aponta para um crescimento na faixa de 1,2% a 1,5% nos próximos anos, ou seja, próximo ao potencial do bloco.
Isso coloca o BCE em uma posição muito confortável, já que a inflação está na meta, as taxas de juros estão em um nível neutro e o crescimento está no potencial — uma trindade que algumas autoridades chamam de nirvana do banco central.
É por isso que investidores prevêem taxas de juros estáveis durante todo o ano, com apenas novos choques podendo alterar essa perspectiva.
(Reportagem de Balazs Koranyi)
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